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O primeiro disco da Xuxa - Xuxa e Seus Amigos


O primeiro disco da Xuxa foi lançado, segundo informações da Wikipédia, em novembro de 1985, logo, nesse momento em que você lê este post o álbum já passou dos 40 anos. Mas não foi a sua estreia como cantora porque ela já tinha colocado a voz em três faixas do álbum Clube da Criança, lançado em 1984. Ela fez participação nas músicas Carrossel de Esperança e Eu Vi, além de fazer solo em Lápis De Cor.

Segundo uma entrevista de Roberto Menescal, ele queria fazer o disco com a Xuxa, mas a gravadora estava sem recursos para bancar a produção, ou não queria mesmo investir em uma voz desconhecida. A Xuxa já era bem conhecida, mas como modelo e apresentadora. Então, ele resolveu levar o projeto adiante, mas com investimento quase zero, pedindo músicas para os artistas que tinham contrato com a gravadora, como Caetano Veloso e Erasmo Carlos.

Ele simplesmente tirou a voz dos cantores, em algumas partes das músicas, e substituiu pela voz da Xuxa. Em algumas faixas os cantores das gravações originais têm suas vozes preservadas durante toda a música, apenas com o acréscimo da voz da Xuxa, e em algumas faixas as música são tais como tinham sido gravadas originalmente, sem nenhuma intervenção.

Mas teve faixas exclusivas do álbum, algumas produzidas especialmente para Xuxa, uma delas ela não canta, mas é uma homenagem dos Trapalhões, com quem ela já tinha feito três filmes. O primeiro foi em 1983, só com o Renato Aragão, uma pequena participação, bem pequena mesmo, em O Trapalhão Na Arca de Noé. Depois, em 1984, ela atuou em Os Trapalhões e o Mágico de Oróz, e em 1985, no filme Os Trapalhões No Reino da Fantasia.


O LP foi lançado pela Philips e Polygram, e tinha como brinde um quebra-cabeça com a imagem da capa. Esse é um grande diferencial dos discos físicos, dos discos de vinil mais especificamente. Era comum que tivesse algo a mais, além do disco e do encarte com as músicas, como um postal... Um dos discos do Balão Mágico tinha um cheque para que as crianças abrissem uma conta na Caixa Econômica Federal. Obviamente isso já estava incluido no preçoo do disco, mas essas coisas se perderam. Com os CDs já tinha mais esses mimos que faziam toda a diferença.

Xuxa fez uma grande promoção do álbum, ela se apresentou em vários programas de TV, em programas de rádios, deu entrevistas e fez pequenos shows em lojas de brinquedos e varejo. Em dezembro do mesmo ano, em 1985, ela gravou um especial de Natal, apresentando as músicas do disco e com a participação de vários, quase todos, os artistas que tem músicas no disco. O especial foi dirigido por Paulo Neto e foi ao ar no dia 22 de dezembro.

A primeira faixa é: O Leãozinho, com Caetano Veloso. Essa música foi regravada com participação de Maria Gadu para o álbum XSPB 10, Baixinhos e Bichinhos, lançado em 2010.


A segunda faixa é: O Gato, com Marina Lima. A terceira faixa é: Meu Bumerangue Não Quer Mais Voltar, com Erasmo Carlos. Nessa faixa a voz da Xuxa quase não aparece, mas ela canta.

A quarta faixa é: Irmão Sol, Irmã Lua, com Zizi Possi. Nessa faixa a voz da Xuxa também quase não aparece, pois a voz da Zizi é predominante.

A quinta faixa é: O Caderno, com Chico Buarque. É uma das faixas mais bonitinhas do disco, ele não participou do especial de Natal, mas ela apresentou a música.

A sexta faixa, fechando o lado A, é: Pra Mode Chatear, com Nara Leão. Essa música é muito controversa porque é direcionada às crianças, mas a letra pede que Zulmira prenda as crianças no banheiro para não incomodarem os adultos, porque eles gostam de ficar sozinhos. Na segunda parte da música a letra se inverte, aí pede para Zulmira prender os adultos no banheiro para deixar as ciranas brincarem sozinhas.

A primeira faixa do lado B, é: Xa-Xe-Xi-Xo-Xuxa, cantada por Os Trapalhões. Xuxa não canta, mas apresentou a música no especial de Natal. 


A segunda faixa é: Sete Quedas, o primeiro solo de Xuxa no álbum. Essa foi escolhida como música de trabalho e foi lançada como single em um compacto simples com a música Kiddo - Meu Herói Querido, para ser distribuído nas rádios, poucas semanas depois do lançamento do disco. Em 1986, Sete Quedas entrou na coletânea TVLândia, lançada pela gravadora Som Livre.


