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Vampiros dos anos 90

Na década de 1990 aconteceu uma infestação de vampiros nos cinemas e na televisão. Eles estiveram presentes em telenovelas, séries e filmes, mas eles sempre estiveram entre nós. Existem registros históricos de dois curtas-metragens que se perderam no tempo, um deles é o francês Le Manoir du Diable de 1896, que apresenta uma transformação de morcego em humano, e é considerado o primeiro filme com elementos vampíricos, embora seja focado na figura do demônio Mefistófeles. E o outro é um filme húngaro chamado Drakula Halála de 1921, que significa: A Morte de Drácula. Mas infelizmente os rolos dos filmes desapareceram da história.

O primeiro longa-metragem está no Youtube, Nosferatus de 1922, que é um plágio do livro Drácula de Bram Stoker, lançado em 1897. Como a produção não conseguiu os direitos autorais para fazer a adaptação, simplesmente alteraram os nomes dos personagens e o local onde a trama se desenrola. Obviamente as semelhanças foram percebidas de imediato, então, a viúva de Bram Stoker processou a produtora e a justiça ordenou a destruição de todos os negativos e cópias do filme, mas felizmente, algumas cópias sobreviveram.

Depois, em 1931, foi lançado o filme Drácula, que teve como base uma peça teatral da Brodway que, por sua vez, era uma adaptação do livro Drácula de Bram Stoker. O ator Bela Lugosi que já interpretava o protagonista no teatro interpretou no filme também. Mas, ao invés de fazer o papel de um velho de bigode como descreve o livro, ele fez um vampiro galã, de terno e capa preta, que virou a referência do personagem até hoje.

Em 1979, quando o livro Drácula de Bram Stoker já tinha entrado em domínio público, o filme Nosferatu refeito e, então, alguns personagens usam os nomes originais do livro, mas o título e a estética fazem uma homenagem ao filme proibido e tem elementos distintos tanto do filme Nosferatu de 1922, quanto do livro Drácula de Bram Stoker. E em 2024 foi lançada nova versão de Nosferatu com elementos de outros filmes de terror, além da história principal.

O ponta pé das obras vampirescas de 1990 começa com Vamp, que estreou no dia 15 de julho de 1991. Como citado no vídeo sobre a novela, as inspirações de Antônio Calmon foram os filmes: A Noviça Rebelde e Sete Mulheres para Sete Irmãos como a base para o arco da família Rocha. Além da comédia A Dança dos Vampiros e O Poderoso Chefão. No entanto, pode-se perceber influências de outras obras, inclusive do clássico Drácula de Bram Stoker cujo filme só foi lançado quando a novela já tinha acabado. Mas o livro já tinha quase um século e o fato de Vlad reencontrar a sua amada Eugênia reencarnada como Natasha é o cerne do romance de Bram Stoker.

Antes de Drácula estrear teve outros filmes que saíram na frente em 1992. No dia 31 de julho estreou nos Estados Unidos Buffy - A Caça Vampiros. Trata-se das aventuras de uma jovem que faz parte de uma longa linhagem de guerreiras conhecidas como Caçadoras, as escolhidas para caçar e destruir vampiros, demônios e outros seres das trevas. A ideia da série surgiu para subverter o papel da garotinha loira que costuma ser a primeira a morrer nos filmes de terror estados-unidenses. O diretor resolveu transformar esse arquétipo de debilidade em uma heroína.

O filme não foi lançado nos cinemas brasileiros, foi direto para as vídeos-locadoras, e em 10 de março de 1997, estreou na televisão estados-unidenses a série Buffy - A Caça Vampiros, que teve sete temporadas. No Brasil, a série foi transmitida pela Globo a partir de outubro de 1998.

O segundo filme foi Inocente Mordida que chegou nos cinemas no dia 25 de setembro e conta a história de uma vampira solitária, em Pittsburgh na Pensilvânia, na região conhecida como pequena Itália, que ataca integrantes de uma gangue italiana. Como eles vivem em confronto com outros grupos e também com a polícia, o sumiço de um ou outro mafioso não faz diferença.

Mas em um dado momento ela precisa interromper o seu jantar para fugir e a vítima fica viva e se converte em vampiro. O cara era o chefão da gang que resolve converter todos os seus comparsas em vampiros também e, então, ela, a vampira que provocou tudo isso, se une a um policial para caça-los.

E só no dia 25 de dezembro de 1992 é que chegou nos nossos cinemas o filme Drácula de Bram Stoker. Eu vi o filme, adorei. Li o livro, amei. E acho um dos raros filmes que ficou melhor do que o livro. Porque o filme é uma história linear e o livro é como se fossem cartas, relatos. É muito interessante, mas não causa o mesmo impacto do filme.

Esse romance tem várias versões e a obra original foi inspirada em vários relatos e mitos folclóricos, inclusive no Vlad III, que governou a Valáquia, atual Romênia, no século 15, que ficou conhecido como Vlad, o Empalador. Ele enfiava uma lança de madeira no reto dos seus inimigos e deixava o cara espetado ao ar livre, deslizando aos poucos, agonizando até morrer. Era cruel. Tem um filme do ano 2000, chamado Príncipe das Trevas - A História Real de Drácula, que remonta o mito original do qual Bram Stoker teria se inspirado, mas vários historiadores modernos dizem que o autor sabia pouquíssimo sobre Vlad.

Tanto na pseudo-história real, quanto no filme. O Drácula, que era cristão, se rebela contra Deus depois que sua esposa se mata ao saber que ele tinha sido dado como morto em uma batalha. Então, ele perambula pela Terra até encontrar sua amada reencarnada e tenta reconquista-la, mas nesse período da história ele acaba sendo derrotado. 

E um detalhe interessante, a fraqueza dos vampiros ao Sol, esse conceito da luz solar ser fatal para eles nasceu no filme Nosferatu. No livro original de Bram Stoker, ficava mais vulnerável durante o dia, razão pela qual se trancava em um caixão, mas não morria com a luz natural. Já no filme, tudo acontece a noite.

