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Vampiros dos anos 90

Na década de 1990 aconteceu uma infestação de vampiros nos cinemas e na televisão. Eles estiveram presentes em telenovelas, séries e filmes, mas eles sempre estiveram entre nós. Existem registros históricos de dois curtas-metragens que se perderam no tempo, um deles é o francês Le Manoir du Diable de 1896, que apresenta uma transformação de morcego em humano, e é considerado o primeiro filme com elementos vampíricos, embora seja focado na figura do demônio Mefistófeles. E o outro é um filme húngaro chamado Drakula Halála de 1921, que significa: A Morte de Drácula. Mas infelizmente os rolos dos filmes desapareceram da história.

O primeiro longa-metragem está no Youtube, Nosferatus de 1922, que é um plágio do livro Drácula de Bram Stoker, lançado em 1897. Como a produção não conseguiu os direitos autorais para fazer a adaptação, simplesmente alteraram os nomes dos personagens e o local onde a trama se desenrola. Obviamente as semelhanças foram percebidas de imediato, então, a viúva de Bram Stoker processou a produtora e a justiça ordenou a destruição de todos os negativos e cópias do filme, mas felizmente, algumas cópias sobreviveram.

Depois, em 1931, foi lançado o filme Drácula, que teve como base uma peça teatral da Brodway que, por sua vez, era uma adaptação do livro Drácula de Bram Stoker. O ator Bela Lugosi que já interpretava o protagonista no teatro interpretou no filme também. Mas, ao invés de fazer o papel de um velho de bigode como descreve o livro, ele fez um vampiro galã, de terno e capa preta, que virou a referência do personagem até hoje.

Em 1979, quando o livro Drácula de Bram Stoker já tinha entrado em domínio público, o filme Nosferatu refeito e, então, alguns personagens usam os nomes originais do livro, mas o título e a estética fazem uma homenagem ao filme proibido e tem elementos distintos tanto do filme Nosferatu de 1922, quanto do livro Drácula de Bram Stoker. E em 2024 foi lançada nova versão de Nosferatu com elementos de outros filmes de terror, além da história principal.

O ponta pé das obras vampirescas de 1990 começa com Vamp, que estreou no dia 15 de julho de 1991. Como citado no vídeo sobre a novela, as inspirações de Antônio Calmon foram os filmes: A Noviça Rebelde e Sete Mulheres para Sete Irmãos como a base para o arco da família Rocha. Além da comédia A Dança dos Vampiros e O Poderoso Chefão. No entanto, pode-se perceber influências de outras obras, inclusive do clássico Drácula de Bram Stoker cujo filme só foi lançado quando a novela já tinha acabado. Mas o livro já tinha quase um século e o fato de Vlad reencontrar a sua amada Eugênia reencarnada como Natasha é o cerne do romance de Bram Stoker.

Antes de Drácula estrear teve outros filmes que saíram na frente em 1992. No dia 31 de julho estreou nos Estados Unidos Buffy - A Caça Vampiros. Trata-se das aventuras de uma jovem que faz parte de uma longa linhagem de guerreiras conhecidas como Caçadoras, as escolhidas para caçar e destruir vampiros, demônios e outros seres das trevas. A ideia da série surgiu para subverter o papel da garotinha loira que costuma ser a primeira a morrer nos filmes de terror estados-unidenses. O diretor resolveu transformar esse arquétipo de debilidade em uma heroína.

O filme não foi lançado nos cinemas brasileiros, foi direto para as vídeos-locadoras, e em 10 de março de 1997, estreou na televisão estados-unidenses a série Buffy - A Caça Vampiros, que teve sete temporadas. No Brasil, a série foi transmitida pela Globo a partir de outubro de 1998.

O segundo filme foi Inocente Mordida que chegou nos cinemas no dia 25 de setembro e conta a história de uma vampira solitária, em Pittsburgh na Pensilvânia, na região conhecida como pequena Itália, que ataca integrantes de uma gangue italiana. Como eles vivem em confronto com outros grupos e também com a polícia, o sumiço de um ou outro mafioso não faz diferença.