A terceira faixa é: No Mundo da Lua, cantada por Biquíni Cavadão... Essa faixa poderia ter ficado fora do disco porque apesar do nome não remete a infância e não tem a voz da Xuxa.

A quarta faixa é: Kiddo (Meu Herói Querido), cantanda por Xuxa. Como dito anteriormente, foi lançada em um compacto simples como single, com Sete Quedas, para distribuição em rádios. A capa desse compacto, em um lado é um desenho de Xuxa montada em um cavalo branco velho oeste, e do outro lado é um desenho também, ambos feitos por Maurício de Sousa, dela montada em notas musicais, envolta de várias cachoeiras.


A quinta faixa é: Delícia, cantada pelo grupo Ciclone. Essa faixa, assim como No Mundo da Lua, poderia ter ficado fora do disco, pelas mesmas razões da música do Biquini Cavadão.

E finalizando o disco, a sexta faixa é: Acalanto, cantada por Xuxa. Então, de doze faixas, Xuxa colocou a voz em nove, sendo três delas, solo.

Curiosidades

Segundo o jornal Tribuna da Imprensa as vendas atingiram 28 mil cópias em três dias após o lançamento e, após um mês, segundo o Correio Braziliense, já tinha passado das 50 mil cópias vendidas. De acordo com Roberto Menescal, Xuxa e seus Amigos vendeu 500 mil cópias no Brasil.


Em 1990, o álbum foi lançado pela PolyGram Discos na Argentina, a contracapa dessa versão é toda em preto e branco, e apesar de as faixas serem as mesmas do lançamento no Brasil, o título foi escrito em espanhol: Xuxa Y Sus Amigos.


Os críticos de música tiveram opiniões divergentes em suas resenhas. Por exemplo, o crítico do jornal O Poti chamou-o de um disco muito criativo e moderno, mas Edgar Augusto, do Diário do Pará, criticou os vocais da cantora e disse que o melhor do disco era a capa. Amargurado.

O compacto com os singles distribuidos para as rádios foi produzido por Cirano Meneghel, irmão de Xuxa, faleicido em 2015.

Os discos e os artistas que mais venderam no Brasil


A mídia musical que deu o ponta pé para o hábito de consumirmos música em casa aconteceu entre 1890 e 1900. Chamava-se Fonoautógrafo, ou Fonógrafo. Tratava-se de um cilindro de cera de 10 a 12 centímetros e meio de altura, por três centímetros e meio, a quatro, de diâmetro. Essa era a medida padrão, mas podia variar de tamanho. Pesava entre 50 a 100 gramas e tinha capacidade de 2 a 4 minutos de som.


Entre os anos de 1920 e 1940, surgiram os Discos de 78 rotações por minuto. Eram feitos de goma-laca, uma espécie de resina, e tinha capacidade de três a cinco minutos de áudio em cada lado. Ou seja, uma música basicamente para cada lado.


O Long Play, que ficou conhecido como LP, surgiu em 1948. Feito de vinil e com 33 rotações por minuto. Mais precisamente 33 1/3. Pode comportar várias faixas e tem duração média de 25 minutos por lado.


No ano seguinte, em 1949, surgiu o Compacto, de 45 rpm, mas com apenas uma música por lado. Com o vinil as gravadoras conseguiram melhorar a qualidade do som, mas era comum que muitos artistas lançassem músicas soltas e o compacto comportava até duas músicas de cada lado.


A Fita cassete surgiu em 1963. Uma Fita magnética dentro de uma cassete plástica, com duração aproximada de até 45 minutos por lado. Ou seja, com capacidade maior do que o disco de vinil. E uma curiosidade, o termo cassete vem do francês que significa pequena caixa. Então, cassete é a caixa que protege que a fita.


Essa mídia se tornou bem popular nos anos 70 e 80 pela praticidade de carregar e armazenar, além de oferecer mais versatilidade na maneira de ouvir música. Inicialmente quem tinha carro podia se beneficiar da fita cassete, mas no comecinho dos anos 80 a Sony lançou o walk-man, um toca-fitas portátil para ouvir músicas com fones-de-ouvidos.


E a fita cassete trouxe também, além da praticidade, um grande problema, a pirataria, porque era muito fácil gravar com elas. Quem é que passou pelos anos 80 e 90 que nunca ficou esperando tocar na rádio uma música que gostava só para apertar o rec da fita cassete? O problema é que o radialista as vezes falava no meio da música. Então, algumas pessoas mandavam cartas, ou ligavam, para pedir música e avisavam: é para gravar. Que aí o radialista não falava nada.

