Mauro Faccio Gonçalves nasceu no dia 18 de janeiro de 1934, em Sete Lagoas, no Rio de Janeiro. Ele trabalhou como vendedor de sapatos, operário em uma fábrica de café, e como contador e gerente de um banco até se mudar para Belo Horizonte, em 1957, onde passou a trabalhar na Rádio Inconfidência.
Meio que o tornou famoso pela incrível habilidade de trocar de vozes, criando vários tipos completamente diferentes, e de imitar animais, o que lhe rendeu o título de melhor comediante. Ainda no início dessa fase, em 1958, ele se casou com a atriz e dubladora Selma Lopes com quem teve uma filha.
Selma Lopes faz a voz da Margie Simpson. Ela foi sua grande incentivadora na carreira artística. Mauro participou de diversos programas na Rádio, inclusive em radionovelas. O primeiro convite para a televisão aconteceu pela TV Itacolomi, que era uma das afiliadas da TV Tupi, em Minas Gerais. Lá, contracenou com diversos artistas, entre eles Paulo Gracindo, Mário Lago e Mário Tupinambá, que participavam do programa Tribunal de Calouros.
Em 1963 foi convidado por Wilton Franco para trabalhar na TV Excelsior do Rio de Janeiro, e em 1968, passou a trabalhar nas emissoras TV Tupi e Record de São Paulo. Nessa época, participou dos humorísticos A Cidade Se Diverte e Praça da Alegria, onde criou o personagem Moranguinho, um garçom atrapalhado e de modos infantis, que já era um prelúdio de Zacarias. Na Tupi, também realizou algumas dublagens de filmes estrangeiros devido a sua voz culta e marcante. Em 1970, atuou na peça A Dama do Camarote, ganhando um prêmio de Ator Revelação.
O casamento de Mauro e Selma durou até 1973, quando, a partir de então, passaram a manter uma relação amigável e até contracenaram várias vezes juntos. O fim da relação dos dois coincidiu com o início de uma nova fase na vida do ator e humorista, pois, em 1974, Renato Aragão participou de um programa da TV Tupi, chamado Café Sem Concerto, onde Mauro atuava como o garçom Moranguinho. Ele se encantou pelo personagem e o convidou para se juntar a ele, Dedé Santana e Mussum, que gravavam na mesma emissora.
Embora para nós, fãs, o quarteto era perfeito, mas nem todos do, até então trio, concordaram com a ideia. Dedé Santana se opôs, alegando que Mauro tinha cara de gerente de banco, mas mudou de ideia ao vê-lo entrar no cenário com uma peruca, dentes pintados e falando com uma voz fina e estridente, o que fez todos caírem na risada.
O nome do personagem continuaria sendo Moranguinho, no entanto, os Trapalhões tinham uma esquete onde contracenavam com um galo chamado Zacarias, e ao perceber que o seu cacarejar se assemelhava muito a risada do novo integrante do grupo, começaram a chama-lo assim. Ele não gostou muito da brincadeira, mas acabou adotando o nome, e abdicando do antigo.
Os Trapalhões romperam com a TV Tupi em 1976 e assinaram com a Globo, mas uma claùsula do contrato impedia que eles se apresentassem na televisão com o nome que usavam, pelos próximos seis meses. Até que finalizasse esse tempo, eles se apresentavam em shows ao vivo e gravaram um filme, O Trapalhão Nas Minas Do Rei Salomão, mas Mauro não participou porque ele estava em outra produção, no longa Deu A Louca Nas Mulheres.
A estreia do quarteto na TV Globo aconteceu no dia 13 de março de 1977. Até 1983, Mauro atuou em 10 filmes com Os Trapalhões, em algumas ocasiões eles lançaram três no mesmo ano. E lançou também dois álbuns, o primeiro musical, em 1982, intitulado Roda Roda Aleluia Com Você Quero Brincar. E o segundo de humor, em 1983, intitulado Zacarias e Lucrécia, a Sensacional Dupla Da Televisão.
Em meados de 1983, ele, junto com Dedé e Mussum, decidiu se separar de Renato Aragão e os três fundaram uma empresa própria, a DeMuZa. Neste período, estrelaram diversas propagandas publicitárias, realizarem shows pelo Brasil e tiveram um quadro provisório no programa A festa é Sua, além de realizarem o filme Atrapalhando a Suate. Enquanto Renato Aragão atuava sozinho e planejava remontar o grupo, tendo o Sergio Mallandro como um dos membros.
Sergio Mallandro atuou no filme com o Renato Aragão, O Trapalhão Na Arca de Noé, que foi produzido para atrapalhar o filme de seus ex-colegas de grupo. Foi também nesse filme que Xuxa fez a sua primeira participação, dando início a uma longa amizade com o humorista e parcerias que se repetiram em várias outras produções.