Mas em um dado momento ela precisa interromper o seu jantar para fugir e a vítima fica viva e se converte em vampiro. O cara era o chefão da gang que resolve converter todos os seus comparsas em vampiros também e, então, ela, a vampira que provocou tudo isso, se une a um policial para caça-los.

E só no dia 25 de dezembro de 1992 é que chegou nos nossos cinemas o filme Drácula de Bram Stoker. Eu vi o filme, adorei. Li o livro, amei. E acho um dos raros filmes que ficou melhor do que o livro. Porque o filme é uma história linear e o livro é como se fossem cartas, relatos. É muito interessante, mas não causa o mesmo impacto do filme.

Esse romance tem várias versões e a obra original foi inspirada em vários relatos e mitos folclóricos, inclusive no Vlad III, que governou a Valáquia, atual Romênia, no século 15, que ficou conhecido como Vlad, o Empalador. Ele enfiava uma lança de madeira no reto dos seus inimigos e deixava o cara espetado ao ar livre, deslizando aos poucos, agonizando até morrer. Era cruel. Tem um filme do ano 2000, chamado Príncipe das Trevas - A História Real de Drácula, que remonta o mito original do qual Bram Stoker teria se inspirado, mas vários historiadores modernos dizem que o autor sabia pouquíssimo sobre Vlad.

Tanto na pseudo-história real, quanto no filme. O Drácula, que era cristão, se rebela contra Deus depois que sua esposa se mata ao saber que ele tinha sido dado como morto em uma batalha. Então, ele perambula pela Terra até encontrar sua amada reencarnada e tenta reconquista-la, mas nesse período da história ele acaba sendo derrotado. 

E um detalhe interessante, a fraqueza dos vampiros ao Sol, esse conceito da luz solar ser fatal para eles nasceu no filme Nosferatu. No livro original de Bram Stoker, ficava mais vulnerável durante o dia, razão pela qual se trancava em um caixão, mas não morria com a luz natural. Já no filme, tudo acontece a noite.

A produção seguinte chegou nos nossos cinemas em 16 de dezembro de 1994, o filme Entrevista com o Vampiro, baseado no livro da romancista Anne Rice, de 1976. A obra centra no personagem Louis de Pointe Du Lac, que conta a história de sua vida de 200 anos a um repórter conhecido simplesmente como o rapaz. Ele vivia atormentado pela morte de seu irmão e buscava a morte de todas as formas até que foi convertido em vampiro por Lestat de Lioncourt. Os dois se tornam companheiros, mas entram em conflito sobre a maneira de tratar as pessoas e se separam.

Lestat é dado como morto, no entanto, reaparece porque ele é o protagonista da série de livros, são treze títulos ao total. E na última cena de A Entrevista Com o Vampiro toca a música Sympathy For The Devil, o hit da Natasha, na voz de Guns N'Roses.

No dia 26 de abril de 1996, chegou em nossos cinemas o filme Um Drink no Inferno, dirigido por Robert Rodriguez e escrito por Quentin Tarantino. Com George Clooney e o próprio Tarantino nos papeis principais. Eles interpretam os irmãos Seth e Richie Gecko que fogem do F.B.I. após roubarem e destruírem uma loja de bebidas onde cometem outra sequência de crimes e acabam parando em um bar em uma estrada no meio do nada, onde as stripers são vampiras. Quem conhece o jeito Tarantino de fazer filmes sabe que sempre tem sangue jorrando para todo lado.

No dia 30 de outubro de 1998, estreou nos nossos cinemas o filme Blade - O Caçador de Vampiros que foi baseado nas histórias em quadrinhos de Marv Wolfman e Gene Colan para a Marvel, com Wesly Snipes no papel principal. A mãe de Blade tinha sido mordida por um vampiro e morreu no parto, então, ele tem adquiriu a força sobre-humana dos vampiros, mas luta contra eles com a ajuda do caçador Whistler. O filme teve outras duas sequências, além de uma série de televisão.