A produção seguinte chegou nos nossos cinemas em 16 de dezembro de 1994, o filme Entrevista com o Vampiro, baseado no livro da romancista Anne Rice, de 1976. A obra centra no personagem Louis de Pointe Du Lac, que conta a história de sua vida de 200 anos a um repórter conhecido simplesmente como o rapaz. Ele vivia atormentado pela morte de seu irmão e buscava a morte de todas as formas até que foi convertido em vampiro por Lestat de Lioncourt. Os dois se tornam companheiros, mas entram em conflito sobre a maneira de tratar as pessoas e se separam.

Lestat é dado como morto, no entanto, reaparece porque ele é o protagonista da série de livros, são treze títulos ao total. E na última cena de A Entrevista Com o Vampiro toca a música Sympathy For The Devil, o hit da Natasha, na voz de Guns N'Roses.

No dia 26 de abril de 1996, chegou em nossos cinemas o filme Um Drink no Inferno, dirigido por Robert Rodriguez e escrito por Quentin Tarantino. Com George Clooney e o próprio Tarantino nos papeis principais. Eles interpretam os irmãos Seth e Richie Gecko que fogem do F.B.I. após roubarem e destruírem uma loja de bebidas onde cometem outra sequência de crimes e acabam parando em um bar em uma estrada no meio do nada, onde as stripers são vampiras. Quem conhece o jeito Tarantino de fazer filmes sabe que sempre tem sangue jorrando para todo lado.

No dia 30 de outubro de 1998, estreou nos nossos cinemas o filme Blade - O Caçador de Vampiros que foi baseado nas histórias em quadrinhos de Marv Wolfman e Gene Colan para a Marvel, com Wesly Snipes no papel principal. A mãe de Blade tinha sido mordida por um vampiro e morreu no parto, então, ele tem adquiriu a força sobre-humana dos vampiros, mas luta contra eles com a ajuda do caçador Whistler. O filme teve outras duas sequências, além de uma série de televisão.

E chegamos ao final da década com Vampiros de John Carpenter's, um filme de 1998 que só estreou no Brasil no dia 16 de abril de 1999. Trata-se de uma adaptação do romance Vampiros, escrito por John Steakley, com James Woods, Daniel Baldwin, Sheryl Lee e Thomas Ian Griffith nos papeis principais. Diferente dos outros que estão concentrados em grandes centros, independente da época em que a história se passa, esse filme acontece no velho oeste estados-unidenses, mas se trata de uma equipe de caçadores de vampiros, nesse caso, patrocinada pelo Vaticano.

O filme também teve duas sequências, uma em 2002 e outra em 2005. Ou seja, na década de 2000 as criaturas de dentes pontiagudos continuaram atacando. Teve série de filmes, séries para a televisão, e outra telenovela, O Beijo do Vampiro, do mesmo autor de Vamp, que também tem vídeo aqui no canal.

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Filmes brasileiros de 1996

O cinema brasileiro foi quase extinto em 1990 com a chegada de Fernando Collor na presidência. Sobreviveu porque tivemos algumas poucas produções e em 1995 aconteceu a retomada do cinema nacional. Foi quando entrou em cartaz: Carlota Joaquina - Princesa do Brazil, O Quatrilho, que disputou o Oscar de melhor filme estrangeiro, Menino Maluquinho - O Filme, e o filme da TV Colosso Supercolosso – A Gincana, além de Tieta do Agreste.

É claro que tivemos outros filmes, mas esses foram os que mais chamaram a atenção.

Em 1996, ainda estávamos nesse período de retomada do cinema nacional, e naquele ano tivemos três filmes baseados em histórias reais, sendo dois sobre o cangaço nordestino. Um deles é o Baile Perfumado a respeito da saga do libanês Benjamin Abrahão que foi o responsável pelas únicas imagens do cangaceiro Lampião. E o outro é Corisco & Dadá que conta a história de Corisco, conhecido como Diabo Loiro, e sua mulher, Dadá, raptada e violentada por ele aos 12 anos, mas que se integra ao bando dos cangaceiros contra as emboscadas do chefe da polícia volante, Zé Rufino.

E tivemos também Adágio ao Sol que mescla um triangulo amoroso, fictício, com uma fase turbulenta da história política do Brasil, o colapso da economia que era baseada na exportação do café e a revolução constitucionalista de 1932.

Tivemos outros seis filmes puramente fictícios. Um deles é O Sertão das Memórias que explora termos e figuras do Nordeste contando a história de Maria, uma reencarnação feminina de Jesus. E também: Terra Estrangeira sobre um homem que deseja viajar a Portugal na época em que o presidente Fernando Collor tinha confiscado a poupança de todo mundo e aceita a proposta de um estranho para levar um pacote em troca da passagem e se envolve na maior furada da sua vida. Um Céu de Estrelas que se passa todo dentro de uma casa, sobre uma cabeleireira ganha uma passagem para Miami, em um concurso, e vê sua chance de se livrar do marido violento. Como Nascem os Anjos tem tráfico, sequestro e muita tensão em situações imprevisíveis. E, Olhos de Vampa sobre a investigação de uma série de assassinatos de jovens mulheres, todas encontradas mortas em São Paulo, com um pêssego na boca, uma mordida nas nádegas e sem sangue no corpo.

Mas tivemos também a comédia Doces Poderes sobre conflitos éticos de uma jornalista em Brasília que sofre todo tipo de pressão e tentações para utilizar sua influência em campanhas políticas. E a adaptação da obra de José de Alencar, O Guarani, que ganhou bastante destaque e muitas críticas negativas por uma série de acusações à diretora. Você pode conferir os detalhes no post a respeito do filme aqui no blogue.

Outras duas produções que ganharam bastante destaque foram: Quem Matou Pixote? e Cassiopeia.

