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Glub Glub


No começo dos anos 90, enquanto a televisão infantil brasileira se dividia entre a estética do espetáculo e o apelo comercial, a TV Cultura apostava numa abordagem diferente, era educativa, intimista, e surpreendentemente sofisticada. Foi nesse cenário que nasceu o Glub Glub, um programa infantil que, a primeira vista, parecia apenas mais uma atração simpática com peixinhos falantes. Mas fazendo  uma análise mais cuidadosa nota-se que era um projeto ousado, sensível e extremamente à frente do seu tempo.


Glub Glub foi criado e roteirizado por Lilian Iaki. O programa estreou no dia 9 de setembro de 1991, na TV Cultura. A ideia era simples, mas muito inteligente, tratava-se de dois peixes chamados Glub, um macho e uma fêmea, que viviam desventuras no fundo do mar e falavam sobre temas ecológicos, tendo desenhos animados intercalados às histórias deles.

Inicialmente Glub Glub era um quadro do programa Rátimbum, os dois pexinhos apareciam rapidamente, e na época eram interpretados por Carlos Mariano e por Cecília Homem de Melo. Ele atuou em diveras obras da TV, cinema e teatro, esteve, por exemplo, no elenco de Chiquititas em 1999, e na versão de 2013 também, além de atuar em Carrossel, Carinha de Anjo... todas no SBT.


Mas atuou também na Globo, no seriado Minha Nada Mole Vida. E apresentou o programa Tagarela na Band, que ia na mesma linha de Gente Inocente da Globo e de Pequenos Brilhantes do SBT. Essas são apenas algumas obras em que ele atuou. E a Cecilia esteve em várias produções desempenhando distintos papéis em distintas obras. Foi atriz, produtora de elenco, e roteirista, de filmes, séries e novelas.


Atuou, por exemplo, no seriado A Grande Família e na novela Órfãos da Terra... entre outros tantos trabalhos que executou. Não dá para elencar todos porque o vídeo ficaria muito chato.


No entanto, quando Glub Glub virou um programa, Cecilia deixou o elenco e foi substituida por Gisela Arantes que já tinha atuado no filme O Sétimo Artesão, de 1982, era uma produção metalinguística, new wave, onde interpretou uma bruxa. 

Em 1989, ela fez o papel da Vaquinha Matilde em A Vaca Lelé. Uma vaquinha cheia de sonhos e curiosidades de conhecer a vida e seus segredos. E em 2000, esteve no filme Mamíferos - A Floresta Feliz. É uma produção de 45 minutos com aqueles bebês caracterizados de bichinhos que fizeram parte da divulgação da Parmalat.


O conceito do programa já é apresentado logo na vinheta de abertura. É um desenho animado onde um indígena navega em um bote cheio de coisas e o cabo de um televisor cai na água. Um peixe persegue o cabo e quando o alcança puxa o aparelho para dentro da água. Já no fundo, um peixe elétrico morde o cabo do plugue servindo de fonte de energia para a TV funcionar.


Quanto a apresentação, a técnica era simples. Os atores usavam uma espécie de capacete em formato de peixe com dois cabos que eram usados para fazer os movimentos da cauda, além de uma maquiagem super carregada que levava no mínimo uma hora para ficar pronta, e uma roupa na mesma cor da parede de fundo.

E detalhe, no começo, esse capacete era bastante pesado, e como eles gravavam em média três programas por dia, os atores ficavam bem cansados. Em algumas ocasiões gravavam cinco programas no mesmo dia.


Através da técnica do chromakey, a produção inseria um desenho animado para simular o fundo do mar. Com o tempo, esse cenário virtual foi sendo aprimorado, colocaram outras camadas, colocaram imagens de um aquário de verdade, além do desenho de fundo, deixaram mais bonito. E mudou várias vezes, os peixinhos interagiram entre si em distintos ambientes, além de suas estéticas mudarem também.

Tudo era muito caprichado, mas no começo, dava para ver até as falhas do efeito, algumas partes da roupa, que possivelmente ficavam dobradas ou com sombras, e não eram totalmente elimanadas pelo chormakey.