E chegamos ao final da década com Vampiros de John Carpenter's, um filme de 1998 que só estreou no Brasil no dia 16 de abril de 1999. Trata-se de uma adaptação do romance Vampiros, escrito por John Steakley, com James Woods, Daniel Baldwin, Sheryl Lee e Thomas Ian Griffith nos papeis principais. Diferente dos outros que estão concentrados em grandes centros, independente da época em que a história se passa, esse filme acontece no velho oeste estados-unidenses, mas se trata de uma equipe de caçadores de vampiros, nesse caso, patrocinada pelo Vaticano.

O filme também teve duas sequências, uma em 2002 e outra em 2005. Ou seja, na década de 2000 as criaturas de dentes pontiagudos continuaram atacando. Teve série de filmes, séries para a televisão, e outra telenovela, O Beijo do Vampiro, do mesmo autor de Vamp, que também tem vídeo aqui no canal.

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Quem deu vida a Emília (de 1952 a 2025)

Criada como uma simples boneca de pano, Emília ganhou vida e nunca mais ficou quieta! Irreverente, curiosa e cheia de opiniões, ela questiona tudo e todos, da ciência aos contos de fadas, sempre com muito humor e uma pitada de travessura. A personagem é uma boneca de pano feita por Tia Nastácia para a menina Narizinho brincar. Ela era muda, mas tomou uma pílula falante receitada pelo dr. Caramujo e começou a tagarelar sem parar.

Emília tem o corpo recheado com macela, uma planta medicinal muito comum no Sul do Brasil que pode ser usada para fazer chás calmantes e digestivos e ajuda a aliviar tosse e congestão. E as flores secas ainda podem ser usadas como enchimento de travesseiros porque ajuda a relaxar e dormir melhor devido o seu aroma delicado. O curioso é que a Emília vai na contra-mão desse efeito,ela é agitada e impaciente.

Emília é muito inteligente e, segundo as obras de Monteiro Lobato, o outro personagem também muito inteligente, o Visconde de Sabugosa, descreve a boneca como a portadora de um conhecimento enciclopédico, mas ela é também uma tirana sem coração, é a criatura mais interesseira do mundo que só pensa em si, na vidinha dela, nos brinquedos dela... 


Lúcia Lambertini

A primeira Emília a surgir em uma adaptação foi vivida por Lúcia Lambertini na versão do Sítio do Picapau Amarelo feita pela TV Tupi em 1952, dois anos, apenas, depois da estreia da televisão no Brasil.


A série era apresentada uma vez por semana, ao vivo, e se limitava a varanda da casa da Dona Benta. Ficou no ar até 1962 e, depois, em 1964 ela levou a série para a TV Cultura.

Lúcia Victória Lambertini nasceu em São Paulo, no dia 26 de junho de 1926. Então, quando deu vida à Emília ela já tinha 26 anos, e essa foi a sua primeira personagem na televisão. Depois interpretou várias personagens em especiais, telenovelas, teleteatros e filmes também. Na década de 1960 passou a escrever e dirigir para a TV Cultura e para a Excelsior. Ela partiu para outros planos no dia 23 de agosto de 1976, vítima de uma parada cardíaca após uma cirurgia aos 50 anos.


Dulce Margarida

A segunda Emília foi Dulce Margarida, que substituiu Lúcia Lambertini por duas vezes na versão de 1952, da TV Tupi, uma vez na ocasião do seu casamento e outra durante sua gravidez.

Dulce Margarida Oliva nasceu na cidade de Casa Branca, em São Paulo, no dia 22 de março de 1933, ela começou a fazer teatro 1952 e atuou em diversas obras nos palcos e na televisão, em diversos canais.


Olga Maria Manso

A terceira Emília, que pode ser considerada a primeira também, é Olga Maria Manso. Ela nasceu em 1946, e desde os seus dois anos e meio de idade cantava no programa Clube Papai Noel da Rádio Tupi, o que lhe proporcionou ser escolhida para dar vida a Emília no filme O Saci quando tinha seis anos.

