Hilda Furacão - Tieta - Dona Beja

Em 1998, a TV Globo apresentou a minissérie Hilda Furacão com Ana Paula Arósio interpretando a personagem que abandona o noivo no altar e se refugia em um bordel tornando-se a mulher mais desejada do local, mas que se apaixona por um religioso. A personagem foi inspirada em Hilda Maia Valentim que nasceu em Recife, no dia 30 de dezembro de 1930.

Hilda migrou ainda muito pequena com a família para a capital mineira, no entanto, a história real se difere da ficção. Seus pais tinham um bom poder aquisitivo e Hilda era uma jovem de alma livre, ela queria desbravar os bairros boêmios da capital mineira e foi assim que se tornou famosa como Hilda Furacão. O apelido foi dado devido a sua reputação de mulher de temperamento impulsivo e da tendência a se envolver em brigas com clientes e colegas.

Frequentando a zona boêmia de Belo Horizonte, mais precisamente no Hotel Maravilhoso, na rua Guaicurus, ela conheceu o jogador do Atlético Mineiro, Paulo Valentim, com quem se casou no final da década de 1950, transformando-se assim na senhora Hilda Maia Valentim. Ou seja, ela não se envolveu com nenhum padre. Com Paulo, devido as suas transferências de clube de futebol, Hilda morou em Buenos Aires, em São Paulo, e na Cidade do México, sempre acompanhando o marido, que jogou no Boca Juniors, no São Paulo e no Atlante.

Após a aposentadoria do jogador, os dois fixaram residência em Buenos Aires e então as coisas começaram a desandar. Paulo se envolveu com jogos e álcool perdendo tudo o que tinha conquistado e, então, mudaram-se para o México onde Hilda tinha que trabalhar como faxineira e costureira para sustentar a casa.

Ela sempre foi fiel ao marido, que faleceu em 1984. E após a morte do filho de ambos, Hilda foi morar em um asilo no bairro de Barracas, em Buenos Aires onde faleceu no dia 29 de dezembro de 2014, na véspera do seu aniversário de 84 anos.

Em 1989, Aguinaldo Silva adaptou para a TV a obra de Jorge Amado sobre a vida de Tieta, uma cafetina que voltou a sua cidade natal e colocou a cidadezinha de pernas para o ar. Ninguém seguiu sua vida normal depois de travar contato com ela, nem mesmo sua irmã Perpétua que não sossegou enquanto não descobriu a verdadeira ocupação da irmã na capital. O verdadeiro nome de Tieta é Antonieta e Jorge Amado tomou conhecimento de sua história em 1974, quando esteve na cidade de Assis, em São Paulo, para visitar um primo que era médico na cidade.

Durante essa viagem, o escritor esteve na casa de Antonieta que já era uma famosa cafetina. Ela nasceu em Jaú, também em São Paulo, e foi para Assis para trabalhar como empregada doméstica, mas acabou se tornando uma (kenga) na casa de Antônia de Assis, que depois passou a ser sua maior concorrente.

Antonieta foi montando pequenas casas de mulheres até se tornar dona de um dos maiores bordéis do interior. Diferente da personagem da TV e do Cinema, ela era muito discreta e todas as moças que se vendiam queriam morar em sua casa porque eram todas bem tratadas. Os lucros vinham do bar e do aluguel dos quartos para os fregueses, o que cada moça cobrava pelo trabalho, era delas.

Elas tinham roupas diferentes para trabalhar, para ir à cidade, para ir à missa, ou para qualquer outra atividade. No trabalho na casa de Antonieta, a estratégia era fazer os homens beber o máximo possível e eles só podiam ficar no quarto por no máximo 20 minutos. As moças eram obrigadas a ir ao médico todos os meses e eram aconselhadas a que pensassem mais nelas mesmas.

A casa de Antonieta era frequentada por homens de todo o Estado e promovia shows com artistas respeitado, como Ângela Maria e Nélson Gonçalves. Olha o nível. Antonieta faleceu no dia 18 de setembro de 1994, e depois de sua morte, seus sobrinhos tentaram tocar o bordel, mas as casas acabaram mudando para fora da cidade e nunca mais foi a mesma coisa, apesar de a maneira de administrar os negócios ter sido preservada até os dias de hoje. 

