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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Cataluña e Sul do Brasil - serão novos países?

Desembarquei em Madrid no dia 22 de setembro (2017), conforme descrevi no texto Meus Primeiros Dias na Espanha, e logo fui para Barcelona, o epicentro do ápice de uma polêmica, a independência da Cataluña.
Involuntariamente acabei participando de uma manifestação dos separatistas, na verdade apenas cruzei pela multidão porque não tive outra opção, e isso se repetiu em outras ocasiões, inclusive a parte de ouvir passivamente o panelaço que aconteceu diariamente das 22h às 22h15, após o governo central da Espanha intervir no referendo que foi programado pelos separatistas para o dia 1 de outubro.

Conheço alguns catalães que são contra a independência da Cataluña, e como o voto na Espanha não é obrigatório, eles não foram votar no dia do referendo que aconteceu quase na surdina sob a ação violenta da polícia, para não dar créditos ao evento que diante da legislação do país foi ilegal. E até o dia 9 de outubro só os separatistas faziam barulho e isso realmente me preocupava, até que finalmente a população foi para as ruas também e conseguiu juntar o mesmo número de pessoas que saíram de suas casas apoiando a independência no dia 25 de agosto. Embora só tenham feito isso quando viram que os políticos envolvidos estavam indo longe demais.

Aproveitando o barulho da Europa, os separatistas do Brasil resolveram promover um referendo informal para decidir sobre a separação dos estados do sul, do restante do país, isso existe há muito tempo, e tal como os espanhóis rebeldes, os brasileiros ignoraram as pesquisas já feitas onde mostram que a maioria das pessoas não estão interessadas nessa divisão. Mas se a criação de um novo país for realmente importante, então que vejam as consequências que a Cataluña já começa a sofrer. Em Barcelona, dois grandes bancos e a empresa de gás que abastece a cidade mudaram suas sedes para Madrid, e outras empresas já se pronunciaram dizendo que farão o mesmo. Ou seja, se a Cataluña se tornar um país, certamente não terá o apoio da União Europeia e ainda perderá boa parte das grandes empresas que abastecem a região. Isso não é nada bom e até o brilho do orgulho ferido perderá seu esplendor com o passar do tempo.

Na Europa as bases são mais sólidas, a história é mais robusta e os loucos do hemisfério norte são mais insanos do que os separatistas do Brasil, que parecem amadores lutando por uma causa que se assemelha a um briga de garotos para ver quem tem mais bolinhas de gude na rua, quando o assunto é comparado ao que está acontecendo na Espanha. Mas acredito que se essa separação fosse levada a sério o desastre seria na mesma proporção que a Cataluña está prestes a sofrer, ou pior.

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