As filmagens começaram em 1951, por isso ela pode ser considerada a primeira Emília, já que, na televisão, Lúcia Lambertini estreou no papel em 1952. 

Mas como o filme só estreou em 1953, Lúcia Lambertini e Dulce Margarida já tinham interpretado a personagem na TV Tupi, então, depende da intepretação de cada pessoa se Olga foi a primeira ou a terceira Emília da história. E outro detalhe, único, da intepretação de Olga Maria, é que sua voz foi dublada no filme por Vilma Bentivegna (foto abaixo).

Como na época não existiam os recursos de hoje em dia para a captação do som, os filmes eram dublados na pós produção. Essa tática foi adotada nos início da década de 1950 e perdurou até meados da década de 1980, e como nem todos os atores eram capazes de dublar, era muito comum que eles tivessem suas vozes dubladas por outros profissionais, como foi o caso da Olga Maria no filme O Saci. Ela seguiu carreira até os seus 12 anos e depois disso preferiu se afastar do meio artístico.


Zodja Pereira

A quarta Emília foi Zodja Pereira, ela nasceu em Natal no dia 5 de dezembro de 1946. Deu vida à Emília na versão do Sítio do Picapau Amarelo da Rede Bandeirantes entre 1967 e 1969.

Depois, atuou em várias telenovelas de diversas emissoras, como TV Record, TV Tupi e TVS. E em 1978 começou a carreia como dubladora.

Em 2007 ela ganhou o Troféu Anime Dreams, entregue por toda uma carreira dedicada a dublagem no Prêmio Yamato. Em 2010 foi indicada ao Prêmio Yamato, que é considerado o Oscar da Dublagem, na categoria de Melhor Direção de Dublagem por Os Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas. E em 2011 ela adquiriu a empresa Central Dubrasil, um estúdio-escola para dubladores.


Leda Zepellin

A quinta Emília foi Ana Maria, artitsticamente conhecida como Leda Zepellin. Ela nasceu no dia 27 de dezembro de 1950. Deu vida a Emília no filme O Pica-pau Amarelo de 1973, aos seus 23 anos.

Na ocasião, ela pintou a língua de branco para aproximar mais a caracterização à boneca. Leda Zepellin foi modelo de publicidades, trabalhou como locutora e dubladora, além de ter atuado em alguns filmes nacionais como: Eu Transo, Ela Transa de 1972, e Salve-se Quem Puder de 1973.

As informações na internet podem se mesclar com as de outra artistas que usou o mesmo nome artístico, a Leda Zepellin que foi Chacrete. A Chacrete faleceu em 1998 por complicações em decorrência do vírus HIV. A Leda Zepellin que deu vida a Emília faleceu no dia 21 de junho de 2025.


Dirce Migliaccio

A sexta Emília foi Dirce Migliaccio. Ela nasceu em São Paulo no dia 30 de setembro de 1933. Já tinha atuado em nove teledramaturgias quando encarnou a Emília na primeira versão da TV Globo em 1977, e ficou durante um ano apenas na série.

Depois voltou a se dedicar às telenovelas e a filmes.

A sua interpretação como Emília ficou marcada porque foi a primeira nessa nova fase na televisão em cores, em um período que a televisão já era mais popular.

Mas ela não quis renovar o contrato para continuar no Sitio no Picapau Amarelo e disse que sofria muito com a roupa e a maquiagem da personagem. 

Ela seguiu sua carreira até setembro de 2008, quando sofreu um AVC e ficou debilitada. Viveu seus últimos dias de vida em uma cadeira de rodas no Retiro dos Artistas e partiu para outros planos no dia 22 de setembro de 2009.


Reny de Oliveira

A sétima Emília foi Reny de Oliveira. Ela nasceu em São Paulo, no dia 28 de dezembro de 1947, e foi a Emília mais marcante, interpretou a personagem entre 1978 e 1982, mas apesar de ter sido uma das Emílias mais queridas do público, a sua aceitação não foi igual na produção da série.

