O Saci - filme

Em 1953, embora em algumas páginas a informação é que tenha sido em 1951, Rodolfo Nanni escreveu e dirigiu o filme O Saci, cuja história desenvolvida por Arthur Neves foi baseada no livro O Saci de Monteiro Lobato, e tem como protagonista o personagem Pedrinho do Sítio do Picapau Amarelo. Essa foi considerada a primeira produção infantil importante do cinema brasileiro e ganhou o Prêmio Saci em 1954.

O Prêmio Saci foi criado em 1951 pelo jornal O Estado de S. Paulo e premiou os melhores filmes brasileiros da década de 1950, era dado anualmente as melhores produções brasileira de cinema, mas no ano seguinte de sua criação, em 1952, passou a englobar as produções de teatro também. Foi a maior premiação do cinema nacional durante as décadas de 1950 e 1960.

A estatueta era o Saci esculpido pelo artista plástico Victor Brecheret e concedido a importantes artistas nacionais ao longo de quase 20 anos. Fernanda Montenegro, Eva Wilma, Tônia Carrero, Jorge Dória, Paulo Autran e Cacilda Becker são alguns nomes que foram contemplados com o troféu.

Quanto ao filme O Saci, Rodolfo Nanni teve a ideia de adaptar o livro após voltar de uma viagem a Paris onde esteve estudando cinema. Ele conheceu o Arthur Neves, sócio de Caio Prado Júnior que, dentre tantos títulos que detinha, tais como sociólogo, historiador, geógrafo, escritor, filósofo e político, era editor, o fundador da Editora Brasiliense que era a detentora dos direitos dos livro.

Arthur Neves começou a escrever o roteiro que, depois, foi continuado por Rodolfo Nanni. As filmagens foram realizadas em Ribeirão Bonito, no estado de São Paulo, e contou com o apoio de toda a população local. O prefeito deixou que usassem um galpão que estava abandonado para ser utilizado como estúdio e as locações internas foram feitas com móveis antigos que as moradores cederam.

O filme é em preto e branco, está bastante escuro, imagino que seja pelo tempo, mas não perdeu a magia. E a trilha sonora é composta por uma música instrumental muito gostosa de ouvir e lembra bastante o filme A Lagoa Azul.

O filme começa com uma narração que descreve um pouco de cada personagem que vive no Sítio do Picapau Amarelo. A primeira mencionada é a Dona Benta, vivida por Maria Rosa Moreira, uma velha de mais de sessenta anos. Detalhe para a interpretação da idade da personagem. Ela é a primeira a aparecer chamando as crianças para comer. A Emília, vivida por Olga Maria, é descrita como a ilustre marquesa de Rabicó que fala até pelos cotovelos e lembra bastante a versão da Globo, de 2001, feita por Isabelle Drummond, a personalidade é a mesma, parece a própria. Apesar de a voz ter sido dublada por outra pessoa já que a atriz tinha apenas seis anos de idade e não se via capaz de fazer a dublagem na pós produção. Essa era uma tática para garantir uma boa qualidade de áudio no cinema antigo. A voz foi feita por Wilma Bentivegna.

Narizinho é interpretada por Aristeia Paula Souza, e na casa, vive também a Tia Nastácia, interpretada por Benedita Rodrigues. Pedrinho, interpretado por Livio Nanni, é descrito como um menino muito valente, tão valente que não tem medo nem de onça, mas depois a Dona Benta o lembra que ele chora de medo de vespa e que tem medo do Saci. Já o Visconde de Sabugosa não existe na trama.

O filme gira em torno da aventura de Pedrinho que pede conselhos ao Tio Barnabé,  interpretado por Otávio de Araújo, para capturar um Saci. Ele aprende a técnica da garrafa, mas tem dúvida do feito, já que não vê o ente através do vidro.

Pedrinho, apesar de ter medo de vespas, caminha pela mata sem medo dos perigos que ela oferece e dorme, é quando, como havia dito o tio Barnabé, que o Saci, interpretado por Paulo Matosinho, se manifesta e inicia uma relação de amizade com o menino. Ele convence o garoto a libera-lo da garrafa em troca de proteção dos perigos da mata, já que o coração da floresta, onde eles estão, é o local onde se encontram vários personagens perigosos, como lobisomens e mulas sem cabeça.

Outra que corre um grande perigo é Narizinho que tem um encontro inesperado com a Cuca, interpretada pelo ator Mário Meneguelli, e se apresenta com a aparência de uma senhora maltrapilha. Ela oferece uma flor a Narizinho que ao cheira-la se converte em pedra.

Tia Anastácia e Dona Benta procuram as crianças até a meia noite, quando Pedrinho toma conhecimento do sumiço de Narizinho e retorna para procura-la. Junto com o Saci, descobre que era coisa da Cuca e a amarram enquanto dormia para faze-la contar o que havia feito com a Narizinho. Para desfazer o encanto eles precisavam de um fio de cabelo da Iara, a nossa sereia de água doce que, coincidentemente foi vivida por uma atriz chamada Yara, Yara Trexler.

Além do canto hipnotizante de Iara, sua beleza é tão surpreendente que os humanos ficam cegos se a olharem diretamente. É o que acontece com Pedrinho, mas ele tem a visão recuperada pelo Saci. E outro elemento necessário para desfazer a bruxaria da Cuca é uma flor que os dois encontrarm dentro da casa com a qual conseguem reverter o encanto.

Enquanto isso, Emília foi deixada pendurada no varal para secar ao sol. Ela é a única que não viu o Saci, mas recebeu um presente dele, deixado na casa do Tio Barnabé.

O filme O Saci foi lançado no dia 10 de setembro de 1953, cinco anos após a morte de Monteiro Lobato, e se tornou um sucesso comercial ajudando a popularização da obra de Lobato entre as crianças e adultos.

Em 1954, o filme seria apresentado em Cannes e no Festival de Cinema Infantil de Veneza, porém, devido a uma série de contratempos as amostras não aconteceram.

O Saci teve uma segunda estreia no Amazonas Film Festival, na ocasião do 50º aniversário do início das filmagens.

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