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Muito Além do Cidadão Kane

No começo dos anos 90 quando a Globo se gabava por ter seu sinal sintonizado em 7 de cada 10 televisores ligados, uma emissora de televisão e uma produtora do Reino Unido fizeram um documentário sobre sua influência na política e na formação de opinião no Brasil e, adivinha... Roberto Marinho tentou impedir que o material fosse ao ar, mas foi, e mais, distribuíram para todo o mundo e hoje está no Youtube.

O documentário foi produzido pelo Channel 4, do Reino Unido, em parceria com a produtora independente Large Door, com o título: Muito Além do Cidadão Kane. Foi transmitido no Reino Unido em setembro de 1993, com a Globo tentando impedir a transmissão com apelos a justiça britânica, alegando uso não autorizado de suas imagens. Conseguiu atrasar a transmissão, mas impedir não. O Channel 4 precisou adiar a estreia por cerca de um ano até vencer a disputa com base no direito de uso para fins de crítica.

A Globo tentou adquirir o material, provavelmente para engaveta-lo, mas o mesmo foi distribuido en fitas VHS a preço de custo, ajudando o documentário a chegar ilegalmente ao Brasil. A Record pagou 20 mil dólares na época, mas nunca exibiu o conteúdo.

E por que esse título, quem é o cidadão Kane? Charles Foster Kane é um personagem de um filme que explora sua ascensão e queda. Ele nasce pobre, mas herda uma grande fortuna ainda na infância e quando adulto assume o controle de um pequeno jornal e o transforma em um império de comunicação que o permite manipular informações e usa o sensacionalismo para moldar a opinião pública e buscar poderes políticos. Apesar de ser uma ficção, a história foi baseada na vida do bilionário William Randolph Hearst que não gostou nada do que viu e tentou destruir o filme.

Então, o documentário britânico, Muito Além do Cidadão Kane, faz alusão a ele para comparar o poder de influência que Roberto Marinho, o fundador da Rede Globo, tinha na época. E a história é bem parecida, pois, o Roberto Marinho construiu um império midiático por meio de manipulação, exerceu grande influência na política e assim como o verdadeiro milionário em quem o filme foi inspirado, tentou impedir a veiculação do documentário sobre ele.

O Roberto Marinho nasceu em 1904, e quando fundou a Globo já tinha 61 anos. Na época do lançamento do documentário a emissora era a quarta maior TV do mundo, hoje é a segunda, fica atrás somente da ABC dos Estados Unidos. Desde o início de Muito Além do Cidadão Kane as críticas são bem pesadas e atingem todas as esferas brasileiras, sobretudo a enorme desigualdade social do nosso país. Um exemplo eram as mensagens de otimismo e fé que Xuxa passava todo dia em seu programa, enquanto a maioria da população vivia na miséria.

O documentário fala sobre a imigração no Brasil, dos diversos povos que se instalaram no país. Aborda a taxa de analfabetismo que estava em 25% da população... Hoje em dia, em 2026, essa taxa é de 4,9%. Entra no tema da concorrência das emissoras que, apesar de existir mais de 200 em todo o país, só a Band, Manchete e SBT faziam frente à Globo  que dominava totalmente a audiência e já produzia 95% do conteúdo apresentado no horário nobre.

Nessa parte o documentário fala sobre a distribuição dos canais que o governo fazia diretamente para seus amigos, que a Globo cancelou o programa do Chacrinha por 10 anos porque era muito anárquico para a ditadura e entra no espetáculo de domingo com a guerra de audiência e faz duras críticas, a mais leve é chamar as Olimpíadas do Faustão de bobocas. Uma das críticas foi sobre o Silvio Santos enriquecer com o prejuízo dos clientes do Baú da Felicidade que não conseguiam pagar todas as prestações do carnê.

As pessoas que estavam com as prestações em dia podiam ganhar uma casa no sorteio do programa e se completassem as 12 parcelas e não fossem sorteadas para ir brincar na televisão, recebiam o dinheiro investido em mercadorias das lojas do baú. Mas se interrompessem as prestações, perdiam todo o dinheiro investido. Fora iso, teve o fato de algumas vezes Silvio não realizar o sonho das pessoas que iam na Porta da Esperança só pela audiência, para continuar a história em outro episódio. E o Fantástico que era muito mais show do que notícias também teve seu momento de críticas.

Nem a publicidade escapou. Agências brasileiras ganharam prêmios internacionais, os comerciais eram de altíssima qualidade, mas grande parte do público, a maioria, consumia só imagens porque não tinha poder aquisitivo para comprar os produtos, ou fazer uso dos serviços anunciados na televisão.

Boa parte do documentário aborda a ditadura militar iniciada em 1964. A Globo entrou no ar um ano depois como televisão, mas já existia como jornal impresso e Roberto Marinho deu total apoio ao golpe, então os generais gostavam dele. Mas mesmo com o investimento de uma empresa estrangeira, o que não é permitido no Brasil, a emissora foi super mal nos primeiros 8 meses e conseguiu chamar bastante atenção do público cobrindo ao vivo uma enchente no Rio de Janeiro.