Reny já tinha uma carreira consolidada de atriz com passagem pela Record, Globo, Tupi e TVS e antes dela ter sido a escolhida para o papel a atriz Stela Freitas já tinha sido aprovada, mas depois foi realocada para interpretar a Cuca.

A imagem de Reny ficou tão vinculada a Emília que acabou sendo danoso para sua carreira de atriz e até para o seu emocional. Depois de cinco  anos de muita entrega e um resultado memorável para o público, porém, com desgastes na relação com os colegas de elenco e riscos a sua saúde devido o excesso de maquiagem que ela usava durante muitas horas seguidas, deixou a série para se aventurar em outros trabalhos. Uma das maneiras que encontrou para se desvincular da personagem foi aceitar o convite da Playboy em 1984.

Reny ainda atuou em algumas produções para a TV depois do Sítio do Picapau Amarelo. Ela fez a novela Final Feliz na TV Globo, a novela O Anjo Maldito no SBT, e o programa Nave da Fantasia na Rede Manchete como a Bruxa Gata Na Tuba. Esse foi o infantil que a Simony apresentou durante um tempo e depois foi substituida por Angélica nos últimos meses em que ficou no ar. Foi a estreia da Angélica na TV.

Depois disso, Reny abandonou a vida artistica, casou-se com um estados-unidenses e se mudou para os Estados Unidos. Em 2006, mudou-se para o Canadá e se separou em 2010. Ela se tornou professora de Yôga e procura viver no anonimato.


Suzana Abranches

A oitava Emília foi Suzana Abranches. Ela nasceu no Rio de Janeiro, no dia 3 de janeiro de 1961. A sua estreia na TV foi com o papel de Emília que quase não deu certo. Ela disse em uma entrevista que ligaram para ela e disseram que estavam fazendo um teste pra Emília e que ela deveria fazer, mas quando ligou para a produção da Globo lhe responderam que os testes já tinham terminados.

No entanto, Suzana não se convenceu e procurou o diretor Geraldo Casé que a autorizou a fazer o teste que aconteceu, segundo ela, junto com muita gente mais experiente do que ela. E reconhece que seu desempenho não foi necessariamente o melhor, mas acabou sendo o mais se aproximava do que a direção da emissora procurava na ocasião. Um dos pontos altos acabou sendo sua piscada de olho, uma coisa que nenhuma das atrizes tinha feito.

Suzana interpretou a Emília entre 1983 a 1986, ou seja, até o fim da série na televisão. Depois disso ela atuou em diveras teledrameturgias na Rede Manchete, na Rercord, na Band, no SBT e na TV Globo. Além de filmes e peças de teatro.


Isabelle Drummond

A nona Emília foi Isabelle Drummond. Isabelle Christine Lourenço Gomes Drummond nasceu na cidade Niterói, no Rio de Janeiro, no dia 12 de abril de 1994. Antes de dar vida a boneca de pano, ela fez uma participação na novela Laços de Família, em 2000, no episódio de 7 de junho. No mesmo ano, participou do episódio: O.T.A. / Franca do programa Linha Direta. E também integrou o enorme elenco do filme Xuxa Popstar. Em 2001 interpretou a Rosicler Maia na minissérie Os Maias.

Quando Isabelle foi fazer o teste de elenco seria para o papel de Narizinho, no entanto, ela tinha recebido as falas da Narizinho e da Emília e como não sabia qual deveria decorar, decorou os dois, mas como as falas da Emília eram mais interessantes ela já chegou no estúdo recitando o texto. O diretor, ao vê-la, não teve dúvidas e a escalou para interpretar a Emília. Detalhe, as outras atrizes que fariam, ou fizeram o teste, eram todas adultas.

Coincidentemente Isabelle tinha apenas um ano a mais do que a primeira Emília criança que foi interpretada por Olga Maria no filme O Saci, em 1953, e sua caracterização ficou bem parecida.