A fita cassete era uma opção alternativa do disco, mas o vinil recuperou seu protagonismo, porque os artistas passaram a priorizar os LPs que ofereciam mais do que uma mídia de música e eram praticamente uma experiência, uma obra de arte desde a capa aos encartes, até a própria concepção do disco em si. Mas mesmo com a popularização do Long Play, os compactos persistiram por bons anos. Uma artista brasileira que lançou muitos desses pequenos discos foi a Gretchen. 


Entre os anos de 1978 e 1985, ela lançou 16 compactos. Em alguns anos ela chegou a lançar quatro compactos. E foi no decorrer dos anos 80 que os artistas passaram a priorizar os LPs, mas os compactos ainda persistiram por um bom tempo.


O Brasil viveu a sua era de ouro nas vendas de discos entre os anos de 1970 e de 1990, esse foi o período em que os vinis dominavam as prateleiras, ou seja, quando a indústria fonográfica atingiu seu auge. E lá no comecinho de 1980, surgiu o compact disc, conhecido pelas suas iniciais CD, foi lançado em 1982, pela Sony. O material do CD é mais curioso, o disco é moldado, basicamente, em plástico, o policarbonato, mas tem também uma camada metálica reflexiva, corante e resina.
Embora muito menor do que um disco de vinil, sua capacidade de áudio é bem maior, em média 80 minutos. E, além de ser mais resistente, se desgasta menos, a leitura do CD é também a mais avançada em relação ao vinil e a fita, é através de leitura óptica, ou seja, laser. Uma das grandes promessas do CD era que a qualidade do som seria superior ao vinil e a fita, pelo menos mais limpo.

Com o tempo, o CD foi se espalhando para outros países e chegou no Brasil em 1986, foi quando começaram as primeiras importações dos disquinhos e de aparelhos tocadores, caríssimos na época. E em 1987, foi inaugurada a primeira fábrica de CDs da América Latina, em Manaus, no Amazonas, pela Sony Music, mas os preços continuaram salgadinhos, não eram para qualquer bolso.


Então, graças ao preço do CD, o disco de vinil continuou com seu protagonismo por mais alguns anos e as fitas cassetes também tiveram seus espaços garantidos. Aliás, os três conviviam harmonicamente, as gravadoras costumavam lançar um álbum em disco, fita e CD. O primeiro a perder espaço foi a fita, depois o disco. Em meados de 1990, as gravadoras deixaram de produzir discos e passaram a comercializar somente CDs. O auge das vendas ocorreu entre 1995 e 2005.

O CD preservou o que já tínhamos com o vinil, e até melhorou em alguns aspectos, o encarte, por exemplo, em formato de livreto, ou um pôster dobrado, e ainda ofereceu mais vantagens como: a qualidade do som que era melhor, riscava menos e os riscos não comprometiam, exatamente, a execução da faixa. Ocupavam menos espaço físico e tinham mais capacidade de áudio. Aliás, as gravadoras começaram a lançar álbuns com muitas faixas. O vinil limitava um disco em 14, e com músicas picotadas. Já os CDs tinham 17, 20... E os aparelhos de som ainda tinham carrosséis que permitiam colocar vários CDs para que quando um acabasse, já começasse outro.


Lembra do walk-man? Pois, passamos a ter disc-man, um tocador portátil. E os toca-fitas dos carros foram substituídos por toca-cds. E além disso, com o surgimento do CD virgem podíamos fazer o mesmo que fazíamos com as fitas, a nossa própria seleção. Somado a isso a popularização da internet, a pirataria ganhou mais força. Foi maior do que na era das fitas.


A pirataria chegou a movimentar mais dinheiro do que as gravadoras. Os CDs piratas custavam até um quinto do valor de um CD original. E para piorar, em 1999, deu-se início ao compartilhamento de arquivos MP3 pela internet através do Napster. Ninguém mais precisava pagar nada para ter um álbum musical, dava para fazer download grátis.

Esse momento foi um grande marco na indústria musical porque, até então, quem tinha vendido muito disco... vendeu. E quem não tinha conseguido ainda... não conseguiria mais. Tivemos algumas exceções, alguns artistas solos e algumas bandas que conseguiram vender muito bem, mas os dez discos mais vendidos no Brasil, tais vendas ocorreram entre 1980 e 2000.


Segundo o site da Abramus, por ordem decrescente, temos em décimo lugar o álbum Xou da Xuxa, lançado em 1986, que atingiu 2.689.000 cópias. Esse disco foi revolucionário na indústria musical porque foi o primeiro a ganhar certificação de diamante. Segundo o produtor Guto Graça Melo, o diretor da Som Livre reclamou que tinham que produzir muito disco de platina para a Xuxa e ele sugeriu que inventassem um disco de diamante, com uma margem de vendas maior.