Na segunda parte do documentário é abordada a influência da ditadura e o apoio da Globo de forma escancarada. Por exemplo, se a ditadura proibisse algumas músicas de alguns cantores, esses cantores eram proibidos de pisar na Globo. E essa fase foi tão absurda que não se limitou as torturas, foi além, teve luta armada e atentados, inclusive das próprias forças armadas, em um dos atos eles colocaram bombas em um grande evento para culpar os militantes de esquerda, mas os artefatos explodiram na hora errada e feriram os próprios terroristas.

A ditadura impedia qualquer notícia que falasse mal do governo ou que expusesse os problemas do país, então a Globo contribuiu com as novelas, maquiando a pobreza, encobrindo a realidade com o lúdico de suas produções. E o documentário explica porque as concessões da Tupi foram dadas para a Manchete e para o SBT, a razão é bem simples,  eles não representavam ameaças ao governo, já o Grupo Abril que estava na disputa, como tinha feito algumas matérias criticando a ditadura na revista Veja, poderia usar a televisão para fazer campanha contra o regime ditatorial e ficou de fora.

A Globo não contava somente com o canal de televisão, além do jornal impresso, tinha a Editora Globo, Globo Vídeo e a Som Livre onde apenas a Xuxa era responsável por 30% do lucro, e os outros 70% eram a soma de vários álbuns musicais, incluindo os das novelas.

A terceira parte começa expondo que a Globo não se posiciona de direita ou esquerda, ela apoia quem acha que vai ganhar a eleição, ou quem já está no poder, e é bem volátil, se o governo perder o apoio da população ela também passa a ataca-lo. Ou seja, a emissora se adapta ao momento sem se preocupar se está fazendo bem ou não, a única preocupação é a sua sobrevivência.

A Globo obedecia fielmente as instruções da ditadura, mas em muitas ocasiões ela agiu por conta própria. As notícias apresentadas no Jornal Nacional eram distorcidas, por exemplo, anunciavam a taxa de inflação, mas a associavam com o lucro na caderneta de poupança. Outra forma de manipulação era, ou continua sendo, apresentar uma notícia feliz e alegre, logo depois de uma notícia ruim para que o telespectador não tenha tempo de assimilar o lado negativo da realidade.

A última parte do documentário aborda as vezes em que a Globo tentou, e conseguiu em algumas ocasiões, intervir diretamente nas eleições. O plano falho foi quando tentaram persuadir a população que Leonel Brizola perderia a eleição para governador do Rio de Janeiro e divulgaram pesquisas falsas, mas os eleitores não acreditaram e o elegeram assim mesmo. E a história bem-sucedida foi a manipulação do público através da edição do último debate entre Color e Lula e da pesquisa que dava vitória ao candidato que apoiavam.

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Os discos e os artistas que mais venderam no Brasil


A mídia musical que deu o ponta pé para o hábito de consumirmos música em casa aconteceu entre 1890 e 1900. Chamava-se Fonoautógrafo, ou Fonógrafo. Tratava-se de um cilindro de cera de 10 a 12 centímetros e meio de altura, por três centímetros e meio, a quatro, de diâmetro. Essa era a medida padrão, mas podia variar de tamanho. Pesava entre 50 a 100 gramas e tinha capacidade de 2 a 4 minutos de som.


Entre os anos de 1920 e 1940, surgiram os Discos de 78 rotações por minuto. Eram feitos de goma-laca, uma espécie de resina, e tinha capacidade de três a cinco minutos de áudio em cada lado. Ou seja, uma música basicamente para cada lado.


O Long Play, que ficou conhecido como LP, surgiu em 1948. Feito de vinil e com 33 rotações por minuto. Mais precisamente 33 1/3. Pode comportar várias faixas e tem duração média de 25 minutos por lado.


No ano seguinte, em 1949, surgiu o Compacto, de 45 rpm, mas com apenas uma música por lado. Com o vinil as gravadoras conseguiram melhorar a qualidade do som, mas era comum que muitos artistas lançassem músicas soltas e o compacto comportava até duas músicas de cada lado.


A Fita cassete surgiu em 1963. Uma Fita magnética dentro de uma cassete plástica, com duração aproximada de até 45 minutos por lado. Ou seja, com capacidade maior do que o disco de vinil. E uma curiosidade, o termo cassete vem do francês que significa pequena caixa. Então, cassete é a caixa que protege que a fita.


Essa mídia se tornou bem popular nos anos 70 e 80 pela praticidade de carregar e armazenar, além de oferecer mais versatilidade na maneira de ouvir música. Inicialmente quem tinha carro podia se beneficiar da fita cassete, mas no comecinho dos anos 80 a Sony lançou o walk-man, um toca-fitas portátil para ouvir músicas com fones-de-ouvidos.