Ela foi a Emília mais longa de todas as adaptações, interpretou a personagem entre 2001 e 2006, dos sete aos 12 anos de idade. E depois deu continuidade em sua carreira como atriz sempre na TV Globo, além de fazer filmes, dublagens e peças de teatro.


Tatyane Goulart

A décima Emília foi Tatyane Goulart, ela nasceu no Rio de Janeiro, no dia 18 de outubro de 1983. Sua estreia na TV aconteceu em 1991 na telenovela Felicidade e depois atuou em diversas obras entre novelas, seriados e programas de TV, como Você Decide e Malhação, além de apresentar o Globo Ciência entre 1998 e 1999.

Tatyane assumiu o papel de Emília quando o Sítio do Picapau Amarelo passou por uma grande adaptação em 2007 e que, infelizmente, foi a última temporada da série. Sua caracterização lembrava bastante a Emília de Leda Zepellin no filme de 1973.

Depois do Sítio do Picapau Amarelo, Tatyane fez participações nas séries Casos e Acasos e Guerra e Paz, e na minissérie Cinquentinha, além de apresentar a TV Globinho.

Em 2013, atuou na novela Pecado Mortal da Rede Record e em seguida resolveu se dedicar a dublagem no MG Studios, o qual também passou a administrar em 2016. No entanto, ainda protagonizou uma peça de teatro em 2017 e atuou na novela Gênesis da Record, em 2021.


Isabella Guarnieri

A décima primeira Emília foi Isabella Guarnieri. Ela nasceu em São Paulo, no dia 30 de setembro de 2000.

Mas diferente das outras Emílias, ela não se caracterizou de boneca, apenas emprestou a voz na série animada que passou entre 2012 e 2016.

Nesse caso, a Vilma Bentivegna que dublou a Olga Maria no filme O Saci não deveria ser considerada uma Emília também? Eis a questão.


Débora Gomez

A décima segunda Emília foi Débora Gomez. Ela nasceu em Lavras, no estado de Minas Gerais, no dia 24 de julho de 1981. Débora estreou na TV em 2003, na novela Canavial de Paixões, e depois atuou em várias novelas da emissora, além de outras da Record e de ter sido contratada pela TV  Globo após ter sido chamada para a Oficina de Atores. Em 2008, ela ganhou o Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema Latino de Curitiba pelo filme Fronteira.

A sua versão de Emília lembra muito a Renny de Oliveira, a segunda Emília na primeira versão da Globo. Não tanto pelo figurino, mas, mais pela interpretação.

Em 10 de outubro de 2021, vinte anos depois do lançamento da quinta versão do Sítio do Picapau Amarelo na Globo, foi ao ar no Programa Silvio Santos uma pegadinha voltada ao público infantil com os personagens da obra de Monteiro Lobato. Desde 2019, as obras de Monteiro Lobato entraram em domínio público. Quer dizer que qualquer pessoa pode fazer uso das obras sem precisar pagar direitos autorais.


Lindainês Deterling

Em 2023, o SBT resolveu fazer algumas alterações na plataforma SBT Vídeos e mudou o nome para +SBT e, devido a boa recepção das pegadinhas com a turma do Sítido do Picapau Amarelo, a emissora deu início a produção de uma nova série com os personagens. Essa nova série do +SBT proporcionou o surgimento da décima terceira Emília, a Lindainês Deterling que nasceu em Divinópolis, em Minas Gerais, e já era fã da Emília desde criança.

A sua escolha para intepretar a personagem aconteceu depois de o diretor Jefferson Candido te-la visto em uma participação no programa Silvio Santos com a Patricia Abravanel e procurado suas redes sociais onde a viu caracterizada de Emília. Lindainês montou uma empresa de animação e se apresenta caracterizada de personagens infantis, a Emília é uma delas.

A razão de Jefferson Candido ter procurado por Lindainês é que em 2022 a turma do Picapau Amarelo tinha confirmado presença na CCXP em São Paulo, um evento geek, mas Débora Gomez tinha sido mãe recentemente e não poderia cumprir com a agenda. Então, ela foi convidada para fazer apenas essa participação.