Em nono lugar: Um Sonhador, de Leandro & Leonardo, lançado em 1998, com 2.732.735 cópias. Cujas vendas foram potencializadas com a morte de Leandro, em junho daquele ano.
Em oitavo lugar: Xegundo Xou da Xuxa, lançado em 1987, com 2.754.000 cópias.

Em sétimo lugar: 4º Xou da Xuxa, lançado em 1989, com 2.920.000 cópias. 
Em sexto lugar: Quatro Estações – O Show, de Sandy & Junior, lançado em 2000, com 3.000.000 cópias. Esse foi o único álbum já dos anos 2000 que entrou para a lista dos discos mais vendidos no país.

Em quinto lugar: Só pra Contrariar, lançado em 1997, com 3.000.000 cópias. Empatou com Sandy e Junior, mas entrou na lista antes deles.
Em quarto lugar: Rádio Pirata ao Vivo, da banda RPM, lançado em 1986, com 3.000.000 cópias. Também a mesma coisa que aconteceu com o Sandy e Junior e Só Pra Contrariar, vendeu o mesmo número de álbuns, mas foi lançado antes.

Em terceiro lugar: Leandro & Leonardo, lançado em 1990, com 3.145.814 cópias. Esse foi o quinto álbum da dupla.
Em segundo lugar: Xou da Xuxa 3, lançado em 1988, com 3.216.000 cópias. O álbum se manteve em primeiro lugar por 10 anos até ser lançado Músicas para Louvar o Senhor, do Padre Marcelo Rossi, em 1998, ocupando o primeiro lugar: com 3.328.468 cópias. Apenas 12.468 cópias a mais do que Xuxa.


Se compararmos essa lista com as informações da Wikipédia, com números mais atualizados, a ordem se altera. Aliás, a relação se altera. Em décimo lugar temos Só pra Contrariar. Em nono lugar: Mamonas Assassinas. Em oitavo lugar: o álbum O Canto da Cidade, de Daniela Mercury. Rádio Pirata cai para a sétima posição. 4º Xou da Xuxa sobe para a sexta e Xou da Xuxa sobe para a quinta. Todos com 3.000.000 de cópias.

A ordem de classificação se dá pelos anos em que foram lançados, os que chegaram antes ocupam as melhores posições.


Depois temos em quarto lugar: Leandro & Leonardo, lançado em 1990. E em terceiro lugar: Xegundo Xou da Xuxa. Ambos com 3.200.000 cópias.

O segundo lugar fica com Músicas para Louvar o Senhor, do Padre Marcelo Rossi, que mantém o mesmo número de vendas. E o primeiro lugar volta ao Xou da Xuxa 3 com 5.000.000 de cópias. Isso é o que eu já falei várias vezes, que esse álbum deve ter recuperado o seu posto de mais vendido porque teve vários relançamentos ao longo dos anos.


Agora, olha que curioso, na soma geral das vendas, a lista muda outra vez. Dentre os dez artistas que mais venderam discos no Brasil, em décimo lugar temos a dupla Milionário & José Rico, com 32 milhões de discos vendidos. Em nono lugar está a dupla Chitãozinho & Xororó, com 35 milhões de discos vendidos. Em oitavo lugar: Nelson Ned, com 45 milhões de discos vendidos.

Depois temos em sétimo lugar: a dupla Tonico & Tinoco. Em sexto lugar: Benito di Paula. E em quinto lugar: a Xuxa. Os três com 50 milhões de discos vendidos.


Em quarto lugar: temos Rita Lee, com 55 milhões de discos vendidos. Em terceiro lugar temos: Angela Maria com 60 milhões de discos vendidos. Em segundo lugar temos Nelson Gonçalves com 75 milhões de discos vendidos. E o primeiro lugar fica com Roberto Carlos, com 120 milhões de discos vendidos.


A partir do ano 2000, com a queda brusca nas vendas de CDs, os artistas começaram a buscar alternativas. O Lobão assumiu uma postura combativa contra as gravadoras, denunciando a falta de transparência na venda de CDs. Ele afirmava que muitas pressões não eram informadas corretamente aos artistas.


Um projeto de lei da deputada Tânia Soares, que tornava obrigatória a numeração sequencial de cada exemplar de CD, DVD e livro, foi apresentado com o objetivo de garantir controle preciso das vendas e melhorar o recebimento de direitos autorais pelos criadores. O projeto enfrentou resistência das gravadoras, mas entrou em vigor em 22 de abril de 2003. O problema, é que durante esse processo, em 2001, surgiu o iTunes e a venda digital de música foi legalizada.


A partir de 2003 já era permitido comprar música via internet. Então, em vez de comprar álbuns físicos, o público passou a comprar faixas individuais. Lembra lá do compacto simples? Pois, voltamos ao período de vendas de músicas soltas.