Lançado mundialmente em agosto de 1996, no Festival Internacional de Cinema de Montreal, no Canadá, Quem Matou Pixote? só chegou nos cinemas do Brasil em 1 de novembro do mesmo ano, pela Columbia Tristar Pictures. Trata-se da reconstrução dramática da vida turbulenta e da morte prematura do ator infantil Fernando Ramos da Silva que protagonizou o aclamadíssimo Pixote -  A Lei Do Mais Fraco, de 1980.

Esse filme conta a história de um garoto que é recrutado por terceiros para realizar assaltos e transportar drogas após fugir de um reformatório para menores infratores e se tornou um sucesso de crítica, tanto nacionalmente quanto internacionalmente, com diversos críticos estrangeiros colocando a produção entre um dos dez melhores filmes realizados naquele ano. Foi indicado ao Globo de Ouro na categoria de melhor filme estrangeiro e, em 2015, entrou na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.

Mas, Quem Matou Pixote?, apesar de ser indicado a vários prêmios e ganhar alguns deles, não cativou a crítica especializada, que, elogiou a performance do elenco, mas não se sentiu comovida com a montagem.

A história segue a jornada de Fernando Ramos da Silva, interpretado por Cassiano Carneiro, um jovem de origem humilde em Diadema, na periferia de São Paulo, que alcança fama internacional ao protagonizar o filme Pixote, a Lei do Mais Fraco, de Héctor Babenco, aos 12 anos. O foco do filme é sobre o que aconteceu depois desse sucesso. Fernando ganhou dinheiro, reconhecimento, e sonhava em continuar sua carreira de ator para proporcionar uma vida melhor para sua família.

Em 1981, Fernando esteve no filme Eles Não Usam Black –Tie, e foi escolhido para integrar o elenco da novela O Amor É Nosso, da TV Globo, como o personagem Pingo. Mas como tinha dificuldades para decorar os textos, não durou muito e foi demitido. Em 1983, ele esteve no filme Gabriela com Sônia Braga, e depois disso não conseguiu mais papeis. Quando o dinheiro acabou, entrou na vida bandida por influência dos seus irmãos e foi morto, aos 19 anos, por policiais militares do Tático Móvel do 6º Batalhão da Polícia Militar de São Bernardo do Campo num tiroteio após supostamente ter participado de mais um assalto, desta vez contra uma empresa no bairro de Piraporinha, em Diadema. 

A família contestou o fato e as testemunhas disseram tê-lo visto de short, sem camisa e desarmado. Três policiais foram demitidos da Polícia Militar por fraude processual. É uma triste história.

O outro filme de 1996 que merece muito a atenção é Cassiopeia, que estreou nos cinemas do Brasil em fevereiro daquele ano. Trata-se de uma animação totalmente digital, de Clóvis Vieira. O filme conta a história do planeta fictício Ateneia, localizado na constelação real de Cassiopeia, que um dia é atacado por invasores do espaço que começam a sugar sua energia vital. Um sinal de socorro é enviado pela astrônoma local, Liza, e recebido por quatro heróis que viajam através da galáxia para salvar o planeta.

O filme competiu com Toy Story da Disney/Pixar pelo título de primeiro longa animado totalmente feito em CGI do mundo. Cassiopeia foi lançado quase três meses depois de Toy Story, mas os estadunidenses não foram muito fieis na execução do longa, eles usaram moldes de argila que foram escaneados digitalmente, o que tiraria Toy Story da categoria 100% digital. Já a produção brasileira foi totalmente realizada em CGI, sem nenhum escaneamento exterior de imagens ou vetorização de modelos reais.

Os produtores chegaram a acusar a Disney de tentativa de sabotagem e planejaram furtar CDs com o trabalho do filme para atrasar o lançamento. Em 2017, a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) realizou uma pesquisa para nomear as cem melhores animações brasileiras da história e Cassiopeia ocupou a décima quarta posição na lista final.

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O Guarani

O Guarani é uma das obras mais conhecidas da nossa literatura, que foi transformada em ópera no exterior, cuja música se converteu em um hino nacional e ganhou várias adaptações para o cinema, além da TV, tendo em uma delas uma estrela internacional da sétima arte como diretora.

O romance O Guarani, originalmente escrito com y, que tem como autor José de Alencar, estreou como folhetim no jornal impresso Diário do Rio de Janeiro em 1º de janeiro de 1857. E no fim daquele ano foi publicado como livro com algumas alterações, só as necessárias para adaptar a trama ao formato disponibilizado nas livrarias.

Em 1870, 13 anos depois do lançamento do livro, Carlos Gomes que já morava na Itália há sete anos, compôs a ópera O Guarani. É aquela música instrumental usada na abertura da Voz do Brasil, o noticiário em cadeia nacional nas rádios, às 19h. 

O Guarani é considerado a obra mais adaptada da história do cinema brasileiro, a primeira aconteceu em 1908, só 13 anos da criação do cinema, que foi em 1895. E a última adaptação, até a edição deste vídeo, aconteceu em 1996, quando o cinema tinha recém completado 100 anos de existência. O romance é apontado também como um dos livros brasileiros que mais tiveram adaptações em histórias em quadrinhos.

Em relação aos filmes, a maioria das produções pertence à era do cinema mudo, mas já na primeira adaptação o filme era dublado ao vivo. Os chamados filmes cantantes duraram de 1908 a 1912, duraram pouco tempo porque os atores, cantores líricos ou os próprios realizadores dos filmes ficavam escondidos atrás da tela de projeção e tinham que sincrozinar o texto, os sons, com a fita do filme, e era desgastante porque tinham que fazer isso em todas as sessões e se um ator errasse a fala, perdesse o tempo, comprometia o resto.