O Glub Glub apresentou várias animações estrangeiras um tanto alternativas, vindas de países como Alemanha, República Tcheca, Inglaterra, França e Bélgica. Eram produzidas através das mais diferentes técnicas, incluindo stop motion, bonecos live action, entre outras animações. Várias delas nem tinham fala, era para um público bem infantil.


A ideia inicial da produção era fazer apenas 60 episódios, mas deu tão certo, agradou tanto o público que durtou até 1999, completando 679 episódios. Um piloto do programa apresentou outros personagens, tinha um pirata, um Tritão, uma sereia e um mergulhador chamado Homem-Rã. Ele apresentaria o programa que seria sobre a vida marinha. A ideia foi reutilizada para a segunda versão de Glub Glub, em 2005. Foram gravados 16 episódios e 90 entrevistas, mas nenhuma foi ao ar, e a ideia do programa foi cancelada e transformada no Glub Glub que conhecemos. 


No terceiro ano do programa, entrou uma nova personagem, a carangueja Carol, que era interpretada por Andrea Pozzi. Sobre ela eu sei muito pouco, basicamente que ela era atriz de teatro e cinema e meio briguenta, mas que deixava aparecer também o seu lado doce. Ela foi morar em Portugal e, lá, teve um AVC e faleceu em 2005.


Em 1995, o programa passou por uma reformulação, foi para o horário nobre com vários desenhos novos. Depois voltou ao seu horário normal. O último episódio foi ao ar no dia 24 de setembro de 1999. No dia primeiro de setembro de 2006 o programa voltou a ser exibido com o mesmo elenco, mas dessa vez na TV Rá-Tim-Bum. Foram 26 episódios, e não teve desenho, a produção optou por mostrar histórias e curiosidades sobre a natureza e o fundo do mar. A vinheta também mudou.

No dia 16 de junho de 2009, a Cultura fez um especial comemorando seus 40 anos e exibiu diversos programas marcantes, entre eles a versão original do Glub Glub em uma única apresentação. Na ocasião dos 45 anos da emissora, em Junho de 2014, o infantil foi homenageado novamente. Carlos Mariano apresentou um programa falando como foi ter participado e revelando detalhes da produção.

Pat Beijo - Patricia Kiss

Patrícia Macedo Nogueira de Oliveira nasceu na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro, no dia 13 de outubro de 1979. Ela começou ainda menina como modelo e desfilando em concursos de beleza, dos quais conquistou 13 títulos. Entre os mais importantes estão o título de Miss Petrópolis, Miss Rio de Janeiro e o Miss Brasil 94-Word University, esse aos 15 anos de idade.

Ainda aos 15 anos, foi tirar fotos para a Revista Manchete, na mesma época em que a emissora estava buscando um novo rosto para assumir o comando do Clube da Criança e os produtores do infantil a convidaram para fazer um teste de apresentadora, pois viram nela um grande potencial.

A sua estreia no Clube da Criança aconteceu no dia 4 de julho de 1994, ressuscitando o programa que já tinha passado pelas mãos de Xuxa, Angélica e Mylla Christie. O infantil voltou a fazer muito sucesso, pois além da menina boneca no comando da atração, o anime Cavaleiros do Zodíaco virou febre entre as crianças e os adolescentes.

O programa era gravado nos estúdios do edifício do Flamengo, no Rio de Janeiro. Inicialmente os seus assistentes de palco era uma dupla de anões, no entanto eles ficaram pouco tempo, logo em seguida entraram duas meninas, a Mariana (loira) e a Flavinha (morena).

Patricia ficou no comando do Clube da Criança até setembro de 1995. Nesse período ela lançou a boneca Pat que tinha como slogan A Boneca de Verdade que vinha com um kit surpresa, faixa, coroa de Miss Brasil, e vestido de luxo.

Lançou também um álbum musical em LP e CD com músicas infantis pela gravadora RGE. E até gravou um especial na Disney para o dia das crianças.

Patricia lançou o jargão Pat beijo, Pat Pat rapidinho e Pat atração. Ou seja, ela seguia a mesma fórmula das grandes musas infantis, era loira, jovem, bonita, tinha jargões e uma música pegajosa. O seu hit mais forte foi a canção O Canguru, uma regravação de 1969, do cantor Dori Edson, que tinha sido gravada em 1992 pelos palhaços Patati e Patatá e, posteriormente, em 1995, por Sergio Mallandro.