E a fita cassete trouxe também, além da praticidade, um grande problema, a pirataria, porque era muito fácil gravar com elas. Quem é que passou pelos anos 80 e 90 que nunca ficou esperando tocar na rádio uma música que gostava só para apertar o rec da fita cassete? O problema é que o radialista as vezes falava no meio da música. Então, algumas pessoas mandavam cartas, ou ligavam, para pedir música e avisavam: é para gravar. Que aí o radialista não falava nada.

A fita cassete era uma opção alternativa do disco, mas o vinil recuperou seu protagonismo, porque os artistas passaram a priorizar os LPs que ofereciam mais do que uma mídia de música e eram praticamente uma experiência, uma obra de arte desde a capa aos encartes, até a própria concepção do disco em si. Mas mesmo com a popularização do Long Play, os compactos persistiram por bons anos. Uma artista brasileira que lançou muitos desses pequenos discos foi a Gretchen. 


Entre os anos de 1978 e 1985, ela lançou 16 compactos. Em alguns anos ela chegou a lançar quatro compactos. E foi no decorrer dos anos 80 que os artistas passaram a priorizar os LPs, mas os compactos ainda persistiram por um bom tempo.


O Brasil viveu a sua era de ouro nas vendas de discos entre os anos de 1970 e de 1990, esse foi o período em que os vinis dominavam as prateleiras, ou seja, quando a indústria fonográfica atingiu seu auge. E lá no comecinho de 1980, surgiu o compact disc, conhecido pelas suas iniciais CD, foi lançado em 1982, pela Sony. O material do CD é mais curioso, o disco é moldado, basicamente, em plástico, o policarbonato, mas tem também uma camada metálica reflexiva, corante e resina.
Embora muito menor do que um disco de vinil, sua capacidade de áudio é bem maior, em média 80 minutos. E, além de ser mais resistente, se desgasta menos, a leitura do CD é também a mais avançada em relação ao vinil e a fita, é através de leitura óptica, ou seja, laser. Uma das grandes promessas do CD era que a qualidade do som seria superior ao vinil e a fita, pelo menos mais limpo.

Com o tempo, o CD foi se espalhando para outros países e chegou no Brasil em 1986, foi quando começaram as primeiras importações dos disquinhos e de aparelhos tocadores, caríssimos na época. E em 1987, foi inaugurada a primeira fábrica de CDs da América Latina, em Manaus, no Amazonas, pela Sony Music, mas os preços continuaram salgadinhos, não eram para qualquer bolso.


Então, graças ao preço do CD, o disco de vinil continuou com seu protagonismo por mais alguns anos e as fitas cassetes também tiveram seus espaços garantidos. Aliás, os três conviviam harmonicamente, as gravadoras costumavam lançar um álbum em disco, fita e CD. O primeiro a perder espaço foi a fita, depois o disco. Em meados de 1990, as gravadoras deixaram de produzir discos e passaram a comercializar somente CDs. O auge das vendas ocorreu entre 1995 e 2005.

O CD preservou o que já tínhamos com o vinil, e até melhorou em alguns aspectos, o encarte, por exemplo, em formato de livreto, ou um pôster dobrado, e ainda ofereceu mais vantagens como: a qualidade do som que era melhor, riscava menos e os riscos não comprometiam, exatamente, a execução da faixa. Ocupavam menos espaço físico e tinham mais capacidade de áudio. Aliás, as gravadoras começaram a lançar álbuns com muitas faixas. O vinil limitava um disco em 14, e com músicas picotadas. Já os CDs tinham 17, 20... E os aparelhos de som ainda tinham carrosséis que permitiam colocar vários CDs para que quando um acabasse, já começasse outro.


Lembra do walk-man? Pois, passamos a ter disc-man, um tocador portátil. E os toca-fitas dos carros foram substituídos por toca-cds. E além disso, com o surgimento do CD virgem podíamos fazer o mesmo que fazíamos com as fitas, a nossa própria seleção. Somado a isso a popularização da internet, a pirataria ganhou mais força. Foi maior do que na era das fitas.


A pirataria chegou a movimentar mais dinheiro do que as gravadoras. Os CDs piratas custavam até um quinto do valor de um CD original. E para piorar, em 1999, deu-se início ao compartilhamento de arquivos MP3 pela internet através do Napster. Ninguém mais precisava pagar nada para ter um álbum musical, dava para fazer download grátis.

Esse momento foi um grande marco na indústria musical porque, até então, quem tinha vendido muito disco... vendeu. E quem não tinha conseguido ainda... não conseguiria mais. Tivemos algumas exceções, alguns artistas solos e algumas bandas que conseguiram vender muito bem, mas os dez discos mais vendidos no Brasil, tais vendas ocorreram entre 1980 e 2000.


Segundo o site da Abramus, por ordem decrescente, temos em décimo lugar o álbum Xou da Xuxa, lançado em 1986, que atingiu 2.689.000 cópias. Esse disco foi revolucionário na indústria musical porque foi o primeiro a ganhar certificação de diamante. Segundo o produtor Guto Graça Melo, o diretor da Som Livre reclamou que tinham que produzir muito disco de platina para a Xuxa e ele sugeriu que inventassem um disco de diamante, com uma margem de vendas maior.