Apesar que naquela época os flmes eram curtos, os rolos de filme permitiam uma projeção de 15 minutos mais ou menos. Mas foi também nesse mesmo período da história do cinema que começaram a surgir as longa metragens que chegavam a 40 minutos. Então, as pessoas pagavam para entrar no cinema e viam vários filmes.

Os principais fatos que articulam a história de O Guarani são: a devoção e fidelidade de Peri, represetado por Marcio Garcia no filme de 1996, por Cecília de Mariz, personagem de Tatiana Issa. Ela é filha de Dona Laureana, vivida por Imara Reis, e de Dom Antonio, interpretado por Herson Capri. Ele tem um filho chamado D. Diogo, paple de Taimur Aimara, e uma filha com uma indígena que a cria como sobrinha, a Isabel, interpretada por Gloria Pires.

A Isabel acena para o núcleo dos vilões, mas é apenas uma sofredora, ela é densa, melancólica, e sente inveja dos privilégios que Ceci tem na família, além de amar Alvaro, personagem de Marco Ricca, que é um dos homens mais fieis de Dom Antonio, e é apaixonado por Ceci.

Peri faz parte da nação dos Goitacás, um povo que ficou conhecido por ser um dos mais ferozes com os quais os europeus tiveram contato na América. Eram guerreiros e hostis aos colonizadores e, segundo os registros históricos, eram invencíveis. Tinham porte atlético, corriam e nadavam muito tempo e como os europeus não conseguiram domina-los, exterminaram esse grupo deixando pertences deles infectados com o vírus da gripe ao alcance dos indígenas. Como não tinham anticorpus, o vírus se propagou e a população foi exterminada.

A aproximação de Peri com a fortaleza colonial acontece após ele salvar a vida de Ceci. No livro, a jovem estava prestes a ser esmagada por uma enorme pedra que rolava de um penhasco, e ele a salvou. No filme, ele a encontrou desmaiada no chão e não se sabe o porquê.

Existe outra população indígena retratada no filme, que são os Aimorés que, segundo José de Alencar, era um povo bárbaro, vingativo e antropófago. Entenda-se canibal. Eles cercam a casa de Dom Antônio para vingar a morte acidental de uma indígena. O incidente foi provocado por Diogo, o irmão de Ceci.

O vilão mesmo é o Loredano, interpretado por José de Abreu, um frade italiano que abondonou a igreja e lidera a rebelião dos mercenários aventureiros para roubar a fortuna de Dom Antônio e raptar Ceci. Ele é condenado a fogueira.

Álvaro se apaixona por Isabel, mas como tinha prometido ser o marido de Ceci não pode admitir nenhum afeto pela moça para não ser julgado traidor. Quando se machuca na batalha contra os aimorés, ela opta por morrer junto ao seu corpo. Dom Antonio dá uma bebida para Ceci adormecer e não sofrer durante a iminete explosão que está preste a provocar para não cair nas mãos dos indígenas, mas Peri intervém e aceita ser batizado cristão para salva-la.

No livro, Peri e Ceci partem para um destino desconhecido e são surpreendidos por uma forte tempestade que se transforma em dilúvio. Abrigados no topo de uma palmeira, ela espera a morte chegar, mas o rapaz conta uma lenda em que Tamandaré e sua esposa se salvaram de uma situação parecida e ao término da enchente, desceram e povoaram a Terra. As águas sobem, a moça se desespera e ele arranca uma palmeira para fazer uma canoa e poderem continuar pelo rio, deixando subentendido que a lenda de Tamandaré se repetiu com os dois.

Já no filme, o final é para a gente dormir feliz. Como o orçamento não permitia criar um dilúvio, Norma Benguell optou por mostrar os dois trocando juras de amores enquanto vagam pela mata que, aliás, é belíssima. Parece um paraíso.


Curiosidades.

A obra fez de José de Alencar um autor reconhecido. Foi republicada por diversas editoras e, atualmente, encontra-se em domínio público. Ou seja, qualquer pessoa pode reproduzir a história da maneira que quiser sem ter que pagar nada para ninguém por isso.

A antropofagia dos Aimorés era bem distinta do que se propagou nas lendas e nas histórias cinematográficas. Os indígenas consumiam carne humana, mas não saiam caçando gente para comer, eles devoravam os guerreiros adversários que capturavam pensando que absorveriam a força e valentia desses homens. O filme Hans Staden que conta a história do alemão que sobreviveu meses sob captura dos Tupinambás em 1554, aborda esse tema. É outro povo, mas com os mesmos hábitos dos Aimorés, e ele não foi devorado porque não demonstrava valentia, aí os indígenas não queriam comer ninguém frouxo. 

Norma Bengell nasceu no dia 21 de fevereiro de 1935. Ela foi uma mulher fascinante, corajosa e transgressora. Começou a trabalhar aos 16 anos como modelo e atuou como vedete no teatro de revista. Sua estreia no cinema ocorreu em O Homem do Sputnik em 1959, fazendo uma paródia hilária da atriz francesa Brigitte Bardot.

Em 1962, ela fez história ao protagonizar o primeiro nu frontal no cinema, no filme Os Cafajestes. No mesmo ano, ela já tinha atuado no longa O Pagador de Promessas como a prostituta Marli. Depois, mudou-se para a Itália. Ao longo de sua carreira rodou mais de 60 filmes ao lado de grandes nomes do cinema mundial e trabalhando com diretores renomados. Namorou o ator francès Alain Delon e foi casada com o ator italiano Gabriele Tinti.

Norma virou alvo da ditadura militar e após ser detida e perseguida por agentes do regime, em 1971, exilou-se na França, onde morou e trabalhou no teatro por cinco anos. Ao retornar ao Brasil, decidiu ir para trás das câmeras, sua estreia na direção foi o aclamado Eternamente Pagu, de 1987, dirigiu o documentário O Indomável Som do Meu Tambor e, depois, O Guarani, em 1996, quando foi alvo de muitas polêmicas.