Outro detalhe do disco da Pat é que a primeira faixa, Mundo Dos Sonhos, tem a mesma melodia da música Nave Verde E Amarela gravada por Eliana, em 1994. A razão disso é que as duas canções foram feitas pelo mesmo compositor, o Ed Wilson. Na versão gravada por Eliana ele fez em parceria com Carlos Colla. 

Ela fazia em média 4 shows por mês, levava consigo alguns personagens como um palhaço e o canguru, a mascote de seu hit mais forte, interpretado por Andre Luiz Andrade, e usava aproximadamente três figurinos diferentes durante o show. Mesmo após o fim do Clube da Criança Pat continuou com as apresentações por mais um tempo.

A direção cogitou transferir as gravações do Clube da Criança para os estúdios da estrada de Água Grande, no complexo de estúdios da Manchete, com um novo cenário, no entanto, apesar do sucesso que estava fazendo na TV a emissora tinha dificuldades para manter o infantil no ar e ela foi realocada para outra atração pondo fim ao Clube. Apresentou o programa Raio Laser, de clipes musicais, com Thunder Bird, e recebeu um convite para atuar na novela Xica da Silva, porém não aceitou e preferiu sair da emissora. 

Fora do meio infantil ela mudou o nome artístico para Patrícia Kiss e não foi só o nome que ela alterou não. Patricia foi se reinventando gradativamente, mas de uma forma bem radical em relação aquela imagem da menina boneca para crianças. Entrou em estúdio para gravar seu segundo álbum e até deu uma mostra do que viria no programa do Jô Soares, no SBT. Pat só para altinhos, no entanto o disco não saiu. Só a música Viro Gata foi disponibilizada no Youtube.

E o primeiro livro que escreveu é um tema também para gente grande, Como Ser Sexy Demais, que foi publicado pela editora Vozes. Fez várias tatuagens e tem uma imagem dela mesma no braço e outra na perna. É narcisista, ela mesma já admitiu, mas uma narcisista light.

Patricia participou de alguns programas depois que saiu do Clube da Criança. Foi no Jô Soares, na Praça é Nossa... Lançou outros livros, o, Irresistível - O Poder da Sedução, e, Superlinda. Mas em 2001, quando teve a sua primeira filha resolveu afastar-se da mídia. Disse que se decepcionou com o meio artístico e chegou a sofrer assédio em algumas emissoras.

Formou-se em Estética e Imagem Pessoal pela Universidade Norte do Paraná e se pós-graduou em Estética e Cosmetologia pela IPUPO. Desde 2002 ela mora fora do Brasil, morou durante 11 anos na Suiça e atualmente vive em Portugal. Está no seu quinto casamento e chegou a perder a guarda da filha mais nova para o pai da menina após ele se queixar da forma que ela ganhava dinheiro. Pat é influenciadora, maquiadora profissional, empresária, e tem um perfil no OnlyFans.

 

Curiosidades

Para a montagem do cenário da Pat a emissora usou elementos da cenografia de outros programas e o figurino de Mariana e Flavinha tinham sido das Angelicats, as assistentes de palco da Angélica quando ela apresentava o Clube da Criança. 

O figurino da Pat era produzido por Milton Cunha, conhecido carnavalesco, cenógrafo e comentarista de carnaval, mas os sapatos que ela usava tinham sido usados por Angélica nas gravações do Clube da Criança.

A assistente de palco Mariana Guimarães atuou na novela Fera Ferida, ela interpretou a personagem Linda Inez na primeira fase.

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5 programas que completam 30 anos em 2021

1. A novela Carrossel estreou no dia 20 de maio de 1991. É uma produção da Televisa e Silvio Santos desembolsou US$ 300 mil dólares para apresenta-la no SBT. Um investimento que deve ter valido muito a pena, porque a trama infantil ficou 11 meses no ar e chegou a incomodar a Globo, marcando 28 pontos de audiência. O curioso é que a Televisa tinha oferecido os direitos de exibição de Carrossel para a Globo.

Depois de quase um ano passando, a novela foi reprisada pela primeira vez entre 04 de janeiro e 30 de julho de 1993, em 166 capítulos, juntamente com a reprise de Rosa Selvagem, que é outra novela que completa 30 anos em 2021 também.