E em 2006 nasceu o Spotify, que em vez de comprar música, o consumidor passou a pagar pelo acesso. A plataforma oferece uma biblioteca completa. Foi um ano depois que surgiu o Youtube, mas o Youtube demorou um pouco mais para disponibilizar música.


E a Xuxa, olha só, outra vez sendo uma forte influência no mercado fonográfico, porque além dela ter sido a primeira certificada com um disco de diamante, em 2000 ela reinventou a maneira de vender música com o projeto Só Para Baixinhos que disponibilizava um kit com CD e uma fita VHS. Ela foi tão pioneira no negócio que a Som Livre não sabia nem como redigir o contrato. Depois disso, vários outros artistas fizeram o mesmo e as gravadoras começaram a vender DVDs.


Em 2011, a previsão era que o mercado fonográfico global extinguisse as mídias físicas em 2025, mas já em 2010 as lojas de discos que ainda resistiam começaram a fechar suas portas. A Som Livre, que existia basicamente para vender discos das novelas da Globo, decidiu encerrar a produção de mídia física em 2021. As últimas canções lançadas em CDs pela emissora foram Amor de Mãe vol. 2, e Salve-se Quem Puder vol. 1.

Hoje em dia os artistas que lançam ou permitem que sejam lançados seus álbuns em mídias físicas, produzem para fãs e colecionadores em números limitados. Disco de vinil e CD se tornaram cult.

Disco Angélica - 1990


Ao assumir o Clube da Criança, em 1987, Angélica se tornou um dos grandes nomes da indústria fonográfica brasileira. Seus dois primeiros discos, lançados em 1988 e 1989, venderam juntos mais de dois milhões cópias. Com tanto sucesso, a gravadora não seria nem louca em ignorar o terceiro álbum. E não foi.


A CBS planejou iniciar as produção e gravação de mais um álbum de Angélica ainda em 1990, e de acordo com o Jornal do Brasil, a gravadora esperava faturar Cr$ 60,00 por cada cópia vendida, desse montante cerca de 25% ficaria com Angélica.

Fazendo muitas continhas, eu cheguei a conclusão que, se o álbum foi lançado em julho de 1990, esse valor, em relação ao salário mínimo da época, equivale a mais ou menos 19 reais em julho de 2025. Me diga, você, que na época tinha poder aquisitivo para comprar um disco, se esse valor bate, porque eu não tenho a menor ideia. Mas supondo que o disco custaria, em 2025, 19 reais, Angélica receberia quatro reais e vinte e cinco centavos de cada disco vendido.


As contas, eu fiz com referência ao mês de julho porque uma das informações que encontrei diz que o álbum foi lançado no dia 20 de julho de 1990. Mas segundo o jornal Tribuna da Imprensa, no dia 30 de julhos, foi noticiado que o lançamento ocorreria na primeira quinzena de agosto. No dia cinco de agosto, o jornal paulista, A Tribuna, publicou que o álbum seria lançado no fim daquele mês. E no dia 15 de setembro, o jornal Tribuna da Imprensa publicou que o disco tinha sido lançado duas semanas antes da data da publicação.


Ou seja, no comecinho de setembro. Se a data do lançamento não for mesmo a 20 de julho, aí esses valores mudam tudo, porque o salário mínimo que eu usei como referência, em janeiro de 1990 era de Cr$ 1.283,95, mas como a inflação no país era altíssima, o dinheiro se desvalorizava muito rápido, e em dezembro de 1990, o salário mínimo era de Cr$ 8.836,82.


A produção do álbum ficou a cargo de Marco Mazzola, e foi anunciado que o disco teria composições de Cid Guerreiro e da dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas, que compunham para a Xuxa. Angélica também tinha planos de compor, mas não aconteceu nem uma coisa, nem outra. Não tem composições de Cid Guerreiro, nem de Michael Sullivan, nem de Paulo Massadas, e nem de Angélica.

Ela disse que decidiu deixar isso para uma outra oportunidade porque não tinha tempo, então a sua contribuição foi basicamente com a voz. Marco Mazzola é quem fez a seleção do repertório.


A capa... não gosto! Se olharmos o ensaio que foi feito para o álbum, tinha várias outras que ficariam melhores. Olha essas que eu fiz. Mesmo sendo uma montagem muito simples, não dá mais vontade de levar o disco para casa? Bom, eu vou te mostrar agora, faixa por faixa.


A primeira faixa é a música Corpo Humano, de Chico Roque e Paulo Sérgio Valle.

A segunda faixa é Ooh La La (Eu Vou Ganhar Você), de Edgard Poças. Essa foi a segunda música a ser lançada como single e ganhou um vídeo clipe para divulgação. É uma versão de Ooh La La - I Can't Get Over You, gravada pelo trio de adolescentes Perfect Gentlemen.