O filme foi o primeiro a se beneficiar da Lei Rouanet e captou 3 milhões e 900 mil reais, no entanto, o Ministério da Cultura apontou graves irregularidades nas notas fiscais apresentadas. Talvez por falta de clareza na forma de declarar o destino do dinheiro recolhido pelas empresas patrocinadoras, e no acompanhamento do órgão responsável, Norma Bengell foi indiciada pela Polícia Federal sob acusação de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e apropriação indébita. 

Segundo a polícia, ela se apropriou do dinheiro captado para comprar um apartamento e ainda não declarou o valor correto. Dois anos depois, o imóvel foi vendido pelo mesmo valor da compra para uma offshore uruguaia da qual era sócia. A empresa revendeu o imóvel por 1 milhão e 600 mil reais, em 2000. Norma disse nunca ter tido empresa no Uruguai, confirmou ter comprado o imóvel, mas não com dinheiro captado para o filme e disse não se lembrar por quanto o vendeu.

Ela sempre negou ter se beneficiado ilegalmente do dinheiro e declarou publicamente que o longa-metragem a deixou cheia de dívidas. Afirmou que o filme O Guarani foi a única mácula em sua carreira. Por conta dos processos, a Justiça do Rio de Janeiro bloqueou seus bens, e embora tenha conseguido vencer dois processos relacionados ao caso, o desgaste de imagem provocado pelas denúncias nunca foi totalmente apagado de sua memória profissional.

Seu último trabalho na TV foi a personagem Deise Coturno, do seriado Toma Lá, Dá Cá, da TV Globo, exibida entre 2007 e 2009. Norma faleceu aos 78 anos, em outubro de 2013, vítima de um câncer no pulmão. Ao receber o diagnóstico preferiu não fazer tratamento para morrer em paz.

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Boca do Lixo - Indústria cinematográfica

Hollywood é um distrito, uma região, da cidade de Los Angeles no estado de Califórnia, nos Estados Unidos. Aquele grande letreiro, famoso, foi instalado em 1923 e formava a palavra HOLLYWOODLAND para divulgar um conjunto habitacional. Vinte seis anos depois, em 1949, a Câmara de Comércio de Hollywood assinou um contrato com a cidade de Los Angeles para reparar e reconstruir o letreiro, mas sem o LAND.

Lá foram fundados, em sua maioria, por imigrantes judeus, os estúdios Paramount Pictures em 1912, Fox Film em 1915, Warner Bros em 1923, MGM em 1924, e RKO em 1928. Esses cinco estúdios formaram o oligopólio do sistema hollywoodiano de produção que detinha total controle sobre as etapas de criação dos filmes. Esse sistema funcionava como a indústria de produção automobilística mesmo, naquele sistema em que cada profissional fica responsável por uma parte dos produtos.

E foi assim que Hollywood se tornou símbolo do cinema estadunidense, inclusive lá na região é onde acontecem as premiações, as homenagens para os famosos que mais se destacam... tem a calçada da fama, museus, o Teatro Chinês que é onde tem a calçada com as marcas das mãos, pés, e assinatura de muita gente famosa. Inclusive a Xuxa já colocou a mãozinha no cimento. No Brasil nós não tivemos tudo isso, mas estávamos no caminho.

O significado do termo Hollywood não combina muito bem com o glamour do cinema, a sua origem se refere a um bosque (wood) de uma planta chamada azevinho (holly). Mas era só o nome mesmo, essa planta não existia, exatamente, naquele local. Já o complexo de estúdios de filmes do Brasil, apesar de aspirar o mesmo êxito estados-unidenses, tinha menos glamour ainda, pois se chamava Boca do Lixo.

A Boca do Lixo fica no centro da cidade de São Paulo, no bairro da Luz, em um quadrilátero que inclui a rua do Triunfo, a rua Vitória, e adjacências. Durante as décadas de 1920 e 1930, o local se tornou um polo cinematográfico quando empresas como a Paramount, a Fox e a MGM se instalaram na região devido a localização estratégica, já que ficava próxima às estações da Luz e Sorocabana.

Essas companhias atraíram distribuidoras, fábricas de equipamentos especializados, serviços de manutenção técnica e outras empresas do ramo cinematográfico para as redondezas. Enfim, um mar de empresas do ramo cinematográfico se instalou no local e a cena de homens pilotando carroças carregadas de latas de filmes pelas vias públicas se tornou comum.

O nome Boca do Lixo foi dada pela imprensa policial nos anos de 1940, porque lá era um ponto de alta circulação de pessoas marginalizadas, bandidos, prostitutas... que antes atuavam mais no bairro do Bom Retiro, mas foram expulsos por violentas ações da política no início dos anos 1950, essas pessoas migraram para o bairro da Luz, passando a conviver simultaneamente com os principais atores e atrizes que figuraram na história do cinema nacional. Então, com a concentração das produções cinematográficas que aconteceu naquela localidade em meados dos anos de 1960, Boca do Lixo passou ser a ser referência também do polo de cinema.

Entre o fim dos anos de 1960 e o começo dos anos de 1980, a Boca do Lixo se tornou um reduto do cinema INDEPENDENTE, desvinculado dos incentivos governamentais. Na época, surgiu o movimento do Cinema Novo, nos anos 1970, que produzia filmes com incentivo estatal pela Embrafilme, uma empresa que produzia e distribuía filmes brasileiros. Mas a Boca do Lixo era atraente, dava retorno, então surgiam investidores dos mais distintos ramos para colocar dinheiro nas produções e, por essa razão, foram criadas muitas produtoras pequenas também que só faziam um filme.

No ano de 1975, Minami Keize, um dos responsáveis pela introdução do estilo mangá no Brasil, era formado em Desenho e em Jornalismo e fundou a revista Cinema Em Close-Up que desde seus primeiros números obteve sucesso no meio cinematográfico e se estabeleceu como uma das principais publicações de cinema da época.