É bem provável que a inspiração da TV Globo para produzir Tieta como um folhetim das 20h30 tenha sido o sucesso da novela Beija da Rede Manchete, de 1986. O folhetim contou a história de Ana Jacinta de São José, baseada nos acontecimentos de sua vida, conhecida como Dona Beja na região.

Ana Jacinta nasceu no dia 2 de janeiro de 1800, em Formiga, uma capitania de Minas Gerais da época do Brasil Colônia. Ela ficou famosa pela influência que exercia na política e na sociedade de Araxá onde chegou com a mãe e o avô em 1805. Ela tinha uma beleza invejável e em 1815 foi raptada pelo ouvidor do rei, Joaquim Inácio Silveira da Motta, e levada a Paracatu.

Seu avô acabou sendo morto pelo governador enquanto tentava evitar seu sequestro. Ela viveu como refém e voltou ao Rio de Janeiro a pedido de Dom João VI, mas ao chegar em Araxá não foi recebida como vítima e sim como uma mulher sedutora de comportamento questionável que oferecia um grande risco aos valores éticos da época. Ela decidiu montar um bordel e o nomeou Chácara do Jatobá. 

Em relação ao que aconteceu de fato com Beja é difícil afirmar com precisão porque tem versões distintas na internet. Em algumas delas diz que seus filhos, oriundos de agressões, eram três, dos quais um era menino. Mas em outros registros constam apenas duas meninas e a ordem dos pais, de acordo com a idade delas, também não coincidem.

Um desses registros, mais confiáveis, segundo o jornalista Pedro Divino Rosa, a primeira filha de Dona Beja nasceu do fruto de uma relação que ela teve com um padre, o Francisco José da Silva, que reconheceu a filha. Em relação a isso tem documento no Museu de Araxá.

Em 1853, Beja se mudou para Estrela do Sul, que na época era chamada Bagagem, para explorar garimpos de diamantes e, lá, participou ativamente da vida econômica e política local. Ela teve muita influência política na cidade e emprestou dinheiro para construir uma ponte sobre o Rio Bagagem para que a procissão da santa de sua devoção pudesse passar pela sua porta. E ao contrário da imagem de riqueza permanente, o fim da vida de Dona Beja foi marcado pela perda de patrimônio.

Ela faleceu em 20 de dezembro de 1873, de nefrite, uma inflamação nos rins que desencadeia uma série de outros problemas no corpo, com poucas posses. Foi enterrada em um caixão decorado com zinco, que pode ser o mesmo encontrado em junho de 2011 durante uma escavação para a construção de um chafariz, onde havia o antigo cemitério em Estrela do Sul. 

Hoje em dia existe um museu em seu nome, o Museu Dona Beja situado em Araxá. E a novela da HBO Max não é a primeira releitura da obra de 1986, em 2010 foi feito um remake em espanhol pela Telefutura de Colômbia intitulado Doña Bella.

Para assistir a este conteúdo, clique na imagem abaixo:

Fevereiro de 1991

A terça-feira de carnaval de 1991, caiu no dia 12 de fevereiro. Entre as escolas do Rio de Janeiro, a Mocidade Independente de Padre Miguel venceu o Grupo Especial, conquistando seu quarto título com o enredo Chuê, Chuá, as Águas Vão Rolar. Salgueiro foi a vice-campeã com o enredo de Rosa Magalhães sobre a Rua do Ouvidor. E a escola de Niterói, Viradouro fez sua estreia na primeira divisão do carnaval com uma homenagem à atriz Dercy Gonçalves, que desfilou com os seios expostos, disse que o vestido, sem alça, não parava no lugar, então resolveu abaixa-lo de uma vez. Ela estava com 83 anos na ocasião.

E a escola Mangueira obteve a pior colocação da sua história até então, mas ainda assim ficou uma posição acima da zona de rebaixamento. Já São Clemente, Lins Imperial, Império Serrano e Acadêmicos do Grande Rio não tiveram a mesma sorte e foram rebaixadas para a segunda divisão. Tradição, a campeã da segunda divisão e a vice-campeã, Leão de Nova Iguaçu, foram promovidas à primeira divisão.