A terceira faixa é Me Dá Um Beijinho, de Carlos Pedro e Ed Wilson. Essa foi a primeira música a ser lançada como single e ganhou um videoclipe. A música teve três versões, uma com a participação do grupo Kaoma, que foi um fenômeno mundial, não há quem tenha vivido na época que não conheça a música Chorando Se Foi. Tocou muito em vários países e ganhou várias versões em outros idiomas.

A segunda versão de Me Dá Um Beijinho tem só a voz de Angélica para que ela usasse quando se apresentava nos programas de TV. E a terceira versão é em espanhol. No ano de 1990, havia planos para que Angélica lançasse um álbum em inglês e outro em espanhol, ela chegou a apresentar algumas músicas em espanhol no Clube da Criança, mas o projeto não foi para frente.

E apesar de todo o sucesso da Lambada e do grupo Kaoma, Angélica não queria essa música no disco. Ela acreditava que a lambada seria uma moda passageira, mas foi convencida a fez mudar de ideia. Ou seja, a sua única participação na produção do disco foi tentar retirar uma das faixas que fez mais sucesso. Mas, uma vez convencida, ela até fez aulas de lambada para performar a canção. 

A quarta faixa é Mágica no Ar, de Cláudio Rabello e  Torcuato Mariano.
A quinta faixa, fechando o lado A do disco, é Bons Momentos, de Ricardo Leão e Victor Chicri.


A primeira faixa do lado B do disco é, Boa Tarde, Meu Amor, de Cláudio Rabello. É uma versão de Mi Generación, do grupo espanhol Los Rebeldes.

A segunda faixa é C'est La Vie, de Edgard Poças. Foi a terceira canção a ser lançada como single. É uma versão da original gravada pelo cantor francês Marc Lavoine.

A terceira faixa é Bye Que Bye Bye Bye, de Cláudio Rabello. É uma versão de Light My Fire", do grupo The Doors, e é reconhecida como um dos primeiros exemplos de rock psicodélico.

A quarta faixa é Viajei no Som, de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos.

E fechando o álbum, tem a música Coisa Aventureira, de Eduardo Souto Neto e Nelson Wellington.

Comparado com os dois álbuns anteriores, esse vendeu menos. Na época, a Angélica fazia parte da trindade das grandes apresentadoras infantis, e diferente de suas colegas, Xuxa e Mara, que foram crescendo nas vendas em cada álbum que lançavam, ela foi caindo. E assim como a data de lançamento, os números de vendas também entram em conflito com as informações disponíveis.


De acordo com o jornal Tribuna da Imprensa, a tiragem inicial do álbum foi de 250 mil cópias. No entanto, o Diário de Pernambuco publicou que o álbum saiu com 500 mil cópias vendidas antecipadamente. Ou seja, o álbum já saiu com a certificação de disco duplo de platina. Mas, as informações na internet dizem que a ABPD, Associação Brasileira dos Produtores de Discos, certificou o álbum com um disco de ouro.


Agora, levando em consideração a continha dos valores atualizados, em 2025, com a venda das 500 mil cópias, Angélica embolsaria dois milhões e cento e vinte e cinco mil reais. Tá bom, né?

Mamonas Assassinas - 30 anos


O grupo Mamonas Assassinas foi uma reformulação da banda Utopia, existente desde 1989. Em 1992, os cinco rapazes conheceram o produtor Rick Bonadio e em seu estúdio gravaram o primeiro e único vinil Utopia, composto por 6 canções. No entanto, das mil cópias produzidas, apenas cem foram vendidas. Rick Bonadio disse algumas vezes que as músicas, muito sérias e pesadas, não combinavam com eles que eram cheios de vida, jovens. E os próprios rapazes começaram a perceber que as brincadeiras e canções de paródia que faziam nos ensaios para se divertirem eram mais bem recebidas pelo público do que suas próprias canções.

Durante uma madrugada do mês de outubro de 1994, eles gravaram uma fita demo com duas canções, Mina (Minha Pitchulinha) e Robocop Gay, que segundo o produtor Rodrigo Castanho, boa parte das letras foram criadas naquele momento. A canção Robocop Gay, tinha sido feita setembro de 1994 sob encomenda para um showmício, mas parecia incompleta e Dinho escreveu as estrofes finais em poucos minutos.


Na manhã seguinte, Rodrigo Castanho apresentou a fita a Rick Bonadio que gostou do material e sugeriu algumas alterações, tanto nas músicas, quanto no grupo. Disse que a mudança de perfil deveria ser completa, a começar pelo nome. E os nomes sugeridos pelos próprios músicos foram: Um Rapá da Zé, Tangas Vermelhas, Coraçõezinhos Apertados e Os Cangaceiros de Teu Pai. Por fim, o baixista Samuel sugeriu Mamonas Assassinas do Espaço, que foi reduzido para Mamonas Assassinas.