O objetivo de Minami Keize era conquistar espaço no meio cinematográfico e divulgar o cinema brasileiro, sobretudo os que eram feitos na Boca do Lixo. Entre as suas publicações estavam fotos de atrizes da Boca, notícias sobre as novas produções, artigos críticos, entrevistas e espaço para cartas de leitores e técnicos do meio cinematográfico. A revista alcançou a vendagem média de trinta mil exemplares, o que contribuiu para uma criação de identidade da Boca do Lixo e é considerada um dos símbolos do cinema nacional da época.

Outra figura importante para a Boca do Lixo foi Dick Danello, um italiano naturalizado brasileiro, que compôs dezenas de trilhas sonoras para vários filmes, além de atuar em alguns deles também. Dick Danello teve canções em telenovelas da Globo fez muito sucesso no movimento Jovem Guarda, ele fundou a gravadora Central Park Records, pela qual lançou vários nomes de sucesso na época.

Muitos cineastas passaram pela Boca do Lixo, mas apesar do desfile de grandes profissionais e atores famosos, a produção ficou caracterizada pelos filmes baratos e que tinham forte apelo sexual. Os profissionais que frequentavam a região aprenderam a fazer cinema barato, a pornochanchada, que contribuiu para o florescimento e a expansão do polo de cinema. Tinha comédias, dramas, policiais, faroestes, ação, kung fu, terror... mas o erotismo estava sempre presente. Vários produtores, dentre os quais David Cardoso era um deles, ficaram milionários com esse tipo de cinema.

Os críticos não gostavam muito das produções da Boca do Lixo, mas teve exceções também, e alguns títulos tiveram sucesso de bilheteria como A Viúva Virgem, de Pedro Carlos Rovai. O Bandido da Luz Vermelha é outro filme que ficou bem conhecido, foi inspirado nos crimes do famoso assaltante João Acácio Pereira da Costa. Esse período fértil de produção durou até o final dos 80, a Boca do Lixo representava em média 80% dos lançamentos brasileiros. Dizem que foi lá que nasceram os famosos testes de sofá, tinha mãe que levava filha para conseguir um papel nos filmes.

A qualidade das produções da Boca do Lixo era questionável, não era sem razão que os críticos preferiam os filmes da EMBRAFILMES, porque grande parte dos filmes eram chanchadas, depois, os estúdios cederam a pornochanchadas, e nos últimos anos apelaram para o pornô e erótico, e teve até filmes adultos com animais. O Zé do Caixão disse em uma entrevista que ele foi o primeiro a produzir esse tipo de material. A produtora e distribuidora Cinedistri Ltda., que se instalou na região em 1949, foi o único estúdio brasileiro que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, pelo O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte.

Em 1990, Fernando Collor de Melo assumiu a presidência e reduziu drasticamente os incentivos destinados à sétima arte, contribuindo para a morte da Boca do Lixo. Curiosamente, naquele ano, Silvio de Abreu que estava escrevendo Rainha da Sucata teve uma minissérie que foi produzida chamada Boca Do Lixo. Ele tinha escrito anteriormente e apresentado para a direção da Globo com a intenção de provar que podia escrever algo que não fosse comédia. A história é sobre uma atriz que ascendeu na carreira com as pornochanchadas, mas não encontrou espaço na TV, ou em outros meios, depois que a indústria cinematográfica se retraiu.

Em 2010, estreou o filme Boca, dirigido por Flavio Frederico, uma cinebiografia baseada na vida de Hiroito de Moraes Joanides, interpretado por Daniel de Oliveira. O longa retrata a transformação de um jovem de classe média em um dos criminosos mais procurados na região boêmia da Boca do Lixo em São Paulo durante os anos 50 e 60, após o assassinato de seu pai.

Com a falência do cinema nacional, nos anos 1990, parte da área da Boca do Lixo se converteu na Cracolândia e se tornou uma das regiões mais degradadas de São Paulo. Só a partir de 2005 é que a prefeitura de São Paulo começou a intervir neste espaço mais firme, aumentando o policiamento e fechando hotéis e bares ligados ao tráfico de drogas e a prostituição.

Em 2003, Cariolano Rodrigues Mineiro, que trabalhou durante muitos anos na Boca do Lixo com o nome de Rodrigo Montana, era proprietário da Montana Cinematográfica e criou a Associação São Paulo a Cidade e o Cinema para preservar a memória da indústria cinematográfica. Seu projeto mais ambicioso era fazer o calçadão da Broadway Paulistana, com estátuas, chafariz, placas com nomes importantes do cinema, museu, biblioteca, sala de exibição… Mas, ele faleceu em 2012 sem ver seu sonho se tornar realidade.

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O Saci - filme

Em 1953, embora em algumas páginas a informação é que tenha sido em 1951, Rodolfo Nanni escreveu e dirigiu o filme O Saci, cuja história desenvolvida por Arthur Neves foi baseada no livro O Saci de Monteiro Lobato, e tem como protagonista o personagem Pedrinho do Sítio do Picapau Amarelo. Essa foi considerada a primeira produção infantil importante do cinema brasileiro e ganhou o Prêmio Saci em 1954.

O Prêmio Saci foi criado em 1951 pelo jornal O Estado de S. Paulo e premiou os melhores filmes brasileiros da década de 1950, era dado anualmente as melhores produções brasileira de cinema, mas no ano seguinte de sua criação, em 1952, passou a englobar as produções de teatro também. Foi a maior premiação do cinema nacional durante as décadas de 1950 e 1960.

A estatueta era o Saci esculpido pelo artista plástico Victor Brecheret e concedido a importantes artistas nacionais ao longo de quase 20 anos. Fernanda Montenegro, Eva Wilma, Tônia Carrero, Jorge Dória, Paulo Autran e Cacilda Becker são alguns nomes que foram contemplados com o troféu.

