Vamos relembrar a cronologia e os modelos de todas as naves que Xuxa usou ao longo dos anos, mas antes de relembrar as naves oficiais, vamos rever alguns protótipos que foram criados para publicidades.
Em 2020, depois de 20 anos sem pisar no Chile, Xuxa viajou até o país para gravar uma publicidade para o serviço de telefonia móvel da empresa WOM. Ela apareceu caracterizada de xuquinha no cabelo, cantando uma paródia de Chindolele com Paquitas e a sua nave que tinha o clássico aspecto dos discos voadores.
Em agosto de 2022, foi a vez de Xuxa estrear um comercial com a nave no Brasil. Foi para a promoção 9.9 da Shopee com a presença de Paquitas e uma paródia de Ilariê. A nave era bem diferente de qualquer versão usada por ela.
Em 2023, Xuxa ganhou outro modelo de nave para a campanha de vacinação do governo federal que em nada se assemelha com as versões utilizadas por ela em seus programas de televisão. Mas, outra vez, a estética pouco importa, é a nave e é a Xuxa.
Quando Xuxa migrou da Rede Manchete para a TV Globo ela ganhou um infantil diário com o seu nome, o Xou da Xuxa, mas não gostou do cenário que criaram e depois de gravar os episódios que seriam da primeira semana do programa, pediu para refazer tudo e gravou novos pilotos.
Nesse novo cenário, pediu apenas um sol para dizer bom dia, um beijo no chão para simbolizar o seu beijinho beijinho que, aliás, depois da nave é a sua marca mais forte e pediu também uma nave espacial porque quando era criança assistiia o programa do Capitão Aza, um infantil local do Rio de Janeiro sob o comando do ator e delegado Wilson Vianna que tinha uma nave, e ela achava muito legal a ideia e queria uma também.
Era toda rosa e na linha do meio, nas dobras, tinham linhas verticais de luzes que piscavam e as janelinhas eram circulares. Foi com essa nave que a Xuxa aterrissou pela primeira vez no Xou.
Ela parecia ter saído de um desenho animado ou de um gibi, inclusive no encarte do LP Xou da Xuxa tem um desenho da Xuxa dentro da nave na música Amiguinha Xuxa e outro dela sentada em cima, na parte posterior do encarte, o que reforçava essa conexão com o universo imaginário das histórias em quadrinhos e desenhos animados.
Em 1987 o cenário teve algumas alterações, o sol, por exemplo, ganhou bigode, e a nave mudou totalmente. As dobras no meio receberam linhas verticais com cores alternadas em vermelho e amarelo com luzes, além de um linha horizontal de luzes sobre as dobras, e o tamanho era praticamente o dobro da versão anterior.
Xuxa pediu para que seu veículo ficasse mais Penélope Charmosa, ou seja, assim como o automóvel dessa personagem que era todo charmoso tal como a própria, fazia sentido que a nave ficasse mais a cara da dona, e assim ela ganhou bocas nos lugares das janelas e cores mais vibrantes.
Em 1988 teve novas alterações no cenário, mas a nave ficou intacta, era a mesma do ano anterior. Aliás, o cenário mudava todo ano, mas desde 1986 até 1988 essa mudança era relativamente sutil, tinha o sol gigante de um lado, a nave do outro, e alguns detalhes que eram trocados.
Foi no ano de 1988 que construiram pela primeira vez uma réplica da nave para a turnê da Xuxa. A versão utilizada se abria ao meio, diferente do que acontecia no programa que abria só a porta. Imagino que tenha sido a saída encontrada para levar esse icônico elemento do universo da Xuxa para os palcos que pudesse ser montado de forma mais prática porque carregar não era exatamente um problema, já que seu tamanho era similar a versão das gravações para a TV.
Em 1989, João Cardoso, saudoso, assumiu a cenografia e fez grandes alterações. A nave ganhou mais destaque, foi para o centro do cenário e teve alguns detalhes acrescentados. A parte de cima, a luz do topo, ficou mais colorida, as bocas ganharam um contorno de luz, colocaram um linha horizontal de luz na parte de baixo das dobras também, e o fundo interno virou um arco-íris.
Até esse ano a nave ficava envolta em nuvens para passar a ilusão de que ela não aterrisava, por isso existia uma escada com as cores do arco-íris que era o único acesso a ela.
Em 1990 o cenário era uma floresta, e a nave pousava numa montanha verde, florida, mantendo a escada de arco-íris. O modelo se manteve igual ao do ano anterior, mas com um detalhe que provocou uma grande mudança, ela ganhou um lacinho em cima da porta. A grande mudança não está só nesse lacinho, ele foi colocado devido uma grande evolução técnica. Até o ano interior a porta abria sendo puxada para cima por um cabo do lado de fora e como nossa televisão não tinha uma boa resolução de imagem esse cabo passava desapercebido.