Outro detalhe sugerido por Rick Bonadio, é que a música Mina fosse mais rock e menos brega. Em abril de 1995, o grupo enviou uma fita demo com as três canções Mina renomeada de Pelados em Santos, Robocop Gay e Vira-Vira, para três gravadoras, entre elas Sony Music e EMI. Rafael Ramos, baterista da banda Baba Cósmica e filho do diretor artístico da EMI, João Augusto Soares, dava dicas para o pai sobre bandas novas que enviavam suas canções para a gravadora e gostou tanto da sonoridade da banda que insistiu na contratação dos rapazes.

João Augusto Soares só assinou com eles depois de assistir um show da banda na boate Lua Nua, em Guarulhos, São Paulo. Mas disse que a gravadora queria pelo menos 10 canções para o álbum. Eles disseram que já tinham sete e que em uma semana poderiam compor as demais, mas na verdade eles só tinham as três da fita demo, e em uma semana, eles conseguiram compor outras 12.


Foram cinco a mais do que a gravadora tinha pedido, mas uma ficou de fora. A canção Não Peide Aqui Baby, uma paródia de Twist and Shout, do grupo The Beatles não entrou para o álbum devido o excesso de palavras de baixo calão. Mas ouvindo a música, eu acho que tem coisa pior que entrou no disco.

Com as outras aprovadas, em embarcaram para Los Angeles, nos Estados Unidos, para gravar o disco que foi lançado no dia 23 de junho de 1995. Com uma ajudinha da 89 FM - A Rádio Rock, que tocou Vira-Vira já no dia seguinte ao lançamento do álbum, Mamonas Assassinas teve disco de estreia que mais vendeu no Brasil. É também o álbum mais vendido em um único dia, chegou a vender 50.000 cópias por dia. Ou seja, a cada dois dias ganhava a certificação de disco de ouro na época.


Em menos de 100 dias, o álbum alcançou a marca de 1 milhão de cópias, e dobrou esse número até dezembro de 1995, somando 2 milhões de cópias vendidas em apenas seis meses. O disco passou da marca dos três milhões de cópias.

Com a exceção de Sabão Crá-Crá e Sábado de Sol, todas as faixas foram compostas pela própria banda, principalmente por Dinho e Júlio Rasec. Dinho tinha declarado que todas as citações eram homenagens aos artistas que eles ouviram durante toda a vida. O álbum todo tem muitas referências.

1406

A primeira faixa é a música 1406, que ser pronuncia Catorze Zero Meia. É uma referência a um número de telefone de compras de São Paulo, o 011 1406, que pertencia a um conhecido canal de televendas na primeira metade dos anos 1990, o Grupo Imagem, que mantinha comerciais na Rede Manchete. Na letra, foram citados produtos como as Facas Ginsu, vendidas pelo canal.


Há também uma referência à canção Laika nóis laika (mas money que é good nóis não have), da dupla Ponto & Vírgula.

Vira-vira

A segunda faixa é Vira-vira. É uma sátira do vira, gênero musical português, especificamente da música O Vira, de Roberto Leal.


Mas a letra é inspirada na piada A Maria e o Português, contada pelo humorista Costinha no seu álbum O Peru da Festa Vol. 2, que conta a história de um casal de portugueses que foram a uma suruba.

Pelados em Santos

A terceira faixa é Pelados em Santos. Segundo Dinho, esta foi a primeira música composta por ele, ainda em 1991. Ela fora regravada em espanhol com o nome Desnudos en Cancún. A versão em português foi regravada pelos também paulistas Titãs no álbum As Dez Mais, de 1999.

Chopis Centis

A quarta faixa é Chopis Centis. É uma parodia o riff inicial de Should I Stay or Should I Go, da banda punk inglesa The Clash. Ela virou o tema de abertura da sitcom Partiu Shopping, com Tom Cavalcante, no canal Multishow.

Jumento Celestino

A quinta faixa é Jumento Celestino. Foi uma das primeiras canções que o grupo gravou. No início da canção, há uma referência a música Rock do Jegue de Genival Lacerda.

Sabão Crá-Crá

A sexta faixa é Sabão Crá-Crá. É uma das duas únicas canções do álbum que não são de autoria do próprio grupo, aliás, a autoria é desconhecida. Seu ritmo melódico tem uma incrível similaridade com a principal frase do primeiro movimento da terceira sinfonia de Beethoven. A música fez parte da trilha sonora da segunda temporada de Malhação, exibida em 1996.