Depois foi reprisada pela segunda vez entre 03 de julho de 1995 a 26 de fevereiro de 1996, em 205 capítulos, e pela terceira vez, entre 25 de janeiro de 1996 a 06 de abril de 1996, em 53 capítulos.

Com o sucesso da novela e da personagem Professora Helena, Gabriela Rivero, a atriz que a interpretava, visitou o Brasil na época, sendo esperada por cerca de cinco mil pessoas, e desceu a rampa do Congresso Nacional do Brasil junto com o então presidente Fernando Collor de Mello. Cirilo e Marcelina também vieram ao Rio de Janeiro para serem a atração internacional de uma grande exposição de filhotes de animais.

Carrossel foi a segunda novela estrangeira a concorrer ao Troféu Imprensa na categoria de Melhor Novela, mas recebeu só um voto dos jurados. E foi matéria de capa da revista VEJA, em junho de 1991. Aliás, até hoje, foi a única novela mexicana que foi capa da Veja!

O primeiro disco da trilha sonora brasileira tem música de Luan e Vanessa, Trem da Alegria, Patricia Marx, Mariane, e grupo Super Feliz que cantava o tema de abertura, além de outros cantores. O segundo disco é de cantigas de roda interpretadas pela dubladora da Professora Helena no Brasil, Marlene Costa. E em 1995, na reprise da novela, teve a terceira trilha que tem algumas músicas do primeiro e outras do segundo disco.


2. No dia 19 de agosto de 1991 estreou no SBT o programa Festolândia com Eliana. Foi a sua estreia como apresentadora. Antes disso ela era integrante do grupo Banana Split, e numa das vezes que o quarteto foi participar do programa Qual é a Música e Sílvio Santos a convidou para fazer um teste. E disse mais, que ela deveria investir na TV porque o grupo não ia durar.

Eliana gravou o piloto no cenário que era gravado o programa da Mariane, além dela a Cristina Rocha também gravou, mas a mocinha dos dedinhos é que foi a escolhida. Festolândia estreou numa segunda feira, às 09h da manhã e durava uma hora e meia.

Festolândia ocupou o lugar do programa da Mariane, que foi remanejado para o horário das 07h30 da manhã. O cenário era uma vila medieval, tinha um castelo, uma mina, um poço onde vivia um gênio, além de fadas e duendes. E passava os desenhos do Pica-pau, Ursinho Puff, Cavalo de Fogo, entre outros.

No entanto, o IBOPE caiu. A Mariane chegava a encostar na audiência do Xou da Xuxa, e até passou algumas vezes, mas acho que a mudança foi um castigo por ela ter cortado o cabelo sem permissão. 

Festolândia foi parar nos domingos pela manhã, mas sem resultado virou apenas uma sessão de desenhos, porque segundo Silvio Santos, a produção era muito cara para não dar retorno. Ainda assim, foi cancelado. O último programa foi ao ar em 16 de novembro de 1991 e Eliana passou a apresentar a Sessão Desenho.


3. No dia 9 de setembro estreou Glub Glub, na TV Cultura. Tratava-se de dois peixes chamados Glub, um macho e uma fêmea, que viviam no fundo do mar e falavam sobre temas ecológicos entre um desenho e outro.

Esses desenhos eram mais alternativos e de origem de países como Alemanha, República Tcheca, Inglaterra, França e Bélgica, produzidos através das mais diferentes técnicas, incluindo stop motion, bonecos live action (com atores fantasiados), entre outras.

O programa seguiu até 1995, quando foi reformulado e passou a ser exibido em horário nobre com novos desenhos. Depois voltou ao seu horário normal e se estendeu até 24 de setembro de 1999. Em 1 de setembro de 2006, voltou a ser exibido e ganhou uma nova temporada com 26 episódios.


4. No dia 19 de agosto estreou a minissérie O Guarani, na Rede Manchete. Livremente inspirada no romance homônimo de José de Alencar, foi escrita por Walcyr Carrasco, dirigida por Marcos Schechtman, e tem como protagonista a Angélica, que na época apresentava o Clube da Criança.