Quanto ao filme O Saci, Rodolfo Nanni teve a ideia de adaptar o livro após voltar de uma viagem a Paris onde esteve estudando cinema. Ele conheceu o Arthur Neves, sócio de Caio Prado Júnior que, dentre tantos títulos que detinha, tais como sociólogo, historiador, geógrafo, escritor, filósofo e político, era editor, o fundador da Editora Brasiliense que era a detentora dos direitos dos livro.

Arthur Neves começou a escrever o roteiro que, depois, foi continuado por Rodolfo Nanni. As filmagens foram realizadas em Ribeirão Bonito, no estado de São Paulo, e contou com o apoio de toda a população local. O prefeito deixou que usassem um galpão que estava abandonado para ser utilizado como estúdio e as locações internas foram feitas com móveis antigos que as moradores cederam.

O filme é em preto e branco, está bastante escuro, imagino que seja pelo tempo, mas não perdeu a magia. E a trilha sonora é composta por uma música instrumental muito gostosa de ouvir e lembra bastante o filme A Lagoa Azul.

O filme começa com uma narração que descreve um pouco de cada personagem que vive no Sítio do Picapau Amarelo. A primeira mencionada é a Dona Benta, vivida por Maria Rosa Moreira, uma velha de mais de sessenta anos. Detalhe para a interpretação da idade da personagem. Ela é a primeira a aparecer chamando as crianças para comer. A Emília, vivida por Olga Maria, é descrita como a ilustre marquesa de Rabicó que fala até pelos cotovelos e lembra bastante a versão da Globo, de 2001, feita por Isabelle Drummond, a personalidade é a mesma, parece a própria. Apesar de a voz ter sido dublada por outra pessoa já que a atriz tinha apenas seis anos de idade e não se via capaz de fazer a dublagem na pós produção. Essa era uma tática para garantir uma boa qualidade de áudio no cinema antigo. A voz foi feita por Wilma Bentivegna.

Narizinho é interpretada por Aristeia Paula Souza, e na casa, vive também a Tia Nastácia, interpretada por Benedita Rodrigues. Pedrinho, interpretado por Livio Nanni, é descrito como um menino muito valente, tão valente que não tem medo nem de onça, mas depois a Dona Benta o lembra que ele chora de medo de vespa e que tem medo do Saci. Já o Visconde de Sabugosa não existe na trama.

O filme gira em torno da aventura de Pedrinho que pede conselhos ao Tio Barnabé,  interpretado por Otávio de Araújo, para capturar um Saci. Ele aprende a técnica da garrafa, mas tem dúvida do feito, já que não vê o ente através do vidro.

Pedrinho, apesar de ter medo de vespas, caminha pela mata sem medo dos perigos que ela oferece e dorme, é quando, como havia dito o tio Barnabé, que o Saci, interpretado por Paulo Matosinho, se manifesta e inicia uma relação de amizade com o menino. Ele convence o garoto a libera-lo da garrafa em troca de proteção dos perigos da mata, já que o coração da floresta, onde eles estão, é o local onde se encontram vários personagens perigosos, como lobisomens e mulas sem cabeça.

Outra que corre um grande perigo é Narizinho que tem um encontro inesperado com a Cuca, interpretada pelo ator Mário Meneguelli, e se apresenta com a aparência de uma senhora maltrapilha. Ela oferece uma flor a Narizinho que ao cheira-la se converte em pedra.

Tia Anastácia e Dona Benta procuram as crianças até a meia noite, quando Pedrinho toma conhecimento do sumiço de Narizinho e retorna para procura-la. Junto com o Saci, descobre que era coisa da Cuca e a amarram enquanto dormia para faze-la contar o que havia feito com a Narizinho. Para desfazer o encanto eles precisavam de um fio de cabelo da Iara, a nossa sereia de água doce que, coincidentemente foi vivida por uma atriz chamada Yara, Yara Trexler.

Além do canto hipnotizante de Iara, sua beleza é tão surpreendente que os humanos ficam cegos se a olharem diretamente. É o que acontece com Pedrinho, mas ele tem a visão recuperada pelo Saci. E outro elemento necessário para desfazer a bruxaria da Cuca é uma flor que os dois encontrarm dentro da casa com a qual conseguem reverter o encanto.

Enquanto isso, Emília foi deixada pendurada no varal para secar ao sol. Ela é a única que não viu o Saci, mas recebeu um presente dele, deixado na casa do Tio Barnabé.

O filme O Saci foi lançado no dia 10 de setembro de 1953, cinco anos após a morte de Monteiro Lobato, e se tornou um sucesso comercial ajudando a popularização da obra de Lobato entre as crianças e adultos.

Em 1954, o filme seria apresentado em Cannes e no Festival de Cinema Infantil de Veneza, porém, devido a uma série de contratempos as amostras não aconteceram.

O Saci teve uma segunda estreia no Amazonas Film Festival, na ocasião do 50º aniversário do início das filmagens.

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Todas as séries animadas e filmes do He-Man


Em 2009, a Sony adquiriu os direitos de Mestres do Universo e desde então alguns nomes foram apresentados na imprensa para dar vida ao homem mais poderoso do universo. A produção do filme tinha sido anunciada pela Netflix em 2019 com previsão de estreia para 2021, e teria o ator Noah Centineo como He-Man, depois teriam trocado ele pelo ator Kyle Allen, mas nem chegaram a iniciar as filmagens e cancelaram devido a cortes no orçamento.


Em 2024, anunciaram que a Amazon Prime Vídeo pegou o projeto e que o ator Nicholas Galitzine ficaria com o papel de He-Man e no dia 22 de janeiro de 2026, foi lançado o trailer anunciando a data de lançamento que será no dia 5 de junho.


O principe Adam separado de sua espada mágica, aos 10 anos de idade, cresceu na Terra e quase vinte anos depois retorna a Eternia para enfrentar as forças malignas do Esqueleto e assumir seu destino como He-Man, o homem mais poderoso do universo. O esqueleto é interpretado por Jared Leto.