O lacinho servia para esconder um mecanismo instalado para abrir a porta automaticamente, ou seja, foi uma saída genial para manter a estética da nave.
Em 1991, o cenário era uma coisa futurista, meio espacial. A nave novamente não chegava até o solo, mas a escada de arco-íris foi eliminada e Xuxa ganhou um elevador para descer quando chegava e subir na hora de entrar na nave outra vez que teve, como única alteração, o lacinho do topo da porta em outra cor, ficou prateado para combinar com o tema do cenário.
Essa nave ganhou uma réplica feita pelo SBT em agosto de 2015 quado o programa Máquina da Fama fez uma homenagem a Xuxa. Na ocasião, Patricia Abravanel fez o papel da rainha dos baixinhos e a nave ficou por lá no depósito da emissora, mas foi descaracterizada. Em 2019 foi usada por Mara para marcar seu retorno ao programa Fofocalizando, o modelo apresentava novas linhas e cores e não tinha mais as bocas. Porém, em 2025 ela foi restaurada para outra homenagem a Xuxa que foi pessoalmente e fez a sua entrada triunfal.
E foi também nesse ano, em 1991, que Xuxa estreou na Argentina o El Show de Xuxa, na emissora Telefe. O cenário tinha elementos do que havia sido usado no programa do Brasil no ano anterior e a nave seguia o mesmo modelo do Brasil, a única diferença notável era o fundo interno que não tinha o grande X com as cores do arco-íris ao seu redor, a parede era em cor neutra.
Há quem diga que o fundo é meio estranho, tem um remendo visível, porque esse o modelo era o mesmo que Xuxa usava nas turnês e que tinha sido reformada para o programa. Mas essa teoria não faz sentido porque naquele mesmo ano Xuxa fez uma turnê com aquela nave que se abria ao meio até o fim do ano e o programa na Argentina estreou em maio.
Em 1992 foi promovida a grande alteração na nave do Xou da Xuxa. Dessa vez pousava completamente em uma superfície de fácil acesso a quaquer pessoa. Obviamente tinha que ficar em um plano elevado para esconder o mecanismo do elevador, isso foi disfarçado nos níveis do cenário que possibilitou a volta da escada, mas sem arco-íris. A cor rosa foi trocada pelo branco, inclusive as linhas verticais em vermelho e amarelo nas dobras horizontais no meio foram abolidas e ficaram brancas também.
As bocas foram substituidas pela letra X com contorno rosa e as janelas laterais passaram a ser vazadas. A nave toda ficou ficou iluminada, tem luz em todo o seu corpo, inclusive na porta e o lacinho foi eliminado porque o mecanismo que abria a porta foi transferido para a parte interna. Há quem diga que essa alteração fez com que a abertura ocorrosse mais lentamente do que antes.
Em 1992 foi o segundo ano do El Show de Xuxa, o cenário na Argentina ganhou os detalhes futuristas que foi utilizado no Brasil em 1991 e a nave, apesar de rosa, teve as bocas trocadas por X também, no entanto, fechados, não eram vazados. E o fundo ficou super hiper mega colorido como foi no Brasil nos anos anteriores. Um detalhe da nave do Xou na Argentina, é que ela não se movia, não subia, logo, não descia.
Em 1993 o programa da Xuxa no Brasil era dominical e direcionado para toda a família, não havia nave. Nesse ano ela estava gravando programas diários nos Estados Unidos, além de continuar diariamente também na Argentina onde trocou a emissora Telefe pelo Canal 13, foi o último ano dessa desgastante investida no exterior. O cenário na versão em espanhol do Xou teve, pela primeira vez, uma criação exclusiva, mas a nave era o mesmo modelo usado no Brasil em 92, a branca com janelas de X vazados.
Depois disso Xuxa só voltou a usar a nave em 1996, que foi para o especial de 10 anos dela na Globo, e talvez a Marlene Matos tenha se dado conta que Xuxa e nave espacial fazem parte uma da outra, é como se a existência de uma dependesse da outra e então, em 1997, eis que a rainha dos baixinhos desce de uma nave no Xuxa Park. Uma versão diferente de todas as que ela já tinha usado, mas incrivelmente linda, apaixonante. Era como que uma nave de exploração que saia da nave mãe, aquela nave do Xou, no caso.
Essa mesma versão de nave foi usada nos anos seguintes, em 1998 e 1999. Nesses anos teve troca de cenário, mas o modelo do veículo da rainha dos baixinhos se manteve o mesmo até as gravações do Xuxa Park serem transferidas para os Estúdios Globo, porque até então eram feitas no Teatro Fenix. A partir de outubro de 1999, o Xuxa Park sofreu outra reformulação e a nave passou a sair do chão, ao invés de descer como sempre fez.
