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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Não levantarás falso testemunho.

É assustador o volume de postagens, comentários e reações agressivas a respeito de coisas que muitas vezes são banais na internet. A julgar pelo comportamento de muitas pessoas, penso que essas descobriram a internet a pouco tempo, pois os mais experientes não caem com tanta facilidade em pegadinhas como compartilhar correntes no Whatsapp para alguém com problemas de saúde ganhar dinheiro só com a propagação de sua desgraça. Isso surgiu no tempo e-mail, continuou no Orkut, chegou no Facebook e continua no aplicativo de mensagem. Pasmem.

Outra coisa é a ingenuidade de acreditar nas matérias falsas e sensacionalistas que  se propagam muitas vezes como piada, mas que sempre tem aquelas pessoas que levam a sério. O pior é que algumas vezes a intenção desses posts é realmente prejudicar alguém ou algo, como a enxurrada de críticas distorcidas a respeito do artista que estava vulnerávelmente nu e imóvel em um museu de São Paulo e foi duramente julgado de pedófilo porque uma mãe estimulou sua filha a interagir com o ator, como era a proposta da mostra. Já que não ouve nem uma investida do cara contra a criança, o que não caracteriza um assédio, ele é a única vítima, pois foi o único alvo de ataques, ameaças e difamações.

Pois bem, quero pegar essa história para dar um exemplo de como as ações da maioria das pessoas não condizem com suas ideologias.

Primeiro. Um amigo muito querido, mas inegavelmente ingênuo e desinformado compartilhou um post com montagens grosseiras a respeito do ocorrido no Museu de Arte Moderna em São Paulo afirmando que o ator da peça que tanto gerou polêmica teria sido preso, e eu fiz um comentário em sua postagem alertando que aquilo não era verdade e que ele precisa averiguar as fontes antes de compartilhar algo, pois tem sites especialzados em criar notícias falsas. Embora eu acredite que aquele post tenha sido mais uma maldade gratuita de alguém que só queria ver o circo pegar fogo. O fato, é que compartilhar notícias como essa fere o 8º Mandamento da Lei de Deus, no cristianismo, que pede para que o cristão "não levante falso testemunho", ou seja, que não minta, e eu sei que ele é um cristão convicto e praticante de sua religião.

Segundo. Uma pessoa que temos amizade em comum, e que também é uma cristã convicta e praticante da sua religião, respondeu o meu comentário dizendo que era uma pena a notícia não ser verdade porque ela queria que o ator fosse linchado. Lin-cha-do!

Fiquei perplexo. Mas nem devia, né?

Eu a respondi que essa atitude não é coerente com a sua fé e que não foi esse o ensinamento de Jesus que sempre pregou o amor e a compaixão. Bem, tal atitude fere o 5º Mandamento da Lei de Deus que é "Não matar" e vai totalmente em direção oposta aos ensinamentos bíblicos, como descrito no livro de Mateus, capítulo 7, versículo 1: "Não julgueis, para que não sejais julgados".

Sem mais, esse é só um exemplo da realidade atual, de uma geração que provavelmente repete os mesmos costumes de gerações passadas, mas que agora tem uma arma em potencial nas mãos que se chama internet com um letal projétil chamado rede social. Pessoas que continuam, como tantas outras de períodos passados, matando em nome da moral, dos bons costumes e da fé, mas que certamente assassinariam novamente Jesus, se ele voltasse, na base da pedrada e cacetada como tem acontecido sob os registros dos smartphones de quem assiste e nada faz.

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