O He-Man e os Mestres do Universo foi lançado como uma linha de brinquedos da Mattel, em 1981. Os primeiros bonecos da franquia foram o próprio He-Man, sua montaria Gato Guerreiro e seu aliado Mentor como a equipe do bem. Já do lado dos vilões tinha o Esqueleto e seu ajudante Homem-Fera. A primeira leva dos brinquedos eram acompanhados por gibizinhos, eram quatro histórias escritas por Donald F. Glut com ilustração de Alfredo Alcala apresentando o mundo de Eternia e o dilema da espada do poder.


O personagem foi criado pelo designer Mark Taylor, mas foi Roger Sweet, designer da Mattel, que escolheu o nome He-Man e apresentou três versões diferentes do boneco. Um era um soldado, o segundo era um astronauta e o terceiro um bárbaro. O Gato Guerreiro teve a forma reaproveitada de outra linha de brinquedo e pintado de verde para não parecer cópia e quando disseram que ele era muito grande e parecia um cavalo ao lado do He-Man, o diretor da empresa pediu que criassem uma cela e armadura para oficializa-lo como montaria do herói.


E mesmo depois de ter sido escolhido, o boneco teve várias versões até chegar no modelo aprovado. No trailer do filme de 2026, Adam tenta retirar a espada das mãos de uma das versões apresentadas. O cabelo loiro do He-Man foi decidido no último instante, até então, o personagem usava um capacete viking.


He-Man é caracterizado por sua força sobre-humana e existem várias afirmações de que a inspiração na construção do boneco teria sido Arnold Scharznegger que interpretou o bárbaro Conan, em 1982.


A linha original dos brinquedos durou até 1988, contabilizando mais de 70 figuras entre heróis, vilões, criaturas, veículos, cenários e acessórios. E antes ainda de estrear na TV como desenho animado, He-Man e os Mestres do Universo foi lançado como história em quadrinhos pela Universo DC, a mesma que publica histórias do Super-Man, Batman... O primeiro encontro entre Eternia e o multiverso da editora aconteceu em DC Comics Presents 47, cuja capa mostra He-Man lutando contra Superman com Esqueleto ao fundo, em 1982


Em 1983, a produtora Filmation produziu a animação para a TV que se tornou um grande sucesso. Foram 130 episódios entre 1983 e 1985. Inclusive, em 1985, foi transmitido nas TVs estados-unidenses um especial em cinco partes chamado The Secret of the Sword, que depois foram unidos e convertidos em um filme. Chegou no Brasil com o nome de He-Man & She-Ra - O Segredo da Espada Mágica, e foi apresentado pela Globo como um especial de Natal. Essa foi a estreia de She-Ra na TV.


A sua origem aconteceu exatamente igual ao de He-Man, a Mattel lançou as bonecas da linha Princesas do Poder em 1984, e depois do filme com o He-Man em 1985, She-Ra ganhou sua própria série animada que teve 93 episódios apresentados entre 1985 e 1986.


O He-Man, foi lançado em jogos de video-games também poucos meses depois da estreia do desenho animado, e após o fim da série, em 1986, a Marvel assumiiu a publicação dos gibis. Ao todo foram 13 edições.


E a série em quadrinhos trocou de editora outras vezes, em 2002 foi produzida por Image e MVCreations, em 2011 foi publicada pela Dark Horse Comics, e depois voltou para a DC Comics. No Brasil as histórias foram publicadas pela editora Abril entre 1986 e 1988.


E aida nos anos 80, tivemos um filme também, em 1987, justo quando as vendas de todos os produtos da franquia começaram a cair. Mesmo assim, a produtora Cannon Films decidiu apostar na força que os personagens demonstraram outrora e produziu um live-action protagonizado por Dolph Lundgren. Ele tinha estreado como ator em 1985, no filme 007 Na Mira Dos Assassinos, e no mesmo ano interpretou o lutador Ivan Drago em Rocky IV. He-Man foi o seu terceiro papel no cinema e, detalhe, sem falar fluentemente o inglês.


O filme conta a história de dois adolescentes que conhecem He-Man em sua passagem pela Terra com a missão de resgatar uma chave cósmica capaz de abrir portais e salvar o universo de seu inimigo, o Esqueleto. A estreia nos Estados Unidos aconteceu em 7 de agosto de 1987, e foi um grande fracasso, arrecadou 17 milhões de dólares, cinco milhões a menos do que seu orçamento.


O filme começa em Eternia, mas se passa quase todo na Terra justamente para economizar na produção de cenários. E o orçamento acabou antes do filme ser concluído, a batalha final entre He-Man e Esqueleto quase ficou de fora, foi concluída porque o diretor abriu mão de seu cachê para finalizar as gravações. Se tivesse feito sucesso teria uma continuação, como não fez, o roteiro da sequência foi adaptado e lançado como Cyborg - O Dragão do Futuro, estrelado por Jean Claude Van Damme.


Em 1990, a Mattel lançou uma nova coleção de bonecos com o elenco todo reformulado, somente He-Man e o Esqueleto continuaram os mesmos, mas com visual diferente. E teve também uma nova série de animação produzida pela Jetlag Productions, mas não fez muito sucesso e teve apenas 65 episódios.


Em relaçã aos brinquedos, teve lançamento em 2002, em 2008, em 2020... E os games foram lançados em 2002, em 2005, em 2012, e em 2016. Os desenhos animados também ganharam novas versões em 2002 pela Cartoon Network com 39 episódios.


Em 2021, a Netflix apresentou uma nova série lançada em três partes, a primeira em julho com 5 episódios, a segunda em novembro do mesmo ano com outros 5 episódios e, em 2024, chegou na plataforma a terceira parte com mais 5 episódios.


O visual do príncipe Adam parece bastante os quadrinhos da DC, ele é bem diferente de quando está transformado em He-Man, é magro, normal... E aí quando se transforma vira em um monstro.