A separação não durou muito, no final de 1983, eles decidiram voltar com o quarteto. E essa empresa que gerenciava a carreira dos três, Dedé, Mussum e Zacarias, talvez tenha sido a grande responsável, ou pelo menos a colaboradora da falência do trio, pois, em fevereiro de 1986, foi descoberto uma fraude milionária causada por funcionários da produtora.
Eles recolhiam o dinheiro para o pagamento de impostos, mas não pagavam e apresentavam recibos falsos, feitos em uma maquina registradora roubada do Banco do Brasil. Os três, para arcar com a divida se desfizeram de bens pessoais. Dedé perdeu três casas, Mussum perdeu a mansão que possuía em uma ilha em Angra dos Reis, vizinha a de José Bonifacio Sobrinho, o Boni, aléem de uma lancha. E Zacarias perdeu uma fazenda. Mesmo assim, precisaram de ajuda da TV Globo que quitou a divida e descontou do salário do trio.
Em 1988, Mauro alterou o nome de seu personagem, escluindo a letra S do final, deixando apenas Zacaria. Tal atitude teria sido um pedido de seu guia espiritual que lhe traria mais fama e não difamaria o Profeta Zacarias, já que muitas crianças confundiam o personagem bíblico com o trapalhão. Uma mudança bem desnecessária porque todo mundo continuou ele pelo nome tradicional.
O último programa dos Trapalhões, com o quarteto, foi gravado no dia 23 de novembro de 1989, e foi ao ar no dia 31 de dezembro do mesmo ano. As gravações da nova temporada de Os Trapalhões começaram em março de 1990, praticamente um mês depois da estreia do filme Uma Escola Atrapalhada, sem a participação de Mauro que já estava com a saúde debilitada e bem magro. A sua última atuação foi na breve aparição do filme daquele ano.
Desde o final das gravações de 1989, ele se ausentou da mídia e se afastou até dos conhecidos, inclusive dos colegas do quarteto Os Trapalhões. Quando ele permitiu visitas, já estava com a saúde comprometida e recusou ajuda, alegando que faria tratamentos com ervas. A Globo queria envia-lo aos Estados Unidos, mas devido a sua crença, ele era espírita, optou pela medicina alternativa em casa e não resistiu. Mauro passou seus últimos nove dias de vida internado na Clínica São Vicente no Rio de Janeiro, ele faleceu no dia 18 de março de 1990, aos 56 anos.
Surgiram muitas especulações e boatos a respeito de sua morte. Devido a sua perda de peso repentina, a imprensa noticiou que ele era portador do vírus HIV, mas os veículos de mídia do Grupo Globo evitaram essa associação para preservar a imagem do personagem. A notícia difundida e que muita gente prefere acreditar até os dias de hoje é que Mauro, por ser muito vaidoso, optou por fazer um regime por conta própria que debilitou sua saúde, e ao contrair uma pneumonia faleceu por insuficiência respiratória.
Em 2024, com o Show da Madonna no Rio de Janeiro, o tema voltou a tona, pois na performance da música Live To Tell, os telões do cenário exibiam o rosto de vários famosos que morreram em decorrência da AIDS, e Mauro foi um dos que apareceu nas projeções.
Curiosidades
Mauro atuou em 26 filmes ao longo de sua carreira. Três deles foi em carreira solo, e outros 23 com os Trapalhões
Mauro era descrito pelos amigos como tímido, reservado e caseiro, quase um ermitão. Ele gostava de ficar em casa onde costumava receber a visita de alguns amigos aos fins de semana.
Outro fato que também foi ocultado dos fãs é que Mauro era bisexual. Depois de se separar do seu primeiro casamento, ele teve alguns casos curtos com outras mulheres, mas segundo o Rafael Spaca, que produziu um documentário sobre os Trapalhões, o qual foi proibido, o humorista não falava sobre a sua sexualidade, mas também não escondia. Todos os que o conheciam, pelos menos os seus colegas de elenco, sabiam que ele se relacionava com homens e, inclusive, levava os caras para as gravações. Alguns deles participaram das esquetes dos Trapalhões.
O filme O Trapalhão Na Arca de Noé tinha sido pensado para o quarteto, mas com a separação do grupo, Renato Aragão sugeriu ao roteirista que colocasse no lugar do Dedé, um burro, no lugar do Mussum, um macaco, e no lugar do Zacarias, um veado.
Em 1981, ele foi homenageado pelo cantor Caetano Veloso na canção Jeito de Corpo. Apesar da letra confusa e até sem sentido, aparentemente, é interpretada como uma ode à autenticidade e à liberdade de expressão.
Ao longo de sua carreira, Mauro recebeu troféu de ator revelação, homenagem da Embrafilme em Portugal, Medalha da Inconfidência em Ouro Preto, foi eleito Embaixador de Sete Lagoas pela prefeitura da cidade, onde teve também seu nome em um Anfiteatro, e em escolas públicas em diferentes regiões do país.
O humorista foi sepultado em sua cidade natal, no Cemitério Parque Santa Helena.
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