Em nono lugar: Um Sonhador, de Leandro & Leonardo, lançado em 1998, com 2.732.735 cópias. Cujas vendas foram potencializadas com a morte de Leandro, em junho daquele ano.
Em oitavo lugar: Xegundo Xou da Xuxa, lançado em 1987, com 2.754.000 cópias.

Em sétimo lugar: 4º Xou da Xuxa, lançado em 1989, com 2.920.000 cópias. 
Em sexto lugar: Quatro Estações – O Show, de Sandy & Junior, lançado em 2000, com 3.000.000 cópias. Esse foi o único álbum já dos anos 2000 que entrou para a lista dos discos mais vendidos no país.

Em quinto lugar: Só pra Contrariar, lançado em 1997, com 3.000.000 cópias. Empatou com Sandy e Junior, mas entrou na lista antes deles.
Em quarto lugar: Rádio Pirata ao Vivo, da banda RPM, lançado em 1986, com 3.000.000 cópias. Também a mesma coisa que aconteceu com o Sandy e Junior e Só Pra Contrariar, vendeu o mesmo número de álbuns, mas foi lançado antes.

Em terceiro lugar: Leandro & Leonardo, lançado em 1990, com 3.145.814 cópias. Esse foi o quinto álbum da dupla.
Em segundo lugar: Xou da Xuxa 3, lançado em 1988, com 3.216.000 cópias. O álbum se manteve em primeiro lugar por 10 anos até ser lançado Músicas para Louvar o Senhor, do Padre Marcelo Rossi, em 1998, ocupando o primeiro lugar: com 3.328.468 cópias. Apenas 12.468 cópias a mais do que Xuxa.


Se compararmos essa lista com as informações da Wikipédia, com números mais atualizados, a ordem se altera. Aliás, a relação se altera. Em décimo lugar temos Só pra Contrariar. Em nono lugar: Mamonas Assassinas. Em oitavo lugar: o álbum O Canto da Cidade, de Daniela Mercury. Rádio Pirata cai para a sétima posição. 4º Xou da Xuxa sobe para a sexta e Xou da Xuxa sobe para a quinta. Todos com 3.000.000 de cópias.

A ordem de classificação se dá pelos anos em que foram lançados, os que chegaram antes ocupam as melhores posições.


Depois temos em quarto lugar: Leandro & Leonardo, lançado em 1990. E em terceiro lugar: Xegundo Xou da Xuxa. Ambos com 3.200.000 cópias.

O segundo lugar fica com Músicas para Louvar o Senhor, do Padre Marcelo Rossi, que mantém o mesmo número de vendas. E o primeiro lugar volta ao Xou da Xuxa 3 com 5.000.000 de cópias. Isso é o que eu já falei várias vezes, que esse álbum deve ter recuperado o seu posto de mais vendido porque teve vários relançamentos ao longo dos anos.


Agora, olha que curioso, na soma geral das vendas, a lista muda outra vez. Dentre os dez artistas que mais venderam discos no Brasil, em décimo lugar temos a dupla Milionário & José Rico, com 32 milhões de discos vendidos. Em nono lugar está a dupla Chitãozinho & Xororó, com 35 milhões de discos vendidos. Em oitavo lugar: Nelson Ned, com 45 milhões de discos vendidos.

Depois temos em sétimo lugar: a dupla Tonico & Tinoco. Em sexto lugar: Benito di Paula. E em quinto lugar: a Xuxa. Os três com 50 milhões de discos vendidos.


Em quarto lugar: temos Rita Lee, com 55 milhões de discos vendidos. Em terceiro lugar temos: Angela Maria com 60 milhões de discos vendidos. Em segundo lugar temos Nelson Gonçalves com 75 milhões de discos vendidos. E o primeiro lugar fica com Roberto Carlos, com 120 milhões de discos vendidos.


A partir do ano 2000, com a queda brusca nas vendas de CDs, os artistas começaram a buscar alternativas. O Lobão assumiu uma postura combativa contra as gravadoras, denunciando a falta de transparência na venda de CDs. Ele afirmava que muitas pressões não eram informadas corretamente aos artistas.


Um projeto de lei da deputada Tânia Soares, que tornava obrigatória a numeração sequencial de cada exemplar de CD, DVD e livro, foi apresentado com o objetivo de garantir controle preciso das vendas e melhorar o recebimento de direitos autorais pelos criadores. O projeto enfrentou resistência das gravadoras, mas entrou em vigor em 22 de abril de 2003. O problema, é que durante esse processo, em 2001, surgiu o iTunes e a venda digital de música foi legalizada.


A partir de 2003 já era permitido comprar música via internet. Então, em vez de comprar álbuns físicos, o público passou a comprar faixas individuais. Lembra lá do compacto simples? Pois, voltamos ao período de vendas de músicas soltas.