Em São Paulo, aconteceu pela primeira vez o desfile das escolas de samba no sambódromo do Anhembi, projetado por Oscar Niemeyer e construído e inaugurado durante a prefeitura de Luiza Erundina. Naquele ano, a capacidade do local era de 10 mil pessoas e só havia a pista de concreto pronta. As arquibancadas eram de madeira e havia um imenso lamaçal na concentração, além da iluminação irregular na pista. O fim da obra, com a capacidade atual de 30 mil pessoas, aconteceu em 12 de fevereiro de 1996, às vésperas do carnaval daquele ano.

As escolas Rosas de Ouro, com o enredo De Piloto de Fogão a Chefe da Nação, e Camisa Verde e Branco, com o enredo Combustível da Ilusão, empataram em primeiro lugar no grupo especial. As escolas Águia de Ouro, com o enredo São Paulo - Pátria Mia, e Passo de Ouro, com o enredo Cabeças e Plumas, caíram para o grupo 1. Já Gaviões da Fiel, com o enredo A Dança das Horas, e Colorado do Brás, com o enredo Do Jeito que o Diabo Gosta, foram as campeãs do grupo 1 e subiram para o grupo especial. A partir desse ano os desfiles de São Paulo passaram a ser transmitidos regularmente pela Globo.

Foi o primeiro ano em que a Globo apresentou o seu samba enredo chamando o carnaval de Globeleza. O nome pegou, mas a moça que reforçou a marca só foi efetivada dois anos depois.

No dia 24 de fevereiro de 1991, as forças dos Estados Unidos iniciaram uma grande ofensiva terrestre contra o Iraque. A justificativa era porque o Saddam Hussein havia invadido e anexado o Kuwait ao Iraque em agosto de 1990.

As imagens transmitidas pela CNN e por redes de televisão de vários países mostravam bombardeios noturnos, mísseis e soldados no deserto, algo inédito para o público, até então, que passou a acompanhar uma guerra ao vivo pela TV. O presidente dos EUA, George H. W. Bush, anunciou o cessar-fogo poucos dias depois, em 28 de fevereiro, marcando o fim do conflito.

O líder iraquiano, Saddan Hussein, continuou no poder, no Iraque, até 2003, quando foi capturado por soldados estados-unidenses e levado aos Estados Unidos onde permaneceu preso até dezembro de 2006, quando foi condenado a forca por crimes contra a humanidade.

Os Estados Unidos procuraram várias justificativas para condenar o ditador iraquiano e usaram como pretexto uma retaliação que ele fez contra um grupo que tentou tirar sua vida em 1982, resultando na morte de 148 pessoas.

Para assistir a este conteúdo, clique na imagem abaixo:

Xuper Star

Quando Xuxa entrou na Globo, em 1986, mesmo depois de ter batido recordes de vendas com seus dois primeiros discos, inclusive ter sido a responsável pela criação da certificação de diamante quando o diretor da Som Livre reclamou que tinha que fazer muitos discos de platina para ela, a sua consagração mesmo aconteceu em 1988, com o terceiro disco do Xou da Xuxa.

Naquela época vários canais de televisão do exterior, e do Brasil também, já estavam copiando o formato do Xou da Xuxa e a maneira dela apresentar o programa. E a partir de então o caminho já estava aberto para a sua carreira internacional e ela não perdeu a oportunidade. Em 1990, viajou bastante para outros países, firmou contratos, teve que ajustar a agenda de gravações na Globo para dar conta de tanta demanda e até anunciou que 1991 talvez fosse o último ano do Xou da Xuxa.

Talvez, em decorrência disso, a emissora começou a prepara-la para atuar em outras frentes e Xuxa ganhou um programa de humor que seria transmitido mensalmente, o Xuper Star. E mesmo com a agenda super cheia ela começou a gravar e estreou. Mas o projeto não saiu bem como haviam esperado, no entanto, fez tanto barulho que ainda é assunto 35 anos depois.

O programa era um humorístico dirigido por Jorge Fernando que chegou a elogiar a atuação da Xuxa dizendo estar surpreso pelas suas qualidades de atriz e pela sua naturalidade com a comédia.  A criação e o roteiro ficaram a cargo de Chico Anysio que basicamente adaptou para a apresentadora o mesmo formato que já fazia há anos na televisão mesclando personagens interpretados por ele mesmo dentro do mesmo universo.