Eu acredito que essa alteração tenha sido para adaptar o cenário ao estúdio que, talvez, não oferecesse as mesmas condições do Teatro Fênix. Por exemplo, para que os presentes no estúdio não vissem o momento em que Xuxa entrava na nave para começar o programa, tinha uma cortina que era aberta só na hora do início da gravação. Ou seja, o encanto, a magia de ver a Xuxa descendo da nave acontecia ao vivo também.
Quando as gravações mudaram para os Estúdios Globo a nave ficou dentro de uma cúpula, o que fazia desnecessário o uso da cortina porque a nave já ficava escondia, a estrutura só se abria na hora da Xuxa entrar em cena, e a nave não descia, subia. Essa inversão do movimento foi ilustrada na vinheta de abertura, era como se o cenário do programa fosse dentro de uma nave, ou como se o parque estivesse em um plano muito elevado, no espaço, talvez.
A nova nave do Xuxa Park se parecia com um peixe, era toda amarela e quando se abria as portas formavam duas asas, ou nadadeiras. E a cúpula que cobria a nave poderia ser uma representação de um aquário porque os anos 2000 era o novo milênio, o início de uma nova era, inclusive a música que Xuxa cantava ao sair da nave era Aquarius, tema do músical Hair. Lembremos que nos três primeiros anos o cenário do programa era composto por cristais, fontes de água, jatos de fogo e a apresentadora aparecia no palco dentro de uma pirâmide em 1995 e 1996.
Anos depois do fim do Xuxa Park, na estreia do TV Xuxa, em 2005, a nave voltou em formato virtual, tinha um aspecto muito alienígena e Xuxa descia num feixe de luz. O decepcionante é que a cena fazia parte da abertura, ou seja, era o mesmo vídeo todos os dias, mas eu achei a ideia genial.
Em 2006 teve o especial de 20 anos de Xuxa na Globo e construíram uma nave para ela que era uma mescla da primeira com características das que vieram depois. Quanto ao cenário do TV Xuxa, o ambiente foi levado para dentro da nave, o que era uma ideia legal, mas era como se não houvesse nada. E nos anos seguintes não teve nenhuma menção a nave.
Depois disso, passados 10 anos, a nave branca com janelas de X reapareceu, ganhou uma réplica para o show da Xuxa no projeto XuChá, do Chá da Alice, em 2016. No lugar das pequenas lâmpadas luminosas tinha linhas de neon, mas depois ganhou a iluminação fiel a sua versão original para a turnê de 2017 e foi utilizada duas vezes na primeira temporada do Dancing Brasil na Record, também em 2017, além de uma vez no Prêmio MultiShow em dezembro de 2021, no canal MultiShow, e duas vezes nos cruzeiros da Xuxa, a primeira vez em 2023 e a segunda em 2024.
No final de julho de 2026, Xuxa estreou a turnê O Último Voo da Nave apresentando pela primeira vez um modelo em 360º e duas vezes maior do que a versão que era usada nas gravações do Xou da Xuxa e com elementos mesclados das naves usadas nos programas. De cor toda rosa, com boca na porta e X nas janelas, porém, vedadas, e com luzes em todas as paredes tal como era a versão branca de 1992.
Na verdade a nave usada na turnê é mais do que o dobro do modelo que era usado no Xou da Xuxa porque no programa ela era só a metade, a parte de trás era uma parede chapada onde existia uma porta por onde Xuxa entrava no início do programa e saia no final. Nem sempre ela subiu e desceu com a nave, principalmente na época em que tinha que gravar muitos programas em cada dia de gravação, ela entrava quando a nave já tinha aterrisado e saia antes dela decolar. Ou seja, entrava por uma porta e saia por outra e a nave descia e subia vazia.
Xuxa começou a falar da turnê O Último Voo da Nave em 2022, quando o seu documentário estava sendo produzido. Eu pensei que esse show, pelo menos a estreia, seria o tema do último episódio da série, isso seria fechar o documentário com chave de ouro, mas não deu tempo. Ou seja, foram pelo menos quatro anos de desenvolvimento do show até a turnê começar oficialmente. E desde a volta da nave até a despedida dela se passaram 10 anos.
A nave sobrevoou a plateia, coisa que nunca tinha acontecido antes, mas não aterrisou e se manteve com a porta fechada o tempo todo. Xuxa saiu por baixo em um feixe de luz, talvez em uma forma muito inteligente de contorar a impossibilidade da porta se abrir ou em uma referência a abertura do TV Xuxa de 1995.
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