A história gira em torno da relação platônica de Cecilia, vivida por Angélica, com o índio Peri, vivido por Leonardo Brício, e contava com a atuação de outros atores, como Luigi Baricelli, Leila Lopes, Nani Venâncio e Monique Evans que também fazia papel de índia.

A série durou 35 capítulos, contava com índios de autênticos no elenco, e chegou a dar 13 pontos de audiência. O último capítulo foi ao ar no dia 28 de setembro.


5. E para finalizar voltamos à TV Cultura. No dia 6 de outubro estreou Mundo da Lua, criado por Flávio de Souza e protagonizado por Luciano Amaral, que ficou bem conhecido no papel de Pedro do Castelo Rá Tim Bum.

O programa era exibido originalmente aos domingos e totalizou 52 episódios. Ainda em 1991, passou a ser transmitido também durante a semana, reprisando os episódios. E passou também na Rede Globo em janeiro de 1993, durante as férias, nas manhãs, antes das reprises do Xou da Xuxa.

No seriado, Lucas Silva e Silva, que havia ganhado um gravador de seu avô ao completar dez anos, grava histórias de como gostaria que as coisas fossem. Daí o nome da série, uma pessoa que foge muito da realidade, é aquela que vive no mundo da Lua.

Além de Luciano Amaral, passaram pela série grandes atores, como Antônio Fagundes, Gianfrancesco Guarnieri, Lucinha Lins, Edson Celulari, Marisa Orth e Caio Blat, entre outros. O último episódio foi ao ar no dia 27 de setembro de 1992.

A casa que foi o palco das gravações, que foi o lugar emblemático da abertura, ainda existe e localiza-se entre os bairros de Pinheiros (distrito de São Paulo) e Vila Madalena, em São Paulo.

Em 2020, a empresa Danone, por meio de sua marca Danoninho, lançou um episódio inédito de Mundo da Lua também protagonizado por Luciano Amaral, que contou com a ajuda de inteligência artificial para ter sua voz de criança recriada.


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Bom Dia & Cia

Bom Dia & Cia é o último dos programas infantis da TV aberta. A sua estreia aconteceu no dia 2 de agosto de 1993.


O SBT sempre investiu no gênero infantil. Isso aconteceu desde a sua estreia em 1981, quando já tinha o Bozo que dominava as manhãs até a chegada de Xuxa na Globo. Depois estreou a Mara Maravilha, o Sergio Mallandro, a Simony, a Mariane, e mais tarde a Vovó Mafalda... Mas em um dado momento o financeiro da emissora fechou um pouco a torneira. No entanto, antes disso acontecer, em 1991 a Eliana deixou o grupo Banana Splits para apresentar o Festolandia, que infelizmente durou apenas quatro meses.


Com o cancelamento do programa, Eliana ficou sem função na emissora, mas pediu para o Silvio lhe dar mais uma oportunidade, e assim, passou a apresentar o novo Festolândia que acabou se tornando um festival de desenho animado e era custo quase zero porque ela gravava sentada em um banquinho diante de um chroma key onde eram inseridas imagens de papel de carta, de sua própria escolha.


O diretor Nilton Travesso vendo que a Eliana tinha um grande potencial e que merecia muito mais do que ficar lá sentada num banquinho, apresentou o projeto do Bom Dia & Cia para a direção do SBT, que foi aprovado.


No mesmo mês a Angélica estreou na emissora o programa Casa da Angélica, apesar de de correr a informação de que os recursos do SBT já estavam escassos. No entanto, como Mara viu um certo investimento no programa da Angélica, ela pediu uma atençãozinha para o Show Maravilha e teve o pedido atendido e teve o cenário de seu program renovado. Mas o Bom Dia & Cia foi montado com elementos cenográficos reutilizados do depósito da emissora.


Eliana passou por uma reconstrução de imagem e o acessório que se tornou uma de suas marcas registradas foi o chapeuzinho de tecido que a acompanhou desde a estreia do programa. E ela tinha um dos assistentes de palco mais criativos que a gente viu, o Flitz, um computador que não dá para saber muito bem se era um computador de mesa ou um notbook, que a acompanhava nas artes do programa. A Nana, como ele a chamava, ensinava a customizar brinquedos e ensinava cores, números e inglês.