Como as roupas e a peruca da personagem se encaixaram perfeitamente em seu corpo e sua interpretação foi perfeita ela recebeu outro convite. Participou do episódio Substântivo Próprio atuando ao lado de Débora Gomez, além de ter gravado outras participações em outros papeis na série, e ter sido eleita a representante oficial do Picapau Amarelo em enventos e em programas de televisão.

Em julho de 2025 ela fez uma participação no Bom Dia & Cia com o Patati e Patatá e alavancou a audiência do programa. Depois disso acabou fazendo parte oficialmente do infantil. A intepretação da Lindainês consegue ser mais parecida com a Emília de Renny de Oliveira, mas para incorporar a personagem ela não se limitou somente a uma atriz, estudou detalhadamente todas as versões da Emília e o resultado é digno de aplausos.

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Hilda Furacão - Tieta - Dona Beja

Em 1998, a TV Globo apresentou a minissérie Hilda Furacão com Ana Paula Arósio interpretando a personagem que abandona o noivo no altar e se refugia em um bordel tornando-se a mulher mais desejada do local, mas que se apaixona por um religioso. A personagem foi inspirada em Hilda Maia Valentim que nasceu em Recife, no dia 30 de dezembro de 1930.

Hilda migrou ainda muito pequena com a família para a capital mineira, no entanto, a história real se difere da ficção. Seus pais tinham um bom poder aquisitivo e Hilda era uma jovem de alma livre, ela queria desbravar os bairros boêmios da capital mineira e foi assim que se tornou famosa como Hilda Furacão. O apelido foi dado devido a sua reputação de mulher de temperamento impulsivo e da tendência a se envolver em brigas com clientes e colegas.

Frequentando a zona boêmia de Belo Horizonte, mais precisamente no Hotel Maravilhoso, na rua Guaicurus, ela conheceu o jogador do Atlético Mineiro, Paulo Valentim, com quem se casou no final da década de 1950, transformando-se assim na senhora Hilda Maia Valentim. Ou seja, ela não se envolveu com nenhum padre. Com Paulo, devido as suas transferências de clube de futebol, Hilda morou em Buenos Aires, em São Paulo, e na Cidade do México, sempre acompanhando o marido, que jogou no Boca Juniors, no São Paulo e no Atlante.

Após a aposentadoria do jogador, os dois fixaram residência em Buenos Aires e então as coisas começaram a desandar. Paulo se envolveu com jogos e álcool perdendo tudo o que tinha conquistado e, então, mudaram-se para o México onde Hilda tinha que trabalhar como faxineira e costureira para sustentar a casa.

Ela sempre foi fiel ao marido, que faleceu em 1984. E após a morte do filho de ambos, Hilda foi morar em um asilo no bairro de Barracas, em Buenos Aires onde faleceu no dia 29 de dezembro de 2014, na véspera do seu aniversário de 84 anos.

Em 1989, Aguinaldo Silva adaptou para a TV a obra de Jorge Amado sobre a vida de Tieta, uma cafetina que voltou a sua cidade natal e colocou a cidadezinha de pernas para o ar. Ninguém seguiu sua vida normal depois de travar contato com ela, nem mesmo sua irmã Perpétua que não sossegou enquanto não descobriu a verdadeira ocupação da irmã na capital. O verdadeiro nome de Tieta é Antonieta e Jorge Amado tomou conhecimento de sua história em 1974, quando esteve na cidade de Assis, em São Paulo, para visitar um primo que era médico na cidade.

Durante essa viagem, o escritor esteve na casa de Antonieta que já era uma famosa cafetina. Ela nasceu em Jaú, também em São Paulo, e foi para Assis para trabalhar como empregada doméstica, mas acabou se tornando uma (kenga) na casa de Antônia de Assis, que depois passou a ser sua maior concorrente.

