ARQUIVO.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Rede Manchete.

A Rede Manchete chegou a ser a 2ª maior emissora do país.
Com uma grande preocupação pela programação de qualidade, perdeu-se pelo caminho e se tornou apelativa.
A emissora tem um lugar especial reservado na memória daqueles que passaram pelos anos 80. A tv dos anos 2000 saiu do ar em 1999.

Adolpho Bloch, foi um jornalista e empresário ucraniano naturalizado brasileiro, dono de um conglomerado de mídias, do qual a revista Manchete fazia parte.
O governo Figueiredo abriu licitação para duas novas emissoras no país, distribuindo os canais antes utilizados pelas tvs Tupi e Excelsior. 5 desses canais ficaram com o Adolpho Bloch, os outros 4 com Silvio Santos.
A emissora se tornou uma das maiores da América Latina, perdendo apenas para a Globo e a Televisa do México. Com um investimento de 50 milhões de dólares em instalações e equipamentos, e com o arquiteto Oscar Niemeyer trabalhando no projeto de produção, a Rede Manchete teve sua estreia adiada por duas vezes. Inicialmente seria entre setembro e novembro de 1982 e depois para março de 1983, entrou no ar dia 5 de junho de 1983, em um domingo, às 19h com um discurso de Adolpho.

Jornalismo.
Na segunda-feira, depois da inauguração, estreou o Jornal da Manchete com uma hora e meia de duração e com um visual futurista, um formato que foi adotado pelas outras emissoras só anos mais tarde.
Outro programa jornalístico de sucesso foi o Documento Especial.

Política.
O ano de 1984 marcou a Rede Manchete que se destacou pelo total apoio à campanha das Diretas Já, quando a população, através de comícios e passeatas, pedia a aprovação da emenda que restabelecia eleições diretas para presidente do Brasil. A emissora transmitiu vários comícios, inclusive aqueles que reuniram um milhão de pessoas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Carnaval.
O Sambódromo no Rio de Janeiro foi construído em 1984, durante o Governo de Leonel Brizola, uma obra muito criticada pelas Organizações Globo. A Rede Manchete transmitiu os desfiles, desde então, e alcançou o primeiro lugar em audiência.
Uma curiosidade a respeito disso, é que o governo Figueiredo quase negou a concessão para Adolpho porque não gostava da cobertura do carnaval feita pela revista Manchete, onde dizia ter só gays e mulheres nuas.

Telenovelas.
A primeira obra de dramaturgia da emissora foi em 1984 com a minissérie, Marquesa de Santos, protagonizada por Maitê Proença, que não deu bons resultados. A mesma atriz protagonizou a novela Dona Beija, de grande sucesso e outras produções marcaram época pela qualidade da produção e esmero na direção, como Corpo Santo, Kananga do Japão, Pantanal, A História de Ana Raio e Zé Trovão e Xica da Silva.
A Manchete mostrou o primeiro beijo entre dois homens na tv brasileira. Aconteceu na minissérie Mãe de Santo, em 1990. E fez algumas adaptações elogiadas em minisséries, como O Guarani (com Angélica e Leonardo Bricio) e O Fantasma da Ópera.
Em 1993 a emissora produziu a novela O Marajá, uma sátira da situação atual do país que abordava o impeachment do presidente Fernando Color. A novela foi censurada no dia da estreia e nunca passou na tv.
A novela Brida, uma adaptação de um livro de Paulo Coelho, foi a última teledramaturgia da emissora. Foi interrompida antes de terminar, os personagens tiveram os seus fins narrados por um locutor, no último capítulo da novela.

Infantil.
Existe um conflito entre as datas de estreia do Clube da Criança, uma delas diz que o programa estreou no dia 6 de junho, ou seja, no dia seguinte da estreia da emissora, e a outra data é 14 de junho. Esse foi o programa que lançou a, então, modelo Xuxa Meneghel como apresentadora. O programa durou até o começo de 1986, quando Xuxa foi para a Globo apresentar o Xou da Xuxa.
No mesmo ano, estreou Nave da Fantasia com Simony no comando, mas no ano seguinte Angélica assumiu a apresentação e em 1988 foi escalada para apresentar o Clube da Criança.
Nesse intervalo, entre a saída de Xuxa e a entrada de Angélica, o programa que ocupou o horário do Clube da Criança foi Lupu Limpim Clapá Topô com Lucinha Lins e Claudio Tovar.
Além desses programas, a emissora apresentou o Circo Alegre do Carequinha e Cometa Alegria.

A emissora inovou no entretenimento para crianças e adolescentes com a transmissão dos heróis japoneses. Alguns deles dentro do Clube da Criança. Como o Comando Estelar Flashman, Cybercop - os Policiais do Futuro, Defensores da Luz Maskman, Esquadrão Relâmpago Changeman, O Fantástico Jaspion, Jiban, Jiraiya - o Incrível Ninja, Kamen Rider Black, Kamen Rider Black RX, Lion Man, Patrine, Solbrain, Spielvan, Ultraman, Winspector.
E também os animes, entre eles, Os Cavaleiros do Zodíaco.

Famosos.
As maiores estrelas da casa foram as apresentadoras Xuxa e Angélica.
Xuxa inaugurou uma nova forma de apresentar programas infantis, mas ficou na emissora durante três anos apenas. Angélica teve seu apogeu na Manchete, pois durante os seis anos que esteve naquela tv, apresentou 4 programas, Nave da Fantasia e Shock (simultaneamente), assim como Clube da Criança e Milk Shake, além de protagonizar a minissérie O Guarani ao lado de Leonardo Brício.
A emissora teve em sua programação outros grandes nomes famosos como os autores Walcyr Carrasco e Glória Perez. Os diretores Jaime Monjardim e Mauricio Sherman. E outras personalidades que tiveram seus programas ou fizeram novelas como Clodovil, Sula Miranda, César Filho, Roberta Close, Simony, Tiririca, Sandy & Júnior, Almir Sater e Sergio Reis, entre outros.

Uma das preocupações da emissora foi transmitir uma programação de qualidade, fazendo coberturas de grandes eventos esportivos, investindo em jornalismo e produção de teledramaturgia. Mas esses investimentos altos provocaram também grades crises na emissora e com dois anos de transmissão os prejuízos já eram evidentes.
Com o passar dos anos e o aumento das dívidas da emissora, a programação perdeu qualidade e ganhou apelos. Havia muita nudez explícita e cenas de sexo em suas telenovelas e programas jornalísticos.
Em 1988 Adolpho expressou o desejo de vender a tv. Na década de 1990 a IBF (Indústria Brasileira de Filmes) chegou a assumir a emissora, mas teve a gestão cassada e Adolpho reassumiu a responsabilidade.
Após a morte de Adolpho Bloch, em 1995, as dificuldades foram maiores e cada vez com menos recursos e, consequentemente, com menos qualidade em sua programação. A emissora foi vendida para a Igreja Renascer em Cristo, em janeiro de 1999, mas no mês seguinte, devido ao descumprimento de cláusulas contratuais, a negociação foi desfeita.
As transmissões se encerraram no dia 10 de maio de 1999. A concessão da Rede Manchete foi transferida para a RedeTV!.

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