Inclusive, no dia 3 de abril daquele ano, em 1991, estreou o programa  Estados Anysios de Chico City que ia ao ar semanalmente nas noites de quarta-feira às 21h30, onde ele mesclava vários personagens seus, já bem conhecidos do público, em um país fictício.

A fórmula para o Xuper Star foi a mesma, reduzida a uma casa. Xuxa interpretava quatro personagens simultaneamente, a apresentadora de televisão Shirley Liz que se apaixona perdidamente por cada homem que encontra.

Ela mora em uma cobertura onde trabalham a faxineira Rosicleide Sueli que gosta de dar boas sugestões a patroa.

A avó Cotinha que é mais moderna e antenada do que sua neta.

E a conselheira espiritual Lívia Peron. Todas as quatro eram interpretadas por Xuxa.

Além desses personagens tinha o mordomo Aparecido, interpretado por Guilherme Karan, que era um ator frustrado e de uma hora para a outra assumia a personalidade dos seus personagens favoritos. Paulette e Jorge Lafond que davam vida aos figurinistas Naná e Nanete. E o próprio Jorge Fernando que interpretava o PUF, Puraci Ubiratã Filho, diretor do programa de Shirley Liz.

O programa teve ainda a participação de Victor Fasano que estava em alta no memonto. Da atriz Zezé Macedo, Patrycia Travassos, Cristina Pereira e Luiza Tomé, além de Chitãozinho e Xororó, Wando, Dona Zica e Neguinho da Beija-Flor.

Xuper Star estreou no dia 30 de abril de 1991, e teve como intérprete da música de abertura a dupla produtora de Xuxa, Michael Sullivan e Paulo Massadas.

O programa dividiria o horário da Terça Nobre que apresentava cada semana um programa diferente. Uma semana seria o Programa Legal com Regina Casé e Luis Fernando Guimarães, na outra seria Dóris Para Maiores com Doris Giese, e Brasil Especial que apresentava adaptações de obras literárias. No entanto, o horário foi ocupado pela série The Flash.

Algumas desculpas e teorias foram especuladas para justificar o cancelamento do programa. Chico Anysio e a própria Xuxa chegaram a dizer que ela teve alergia pelo excesso de maquiagem que tinha que usar. Em relação a audiência, mesmo tendo sido boa, o programa não teria agradado a emissora. As revistas publicaram que Xuxa não teria gostado do roteiro e que se não houvesse uma grande alteração ela não gravaria outro episódio. E outra justificativa é que Xuxa não teria tempo de gravar, já que estava em pleno auge do direcionamento de sua carreira para o exterior.

Talvez a verdade disso tudo tenha sido o fato de a direção da emissora não ter gostado do resultado do programa porque Boni, diretor da Globo na época, chegou a dizer que colocar o programa no ar foi um erro, que o episódio deveria ter sido apresentado apenas para avaliação interna como um piloto.

Ainda assim, o programa foi relembrado várias vezes, ele está registrado no site MemóriaGlobo.Globo.Com e o Vídeo Show chegou a relembra-lo como um especial da emissora. Mas não foi um especial, Xuper Star foi anunciado como estreia, além disso, na cena final a personagem perde que não a julguem porque ela está apenas começando. Isso quer dizer que seria um programa regular e curiosamente em 1992 foi lançado um tênis da Xuxa chamado Xuper Star. Seria um produto já pensado que deveria ter sido estrelado por Shirley Liz?

Para assistir a este conteúdo, clique na imagem abaixo:

Dona Beija (Rede Manchete) e Dona Beja (HBO Max)

Na segunda-feira, dia 2 de fevereiro de 2026, estreou a novela Dona Beja na HBO Max, praticamente dois meses antes de a primeira versão da história para a televisão completar 40 anos. Uma das diferenças da versão atual com a antiga é o nome da protagonista, antes com i, Dona Beija, e atualmente sem i, Dona Beja.

A primeira versão para a televisão foi produzida pela Rede Manchete e exibida entre 31 de março e 11 de julho de 1986, em 89 capítulos. Foi a segunda novela produzida pela Manchete, cujas cenas internas foram gravadas no complexo de Água Grande, em Vista Alegre, no Rio de Janeiro.