Antonieta foi montando pequenas casas de mulheres até se tornar dona de um dos maiores bordéis do interior. Diferente da personagem da TV e do Cinema, ela era muito discreta e todas as moças que se vendiam queriam morar em sua casa porque eram todas bem tratadas. Os lucros vinham do bar e do aluguel dos quartos para os fregueses, o que cada moça cobrava pelo trabalho, era delas.

Elas tinham roupas diferentes para trabalhar, para ir à cidade, para ir à missa, ou para qualquer outra atividade. No trabalho na casa de Antonieta, a estratégia era fazer os homens beber o máximo possível e eles só podiam ficar no quarto por no máximo 20 minutos. As moças eram obrigadas a ir ao médico todos os meses e eram aconselhadas a que pensassem mais nelas mesmas.

A casa de Antonieta era frequentada por homens de todo o Estado e promovia shows com artistas respeitado, como Ângela Maria e Nélson Gonçalves. Olha o nível. Antonieta faleceu no dia 18 de setembro de 1994, e depois de sua morte, seus sobrinhos tentaram tocar o bordel, mas as casas acabaram mudando para fora da cidade e nunca mais foi a mesma coisa, apesar de a maneira de administrar os negócios ter sido preservada até os dias de hoje. 

É bem provável que a inspiração da TV Globo para produzir Tieta como um folhetim das 20h30 tenha sido o sucesso da novela Beija da Rede Manchete, de 1986. O folhetim contou a história de Ana Jacinta de São José, baseada nos acontecimentos de sua vida, conhecida como Dona Beja na região.

Ana Jacinta nasceu no dia 2 de janeiro de 1800, em Formiga, uma capitania de Minas Gerais da época do Brasil Colônia. Ela ficou famosa pela influência que exercia na política e na sociedade de Araxá onde chegou com a mãe e o avô em 1805. Ela tinha uma beleza invejável e em 1815 foi raptada pelo ouvidor do rei, Joaquim Inácio Silveira da Motta, e levada a Paracatu.

Seu avô acabou sendo morto pelo governador enquanto tentava evitar seu sequestro. Ela viveu como refém e voltou ao Rio de Janeiro a pedido de Dom João VI, mas ao chegar em Araxá não foi recebida como vítima e sim como uma mulher sedutora de comportamento questionável que oferecia um grande risco aos valores éticos da época. Ela decidiu montar um bordel e o nomeou Chácara do Jatobá. 

Em relação ao que aconteceu de fato com Beja é difícil afirmar com precisão porque tem versões distintas na internet. Em algumas delas diz que seus filhos, oriundos de agressões, eram três, dos quais um era menino. Mas em outros registros constam apenas duas meninas e a ordem dos pais, de acordo com a idade delas, também não coincidem.

Um desses registros, mais confiáveis, segundo o jornalista Pedro Divino Rosa, a primeira filha de Dona Beja nasceu do fruto de uma relação que ela teve com um padre, o Francisco José da Silva, que reconheceu a filha. Em relação a isso tem documento no Museu de Araxá.

Em 1853, Beja se mudou para Estrela do Sul, que na época era chamada Bagagem, para explorar garimpos de diamantes e, lá, participou ativamente da vida econômica e política local. Ela teve muita influência política na cidade e emprestou dinheiro para construir uma ponte sobre o Rio Bagagem para que a procissão da santa de sua devoção pudesse passar pela sua porta. E ao contrário da imagem de riqueza permanente, o fim da vida de Dona Beja foi marcado pela perda de patrimônio.

Ela faleceu em 20 de dezembro de 1873, de nefrite, uma inflamação nos rins que desencadeia uma série de outros problemas no corpo, com poucas posses. Foi enterrada em um caixão decorado com zinco, que pode ser o mesmo encontrado em junho de 2011 durante uma escavação para a construção de um chafariz, onde havia o antigo cemitério em Estrela do Sul. 

Hoje em dia existe um museu em seu nome, o Museu Dona Beja situado em Araxá. E a novela da HBO Max não é a primeira releitura da obra de 1986, em 2010 foi feito um remake em espanhol pela Telefutura de Colômbia intitulado Doña Bella.

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