Uma Arlinda Mulher

A sétima faixa é Uma Arlinda Mulher. É uma paródia de músicas românticas de linguagem rebuscada, como Belchior costuma fazer, que, aliás, o tecladista Júlio Rasec imita no segundo refrão. E o título se refere ao filme Uma Linda Mulher, um clássico da Sessão da Tarde. O Creuzebéck que Dinho fala que está baixando o volume da música, é o Rick Bonadio.

Outro detalhe dessa faixa, é que a estrutura musical, faz alusão a duas canções da banda Radiohead, Fake Plastic Trees, e Creep, antes do refrão.

Cabeça de Bagre II

A oitava faixa é Cabeça de Bagre II. Foi baseada na experiência do vocalista Dinho na quinta série primária. Já a letra, a forma falada de cantar e os vocais repetidos no fim de algumas palavras, além do título da canção, é uma paródia de Cabeça Dinossauro, dos Titãs.


E, não precisava nem falar, mas é bom deixar o registro que um dos solos de guitarra é uma referência à risada do Pica-Pau, outra referência é ao Baby Elephant Walk, O Passo do Elefantinho, de Henry Mancini.

Mundo Animal

A nona faixa é Mundo Animal. Na parte final da canção é possível perceber uma referência a um trecho de Toda Forma de Amor, de Lulu Santos.

Robocop Gay

A décima faixa é Robocop Gay. A música é uma homenagem ao personagem de Jô Soares, o Capitão Gay, com ligação ao personagem do ator Peter Weller, o Robocop. Dinho faz imitações da interpretação de Eduardo Dussek na canção Barrados no Baile. Por isso, também foram incluídas algumas rimas que fazem referência a música do cantor.


Nas apresentações ao vivo a banda inseria o Melô do Piripiri, a introdução de Je Suis la Femme, da Gretchen.

Bois Don't Cry

A décima primeira faixa é Bois Don't Cry. Aqui as paródias abordam a música Boys Don't Cry, da banda The Cure, mas só no título mesmo, porque o grupo brinca com as músicas sertanejas, e com a forma de cantar de Waldick Soriano. E inseriam um trecho da música Tom Sawyer, do Rush, da música The Mirror, do Dream Theater. E há quem diga que o finalzinho da música é uma referência ao filme Contatos Imediatos de Terceiro Grau.


Sou corno, mas sou feliz é uma referência a piada musicada por Juca Chaves intitulada Sou Sim e Daí, no seu álbum Ao Vivo, de 1972. Outro detalhe, é que o João do Caminhão, mencionado na letra, faz referência ao personagem de Humberto Martins na novela Barriga de Aluguel, que era caminhoneiro.

Débil Metal

A décima segunda faixa é Débil Metal. A letra são basicamente frases desconexas em inglês. É como algumas bandas brasileiras faziam música nos anos 70, já que quase ninguém falava ou entendia inglês. A Gretchen surgiu nessa fase. O nome é um trocadilho com heavy metal e Dinho interpreta num estilo que lembra bastante o vocalista Max Cavalera, líder do Sepultura.

Sábado de Sol

A décima terceira faixa é Sábado de Sol. É  a outra música que não é de autoria dos Mamonas, foi composta pelos três membros da banda Baba Cósmica.

Lá Vem o Alemão

A décima quarta faixa, a última, é Lá Vem o Alemão. É uma paródia do pagode Lá Vem o Negão, do grupo Cravo e Canela, que fez muito sucesso na época. Mas Dinho satiriza os estilos vocais dos cantores Luiz Carlos, do grupo Raça Negra e do Netinho de Paula, do Negritude Júnior, que participam da música. Além deles, os membros do Art Popular também.


Segundo Dinho, esta foi a música que deu mais trabalho para fazer, porque eles não sabiam tocar pagode, e por isso tiveram que pedir ajuda aos pagodeiros.

A ilustração da capa, feita por Carlos Sá, segundo a modelo Mari Alexandre, Dinho lhe disse que a inspiração tinha sido sua Playboy de 1992. O logotipo da banda é uma inversão do logotipo da marca automobilística alemã Volkswagen. 


Apesar das letras politicamente incorretas, o grupo fez um tremendo sucesso entre o público infantil. Na verdade, nos anos 90 as crianças não tinham boas referências, os artistas que mais faziam sucesso e que viravam trilhas de festas infantis eram o Tiririca, ET & Rodolfo, É o Tchan, Tiazinha... que tinham letras de duplo sentido, ou eram faziam performances muito sensuais.
O álbum dos Mamonas Assassinas chegou a ser proibido de tocar nas rádios por um diretor da Radiobrás porque as letras eram indecentes demais. No entanto, a determinação foi retirada por ordem da presidência da empresa e o diretor foi demitido.