O folhetim recebeu um investimento de 2 milhões de dólares e valeu cada centavo porque colocou a Rede Manchete, então com apenas três anos de existência, em destaque no cenário televisivo internacional já que foi vendida para alguns países. E em 2012, o portal Terra do Peru considerou Dona Beija uma das cinquenta melhores novelas de todos os tempos.

Dona Beija foi escrita por Wilson Aguiar Filho com colaboração de Carlos Heitor Cony que se basearam nos romances Dona Beija A Feiticeira de Araxá, de Thomas Othon Leonardos, e, A Vida em Flor de Dona Beija, de Agripa Vasconcelos. A direção  ficou a cargo de David Grimberg com direção geral de Herval Rossano.

Maitê Proença interpretou o papel de Dona Beija, mas a primeira opção tinha sido Bruna Lombardi. Melhor para Maitê porque esse é um dos seus maiores sucessos da televisão. Além dela, a novela tem no elenco o Gracindo Júnior, Marcelo Picchi, Bia Seidl, Jonas Mello, Sérgio Mamberti e Arlete Salles nos papéis principais.

Trata-se de um drama de época ambientado no interior de Minas Gerais, no início do século 19 quando uma jovem de beleza angelical e apaixonada por seu noivo tem a vida destruída ao ser raptada por um poderoso Ouvidor do Rei que a mantém como amante após assassinar seu avô e violentá-la.

Anos mais tarde, ela consegue retornar a sua cidade, mas encontra o antigo noivo casado e passa a ser rejeitada pelos conservadores. Sem alternativas, decide abrir um bordel de luxo que atrai a elite da região e expõe a hipocrisia da época. Movida pelo desejo de vingança ela adota a identidade de Beja se tornando a cortesã mais famosa e influente do país.

A Paquita Andréia Sorvetão disse que fez uma pequena participação nessa versão da Manchete. E o SBT reapresentou a novela na íntegra em 2009. 

A produtora Floresta adquiriu os direitos de Dona Beija em setembro de 2021, a confirmação da adaptação foi anunciada pela Max e além de Grazi Massafera que ficou com a protagonista, Isis Valverde também tinha feito teste para disputar o papel. O início dos trabalhos foi adiado algumas vezes até ser cancelado temporariamente em setembro de 2022 devido a fusão entre a Warner e a Discovery.

Renata Jhin e o escritor português Antônio Barreira ficaram encarregados de fazer a adaptação, mas ela não conseguiu conciliar a tarefa com seus trabalhos e foi substituída por Daniel Berlinsky. E apesar de usarem o mesmo texto da obra original como base, o nome da novela foi alterado para Dona Beja sem i, que é o nome verdadeiro da personagem.

Ou seja, Dona Beja não é só ficção, os livros foram inspirados na história de Ana Jacinta de São José. Assim como aconteceu com Xica da Silva, com Hilda Furacão e com Tieta que, curiosamente, duas delas eram cortesãs, um termo bonito para prostituta.

E não é só o nome que mudou, o autor Daniel Berlinsky explicou em uma entrevista à CNN que a obra não pretende funcionar como um retrato fiel de época, não é a itenção reproduzir os costumes ou acontecimentos históricos. O figurino não reproduz o que se usava naquele período, e nem o português falado é exatamente o mesmo. Inclusive a produção se nega a dizer que a novela seja um remake. Diz que é uma releitura.

Daniel disse que é preciso trabalhar a história com as referências que as pessoas têm de agora. Isso envolve o padrão estético de beleza, levar em consideração a questão da diversidade e deu protagonismo a personagens negros, David Júnior e André Luiz Miranda fazem par romântico com a protagonista, em papeis que foram de atores brancos na primeira versão vividos por Gracindo Júnior e Marcelo Picchi.

Mas a produção contou com a ajuda de uma historiadora de Araxá, a Glaura Teixeira, que sem receber nada em troca deu muitas dicas preciosas para equilibrar a realidade e a ficção alertando para o que fosse pouco provável de ter acontecido, mas ainda assim possível. É disso que se trata uma ficção.

Os testes de elenco aconteceram em 2023 com início das gravações em outubro do mesmo nao. E além de Grazi Massafera, fazem parte do elenco David Junior, Bianca Bin, Deborah Evelyn, Isabela Garcia, Tuca Andrada, Lúcia Veríssimo, Elizabeth Savala e Lucinha Lins.