E em 2006 nasceu o Spotify, que em vez de comprar música, o consumidor passou a pagar pelo acesso. A plataforma oferece uma biblioteca completa. Foi um ano depois que surgiu o Youtube, mas o Youtube demorou um pouco mais para disponibilizar música.


E a Xuxa, olha só, outra vez sendo uma forte influência no mercado fonográfico, porque além dela ter sido a primeira certificada com um disco de diamante, em 2000 ela reinventou a maneira de vender música com o projeto Só Para Baixinhos que disponibilizava um kit com CD e uma fita VHS. Ela foi tão pioneira no negócio que a Som Livre não sabia nem como redigir o contrato. Depois disso, vários outros artistas fizeram o mesmo e as gravadoras começaram a vender DVDs.


Em 2011, a previsão era que o mercado fonográfico global extinguisse as mídias físicas em 2025, mas já em 2010 as lojas de discos que ainda resistiam começaram a fechar suas portas. A Som Livre, que existia basicamente para vender discos das novelas da Globo, decidiu encerrar a produção de mídia física em 2021. As últimas canções lançadas em CDs pela emissora foram Amor de Mãe vol. 2, e Salve-se Quem Puder vol. 1.

Hoje em dia os artistas que lançam ou permitem que sejam lançados seus álbuns em mídias físicas, produzem para fãs e colecionadores em números limitados. Disco de vinil e CD se tornaram cult.

Fatos marcantes da década de 80.

Os anos 80 são lembrados pela extravagância, tudo era muito exagerado e brega. Isso se refletia na moda, nos cortes de cabelo, mas tinha muita música boa e os melhores programas infantis estrearam nessa época. No entanto, por de trás de toda aquela magia colorida existia uma realidade dura, veja alguns fatos que fizeram história e foram determinantes para a nossa realidade atual.


Fim da TV Tupi.

No dia 18 de julho de 1980, a TV Tupi teve os seus transmissores lacrados pelos funcionários do Departamento Nacional de Telecomunicações, encerrando completamente as suas transmissões no país. Cinco dias depois o governo abriu concorrência para ceder a concessão a novos empresários e entraram na disputa o Grupo Abril, o Grupo Silvio Santos e o Grupo Bloch. Os vencedores foram Silvio Santos que estreou o SBT em 19 de agosto de 1981, e Adolpho Bloch que colocou a Rede Manchete no ar em 5 de julho de 1983.


Extinção das Sete Quedas.

Provavelmente você conhece a música Sete Quedas gravada pela Xuxa em seu álbum solo, Xuxa e Seus Amigos, lançado em 1985, quando ela ainda apresentava o Clube da Criança na Rede Manchete. Foi uma das poucas faixas em que ela fez solo e a que mais foi divulgada do álbum, foi até distribuida para as rádios. Mas você sabe do que se trata a música? É um fato histórico acontecido no começo da década de 1980.

No dia 5 de novembro de 1982, as usinas de Itaipu iniciaram as suas operações fechando as comportas para a formação do lago de Itaipu. Isso culminou no fim das Sete Quedas que existiam até 20 dias antes da usina fechar suas comportas para formar o lago de Itaipu. As Sete Quedas eram um conjunto de 19 cachoeiras divididas em 7 grupos, eram as maiores cachoeiras do mundo em vazão de água, tinham o dobro do volume das cataratas do Niágara, no Canadá. Para ter uma ideia da grandiosidade desse conjunto de cachoeiras, o ruído das águas se podia ouvir até a 30 quilômetros de distância.


Primeiro Bebê proveta do Brasil.

No dia 7 de outubro de 1984, nasceu em São José dos Pinhais, no Paraná, Anna Paula, o primeiro bebê proveta do Brasil, isto é, um bebê gerado por inseminação artificial. Ela foi muito assediada pela imprensa e os principais acontecimentos dos seus primeiros anos virou notícia, como a saída da maternidade, o batizado, o aniversário... tudo foi gravado e publicado.


Fim da ditadura militar.

No dia 15 de março de 1985, finalmente chegou ao fim a ditadura militar no Brasil com a eleição do presidente Tancrede Neves, que faleceu antes de assumir o cargo, em 21 de abril do mesmo ano. José Sarney, o vice, assumiu o posto, mas essas eleições ainda não eram diretas, ou seja, a população não tinha poder de escolha. A ditadura militar se iniciou em 1964, com a desculpa de que o país passava por uma ameça comunista, isso mostra que desde aquela época a desculpa é a mesma para tirar os benefícios dos mais necessitados, pois lá em 1889, o golpe que destituiu a monarquia no Brasil atendia a interesses dos que estavam perdendo o domínio da população pobre e escravizada. A história sempre se repete e nós humanos sempre cometemos os mesmos erros.


Buraco na camada de ozônio.