Em 1994, o programa ganhou um pouco mais de investimentos. O cenário cresceu e Eliana ganhou um novo parceiro, o monstrinho roxo Melocoton. No ano seguinte, 1995, surgiu outro personagem, a Bizuca, uma minhoca que ensinava ecologia, mas somente a apresentadora entendia o que ela falava, e a Recicleia, uma boneca de lata, que discutia temas de ecologia e a importância da economia de recursos materiais,


Em 1996, o cenário foi novamente expandido, ganhou novos ambientes e um quintal. E em 1997, trocou de nome, passou a ser chamado Eliana & Companhia e ficou assim desde maio desse ano até setembro de 1998, quando passou a ser comandado por Jackeline Petckovic.


Desde 2 de agosto de 1993, Eliana vinha ganhando mais espaço e mais investimentos em seu programa. Ela lançou vários álbuns musicais e teve o seu nome licenciado em muitos brinquedos e almejava outro programa, ou mais espaço na emissora. Além disso, ela já estava sendo sondada pela Record e pela Globo. Ao conversar com Silvio Santos, ele percebeu que corria o risco de perdê-la e dirigiu um piloto com a Jackeline Petkovic, que até então era uma das apresentadoras do programa Fantasia, e gostou do resultado. Então, se a Eliana ficasse no SBT ele pretendia colocar as duas para apresentar o Bom Dia, e é claro que ela não quis e migrou para Record.


Jack estreou no mesmo cenário que ela usava e fazia exatamente a mesma coisa que ela já fazia porque não houve tempo de adaptar nada. Depois com o passar dos meses as coisas foram tomando outro formato e se adequando a Jack. No ínicio de 1999, o programa passou por uma grande reformulação, o Melocoton continuou, mas o Flitz saiu e a pequena Michelle Giudice entrou para fortalecer o grupo.


Ela teve também a participação do Pato Malandro, Nana Banana, Tunico e Tinoca, Indiazinha Cara de Pau e o Pica-Pau, e B1 e B2 dos Bananas de Pijamas. No ano seguinte, em 2000, teve outra reformulação e os personagens foram trocados pelo Gugui - um E.T., Piu e Pia - dois passarinhos, Ramonzinho - um peixe, e o Livro que estava sempre em uma estante. Este foi o período de maior sucesso do programa e Jack se tornou uma das maiores audiências do canal.


Em julho de 2002, Jackeline comemorou 1000 edições do infantil e ganhou um auditório, mas em 2003 a crise financeira voltou a rondar a emissora e o Bom Dia & Cia perdeu todos os seus bonecos e quadros, além de ter o tempo reduzido. O último programa com Jack foi ao ar em 31 de outubro de 2003. E nesse período que ela ficou a frente da atração, lançou 4 álbuns, e vendeu muito bem.


A intenção da direção era transformar o programa em uma faixa de desenhos, sem apresentador para baratear os custos, mas por uma necessidade comercial foi preciso colocar alguém na frente das câmeras. Carla Diaz foi sugerida, mas a direção vetou a atriz e os adolescentes Jéssica Esteves e Kauê Santin estrearam como apresentadores. Ele já havia participado de diversas campanhas publicitárias e desfiles, além de algumas gravações no SBT, como em Pequenos Brilhantes. E ela havia participado de diversas atrações em várias emissoras. Ou seja, não eram rostinhos novos, mas eram mais baratos do que Jack.  A dupla apenas contava histórias entre um desenho e outro.


Os dois ficaram no ar até 29 de julho de 2005, quando a dupla mais famosa estreou no Bom Dia, Priscilla Alcântara e Yudi Tamashiro, que até então eram desconhecidos. Ou melhor, nem tanto, os dois já haviam participado de programas da emissora quando eram menores. Eles estrearam no dia 1º de agosto de 2005, junto com a coreografa Ítala Matiuzzo, que ficou no ar até o dia 7 de julho de 2006. Um pouco antes dela sair, em 26 de março, o infantil passou a ser apresentado ao vivo com a participação de crianças por telefone, e chegou a ter mais de 8 horas de duração. Foi a maior crise financeira da história da emissora. Os dois adolescentes ficavan no ar das 7h da manhã às três da tarde. Por sorte, no mesmo ano, o matinal voltou a ter 3 horas, das 9 da manhã ao meio-dia.