Estudos sobre a camada de ozônio na atmosfera terrestre aconteciam já há muito tempo, mas só no dia 16 de maio de 1985, é que a revista científica Nature publicou um artigo falando sobre a detecção de níveis muito baixos de ozônio no Polo Sul. A comunidade internacional agiu rápido e em dois anos 46 países assinaram o Protocolo de Montreal, comprometendo-se a eliminar progressivamente substâncias que causam a destruição do ozônio.

O buraco na camada de ozônio ainda existe e segundo medições feitas em 2023, em alguns momentos do ano o buraco chegou a atingir uma extensão similar a três vezes o tamanho do Brasil.


Explosão da espaçonave Challenger.

No dia 28 de janeiro de 1986 aconteceu um dos acidentes mais marcantes da história da exploração espacial. Muitas vidas se perderam ao longo da exploraçao espacial e muitas informações são omitidas até os dias de hoje, mas naquele dia 28 de janeiro, o ônibus espacial Challenger decolou do Complexo de Lançamento 39B no Centro Espacial Kennedy, Cabo Canaveral, na Flórida, com a intenção de colocar um satélite de comunicação na órbita da Terra e estudar o Cometa Halley, mas algo saiu errado.

O ônibus espacial era uma aeronave parcialmente reutilizável porque era similar a um jato o que lhe permitia voltar à Terra e pousar como uma aeronave comum. Nessa missão estava presente uma professora, a Christa McAuliffe que tinha sido escolhida dentre 11 mil candidatos, ela seria a primeira civil a fazer uma viagem ao espaço nos Estados Unidos, isso resultou em um interesse midiático maior do que o normal e o lançamento foi transmitido ao vivo, inclusive para várias escolas dos Estados Unidos, mas 1 minuto e 13 segundos após a decolagem a nave explodiu. As pessoas demoraram um pouco até entender o que tinha acontecido.


Plano Cruzado.

Em 28 de fevereiro de 1986, o governo lançou o Plano cruzado, foi uma troca de moeda com a intenção de controlar a inflação. Como o dinheiro se desvalorizava muito rápido ele impôs uma tabela de valor dos produtos e pediu a ajuda da população para fiscalizar o comércio para que os comerciantes não subissem os preços sem autorização. Aconteceram várias prisões por desrrespeito ao decreto presidencial.


Cometa Halley.

O cometa Halley orbita o sol completando a sua volta a cada 75 anos e é visível a olho nu da Terra. Sua última passagem pelos arredores foi em abril de 1986, e o seu retorno está previsto para 2061.


Acidente nuclear de Chernobyl.

E ainda em 1986, aconteceu o maior acidente nuclear da história. Às 1h23 da madrugada do dia 26 de abril o reator 4 da usina de Chernobyl, na Ucrânia, explodiu liberando uma grande quantidade de radiação no ar que chegou praticamente em todos os países do hemisfério norte. Na verdade foram duas grandes explosões, o acidente foi resultado de falha humana e os responsáveis, incluindo o governo do país, esconderam a gravidade da situação e demoraram muito para tomar atitudes.

A cidade de Pripiat, vizinha a usina, só começou a ser evacuada 36 horas depois do acidente, mas já nas horas posteriores a explosão, algumas pessoas começaram a sentir fortes dores de cabeça e gosto metálico na boca, além de graves tosses e vômitos. Acredita-se que de 13% a 30% do material radioativo do reator 4 tenha sido lançado na atmosfera e, desse material, cerca de 60% se concentrou no território da Bielorrússia, que por sinal, foi o país mais afetado pelo acidente, pois cerca de 23% do seu território bielorrusso foi contaminado pela radiação. 

As autoridades resolveram isolar uma área que corresponde a um raio de 30 quilômetros da usina, esse espaço é oficialmente chamada de zona de exclusão, é em grande parte desabitada, com exceção de cerca de 300 moradores que se recusaram a sair. Além disso, um quarto das florestas bielorrussas que foram contaminadas, atualmente tem entre um e dois milhões de pessoas vivendo no território. Já tem alguns anos que é possível fazer turismo na zona de exclusão.


Uma cidade contaminada por radiação no Brasil.

Em setembro de 1987, na cidade de Goiânia, em Goiás, um aparelho radiológico abandonado do Instituto Goiano de Radiologia foi rompido por moradores para que fosse vendido a um ferro-velho tornando-se no maior acidente radiológico do mundo. Pois, o sésio que é altamente radioativo se tornou uma atração para diversos moradores da cidade devido seu brilho azul. Após a identificação da amostra pelas autoridades, os afetados foram submetidos a rígidos protocolos de tratamento, centenas de locais necessitaram de desinfecção, e uma nova cidade foi criada para alocar os rejeitos.


Nova Constituição do Brasil.

Após o fim da ditadura militar, em 1985, o presidente eleito, Tancredo Neves, assumiu o compromisso de reescrever a Constituição do Brasil. Ele morreu antes de assumir o cargo, então coube a José Sarney dar início ao processo. E assim, no dia primeiro de fevereiro de 1987, deu-se início a Assembleia Nacional Constituinte que passou a discutir os direitos e deveres dos cidadãos do país, com a pariticipação dos senadores e deputados, além da população através de formulários distribuídos em órgãos públicos.

A nova Constituição foi aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte em 22 de setembro de 1988, e promulgada em 5 de outubro do mesmo ano. Eu lembro que a Globo transmitia boletins direto do Senado Federal sempre antes do Vale a Pena Ver de Novo.


Queda do Muro de Berlim.

O Muro de Berlim foi criado em 1961, durante a Guerra Fria, que dividia a capital da Alemanha em dois blocos, a República Federal da Alemanha, capitalista, e a República Democrática Alemã, socialista. Ninguém podia passar de um lado para o outro, com isso vária famílias ficaram separadas, mas em 1989, durante uma onda revolucionária, após várias semanas de distúrbios civis, o governo da Alemanha Oriental anunciou em 9 de novembro que todos os cidadãos poderiam visitar a Alemanha Ocidental Capitalista.

E então, uma multidão de gente subiu e atravessou o muro juntando-se a outra multidão do outro lado em uma atmosfera de celebração, isso deu início ao fim da divisão das duas Alemanhas. Ao longo das semanas seguintes, partes do Muro foram destruídas por um público eufórico e mais tarde, equipamentos industriais foram usados para remover quase toda a estrutura. 


Primeira eleição presidencial direta. 

No dia 15 de novembro de 1989, aconteceu a primeira eleição presidencial no Brasil pela nova Constituição, com voto direto, ou seja, com a participação da sociedade, desde então, qualquer pessoa pode votar a partir dos 16 anos. O primeiro turno aconteceu no 15 de novembro, em uma quarta-feira,  e teve 22 candidatos a presidente, até o Silvio Santos entrou na disputa, mas teve a candidatura caçada.

Fernando Collor de Melo e Luiz Inácio Lula da Silva disputaram o cargo no segundo turno que aconteceu no dia 17 de dezembro, em um domingo. Com vitória do Collor, atribuída a manipulação que a Globo fez na edição do debate apresentada no Jornal Nacional, que o beneficiava descaradamente.

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A farsa do plebiscito de 1993 no Brasil.

O ano de 1993 foi um divisor de águas no Brasil. Tivemos várias mudanças na programação da TV, a forma de fazer programa infantil foi reinventada, passamos por uma transição na moeda que nos deu mais poder de compra e poderíamos voltar ao regime monárquico.

Desde que os portugueses chegaram no Brasil, em 1500, exploraram nossa terra levando as riquezas adquridas para Portugal durante 3 séculos. As coisas começaram a mudar a partir de 1800.

Em 1808, a corte se mudou de Portugal para o Rio de Janeiro, fugindo de Napoleão Bonaparte, e ficaram por 13 anos. Nesse tempo o país, que virou a sede do governo português, ganhou bastante autonomia política, mas em 1821, quando a família real resolveu retornar a Europa o Brasil voltaria a sua categoria de colônia. Foi aí que Pedro, o quarto filho do rei João VI, seu suplente nas terras tupiniquins, não aceitou a ordem de voltar e decretou a independência, tornando-se o primeiro monarca oficial da nossa pátria.

A independência do Brasil só foi reconhecida por Portugal em 1825, por pressão da Grã-Bretanha a quem interessava muito, comercialmente, a independência do nosso país, e Portugal exigiu reparação financeira pelas perdas que sofreu com essa ruptura. Ou seja, só exploraram nossas terras e ainda tivemos que pagar para que nos deixassem livres. Além disso, o rei João VI assinou o reconhecimento da soberania brasileira não como derrota, mas como uma benevolência.

Dom Pedro I ocupou o cargo de imperador até abril de 1831, quando teve que voltar para Portugal e deixou seu filho no trono, com apenas 5 anos de idade. Ele deveria ser coroado só aos 18, mas diante do caos que se instalou no país, foi declarado adulto e coroado com 14 anos.

Dom Pedro II imperou até os seus 58 anos e nesse tempo teve 4 filhos, o Afonso Pedro de Bragança que faleceu com 2 anos de idade, Isabel de Brasil, Leopoldina de Bragança e Pedro Afonso de Bragança que também faleceu com 2 anos de idade.

Isabel é sempre lembrada como a princesa que aboliu a escravatura no Brasil. No entanto, essa abolição aconteceu gradativamente, pois em 1825 quando Portugal reconheceu a independência o Brasil, a Grã-Bretanha exerceu um papel de intermediário e impôs condição para essa ajuda, exigiu que a comercialização de escravos do Brasil com a África fosse encerrada em 4 anos a partir daquela data. Ou seja, não se podia mais comprar pessoas para escravizar, mas as que já estavam no país como escravas se mantinham tal como eram.