Maísa que fazia sucesso com suas participações no programa do Silvio Santos e no Sábado Animado, estreou no Bom Dia, no dia 1º de janeiro de 2009, cobrindo as férias de Priscilla e Yudi, mas a partir de 7 de maio de 2010, ela assumiu o comando às sextas-feiras e depois às quintas. Permanecendo na atração até 12 de outubro de 2011, quando integrou o elenco da novela Carrossel.


A partir do dia 30 de novembro de 2012, Yudi foi retirado e substituído pelo palhaço Bozo, que já estava sendo trabalhado para ganhar seu programa próprio, mas o público não o recebeu bem e a partir de 18 de fevereiro de 2013, Priscila seguiu sozinha à frente da atração, até 18 de março quando foi substituída por novos apresentadores. Os diretores resolveram apostar nos atores Ana Vitória Zimmermann e Matheus Ueta, os intérpretes de Marcelina e Kokimoto da novela Carrossel, eles estrearam no dia 18 de março de 2013


Bom, a partir daí foi um entra e sai de apresentadores. A Maísa voltou, depois o Jean Paulo Campos, que também atuou em Carrossel entrou também. O Bozo voltou, e Patati e Patatá foram realocados para o programa. Ana Vitória e Matheus Ueta saíram, depois retornaram, Maisa e Jean saíram... e acabou saindo todo mundo.


Até o começo de 2015 Matheus Ueta e Ana Júlia Souza apresentavam o programa e tinham a participação do Seu José e seu papagaio Chico. Mas aí o seu José saiu e o papagaio ficou. E em julho daquele ano, uma decisão judicial impediu que as crianças continuassem. Foi aí que Sílvia Abravanel, que era a diretora, assumiu a apresentação. As crianças foram liberadas, para que voltassem ao lado de Silvia, elas ficaram desde o final de julho até o final de agosto, quando a direção optou por deixar sem ninguém no comando. No entanto, três dias depois Silvia Abravanel voltou sozinha.


Bom, acho que é raro alguém que não saiba quem é a Angélica, ela começou a trabalhar com 4 anos de idade. A Simony começou mais ou menos com essa idade. A Maísa, que hoje tem o seu próprio programa começou pequena demais. O Yudi e a Priscila ficavam 8 horas no ar, ao vivo, diariamente. E aí, em algum momento alguém botou um basta nisso, ou pelo menos limites nessa exploração do trabalho infantil na televisão. Poderia ter um rostinho mais simpático, mais cara de fadinha como estávamos acostumados, mas como tudo aconteceu tão depressa e não tinha ninguém para assumir o comando da atração, entrou a diretora no ar.


Curiosidades.

Não foi só a Eliana que lançou produtos com o seu nome enquanto apresentou o Bom Dia & Cia. Jackeline Petkovic chegou a ter muitos produtos licenciados e conseguiu o feito de ter um contrato exclusivo e vitalício com a marca de brinquedos Estrela para lançar seus produtos. E Jéssica Esteves também teve seu nome licenciado para uma boneca pela Acalanto.


Em 2016, os apresentadores mirins Matheus Ueta e Ana Júlia Souza voltaram a comandar o programa, mas apenas como apresentadores eventuais cobrindo as férias de Silvia.

O Bom Dia & Cia já levou algumas vezes o troféu imprensa na categoria melhor programa infantil, como em 2000, 2008, 2009, 2010, 2011, 2016, 2017 e 2018. No entanto, também recebeu o troféu santa clara como pior programa infantil nos anos de 2013, 2014 e 2017.  Até coincidiu no mesmo ano, em 2017, receber o troféu de melhor e pior programa. Uma das críticas diz que o infantil só é considerado bom por falta de algo melhor.


Em uma pesquisa da UOL, Yudi e Priscilla e Jackeline foram eleitos os apresentadores que o público mais sente falta, os três venceram como os melhores apresentadores que já passaram pelo Bom Dia & Cia.

Em 2018 na comemoração dos 25 anos do programa, vários apresentadores infantis que passaram pela emissora foram convidados para apresentar um bloco, entre eles a Eliana e a Jack, que não se cruzaram. Mas elas já tinham se encontrado em outra ocasião.


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