Depois, em 1871, foi aprovada a Lei do Ventre Livre, que garantia liberdade aos filhos dos escravos, mas eles ficavam sob as ordens dos fazendeiros dos 8 aos 21 anos. E em 1885 foi aprovada a Lei do Sexagenário, que dava liberdade para aqueles que atingiam 60 anos. Então, com a redução drástica da mão de obra escrava foi incentivada a migração de povos de outros continentes e manter  pessoas como propriedade privada foi ficando cada vez mais caro. Ou seja, a Lei Áurea, assinada em 1888, não foi em prol das pessoas que eram escravizadas, foi mais em prol dos escravocratas.

Curiosamente, um ano e meio depois o exército depôs os monarcas sob o comando do general Manuel Deodoro da Fonseca que assumiu o poder no país. Desde então, o Brasil sofreu outros 6 golpes de estado até que em 1987, deu-se início a elaboração da nova Constituição do Brasil que foi finalizada em 1988, com previsão da primeira eleição para presidente através do voto direto popular que deveria acontecer em 1989, exatos 100 anos depois o exército tomar o poder do país. 

Na Nova Constituição estava previsto que 5 depois do seu lançamento, antes da nova eleição presidencial, o povo deveria ser consultado se queria que o sistema de governo continuasse com o presidencialismo, se retrocedesse ao parlamentarismo, ou retornasse a monarquia. A justificativa do autor da proposta, o deputado federal Antônio Henrique Bittencourt Cunha Bueno, é que o governo monarca não se acabou por uma manifestação pública, mas por um golpe militar, então a população tinha o direito de responder se queria manter o sistema presidencialista ou voltar tal como era nas origens do país.

Até 1988 era proibido falar de monarquia no Brasil. Qualquer referência aos reis, ou a família real era censurada. E para garantir a inclusão da emenda, o movimento monarquista obteve a colheita de mais de um milhão de assinaturas em abaixo-assinado. Coincidentemente, ou devidamente planejado, em 1989, no centenário da queda da monarquia, estreou a novela Que Rei Sou Eu? com muitas sátiras a política do país. Talvez um folhetim com esse tema não fosse possível um ano antes.

O fato é que esse plebiscito do Brasil de 1993, foi mais um circo do que algo para ser levado a sério. Para começar a definição do termo plebiscito: é a consulta sobre um assunto específico, feita por meio da convocação dos eleitores, que pretende saber a opinião do povo, através de uma votação com respostas do tipo: sim ou não.

Era como se a questão estivesse centrada apenas no sistema presidencialista e, obviamente, com muita campanha dos partidos políticos mesmo esse sistema tendo falhado já na primeira tentativa, porque o Collor que foi o primeiro presidente eleito nessa Nova Constituição, tinha acabado de ser deposto por corrupção. O seu vice, o Itamar Franco, que tinha assumido o cargo de presidente adiantou a votação do plebiscito de 7 de setembro para 21 de abril.

Vale ressaltar que dia 7 de setembro relembramos eternamente o monarca que converteu o Brasil de uma colônia a um país imperial.

E no dia 21 de abril relembramos o revolucionário que tentou dividir o país e foi assassinado para evitar que a república se rompesse. Ou seja, as datas escolhidas não foram aleatórias e deveriam influenciar, ainda que inconscientemente, a decisão dos eleitores.

Naquela época a votação acontecia através de papel depositado em uma urna para contagem manual, e o presidente Itamar Franco vetou o modelo inicialmente proposto para a cédula de votação porque achava que ela privilegiava o parlamentarismo.

Mas a nova cédula também não agradou, e ainda possibilitava a escolha de uma monarquia presidencialista, algo impensável e inexistente. Ou seja, muitos votos para a monarquia podiam ser, ou foram, anulados porque não tem como aprovar uma monarquia presidencialista.

As campanhas foram transmitidas tais como os horários políticos na TV e rádio com os partidos defendendo o que julgavam ser melhor para o país. Mesmo com os recentes escândalos de corrupção do presidente, os presidencialistas relembravam a população da luta pelas diretas já, de 1984.  Os parlamentaristas, por sua vez, encontravam dificuldades em se explicar quanto ao papel do povo na escolha do mandatário da nação. E os monarquistas, em conflito sobre quem de fato assumiria o trono brasileiro em caso de vitória, utilizavam o slogan “Vote no Rei”, mesmo sem personificar o voto.

Lembre-se que até recentemente era proibido falar de monarquia, então ninguém conhecia o possível rei do Brasil. Na época, o trono poderia ser ocupado por Luiz Gastão de Orleans e Bragança ou Dom Pedro Gastão. 

Mesmo o voto sendo obrigatório no país, e apesar da veiculação de propaganda eleitoral gratuita nas emissoras de rádio e televisão, o comparecimento às urnas foi relativamente pequeno, aproximadamente 74,3% dos eleitores votaram e Regime monárquico obteve apenas 13,4% dos votos, enquanto que o Regime republicano venceu com 86,6% dos votos. Já no sistema de governo, o parlamentarismo ficou com 30,8% dos votos e o presidencialismo conseguiu 69,2%.

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