A previsão era que a novela estreasse no segundo semestre de 2024, mas teve vários problemas nos bastidores. Grazi Massafera brigou com um dos diretores que ameaçava retira-la da novela por questionar muito suas ordens e Bianca Bin ficou uma semana afastada por reclamar do ritmo das gravações que mudavam sequências de cenas em cima da hora e só podiam ser gravadas de uma só vez sem direito à regravação.

Bianca retornou ao elenco, Grazi continuou como protagonista, mas o diretor Hugo de Sousa foi substituído e devido ao reajuste no cronograma de gravação vários contratos como o elenco tiveram que ser renovados e a estreia foi adiada para o primeiro semestre de 2025, o que também não aconteceu por conta dos trabalhos de edição e pós produção.

Enfim, tudo finalizado, são quarenta capítulos que geraram uma expectativa bem grande para a estreia e assim como aconteceu com Beleza Fatal, Dona Beja deve ser exibida também na Band ainda em 2026.

Para assistir a este conteúdo, clique na imagem abaixo:

Fevereiro de 1986

O programa Clube da Criança comandado por Xuxa Meneghel na Rede Manchete, desde junho de 1983, chegou ao fim no dia 7 de fevereiro de 1986. Ela estreou no comando do infantil junto com a própria emissora, ou seja, estava na Manchete desde a sua estreia e a sua inexperiência diante das câmeras contribuiu para que conquistasse o país com seu carisma e espontaneidade.

Marlene Mattos cruzou o caminho de Xuxa logo no começo do Clube da Criança e juntas aprimoraram o formato do programa que Mauricio Sherman tinha idealizado. Em 1984, Michael Sullivan produziu o disco do programa em uma tentativa de lançar um grupo musical nos moldes do Balão Mágico. Foi quando a Xuxa colocou a voz pela primeira vez em uma canção.

Em 1985, ela ganhou seu próprio álbum, compilado com músicas dos artistas da gravadora Philips, que mais se aproximavam do universo infantil e teve seu primeiro especial de Natal. Chamou tanto a atenção do público infantil e adulto, que as outras emissoras começaram a disputar seu passe, e aceitou a oferta da Globo, um salário 6 vezes maior do que ela recebia na Manchete.

Desde a saída de Xuxa do comando do infantil, o Clube da Criança virou uma sessão de desenho, até o dia 3 de agosto de 1986, quando estreou o programa Lupu Limpim Claplá Topô com Lucinha Lins e Claudio Tovar. O Clube da Criança retornou a grade da Manchete em outubro de 1987, com Angélica e Ferrugem.

No dia 28 de fevereiro de 1986, um incêndio atingiu a sede da TV Cultura, na cidade de São Paulo. O fogo destruiu 90% dos equipamentos da emissora, fazendo com que ela ficasse três horas fora do ar. Com equipamentos emprestados das TVs Globo, Manchete e Bandeirantes, retornou ao ar noticiando o incêndio e cobrindo todo o trabalho dos bombeiros.

Esse foi o segundo incêndio que comprometeu o acervo da Cultura. A emissora foi inaugurada em 20 de setembro de 1960, pelos Diários Associados, o grupo do Assis Chateaubriant, o fundador da TV Tupi. Inclusive, a TV Cultura iniciou suas operações no mesmo estúdio onde a TV Tupi iniciou suas transmissões, em um estúdio de 30 m² instalado no décimo quinto andar do Edifício Guilherme Guinle, na Rua 7 de Abril, 230, em São Paulo.

Os técnicos e os atores eram da TV Tupi e, além disso, sua antena no alto do Banespa, o Edifício Altino Arantes, também era a antiga antena da TV Tupi, que na época já transmitia seu sinal pela Torre Assis Chateaubriand, no bairro do Sumaré. E no dia 28 de abril de 1965, um curto-circuito provocou um incêndio destruindo quase tudo da emissora. Inclusive a primeira câmera de TV do Brasil, usada pela Rede Tupi, um modelo TK-30 de 80 quilos, foi destruída nesse incêndio.

Como o Assis Chateaubriant não soube gerenciar bem o seu império, tudo foi ruindo, inclusive a TV Cultura, com esse primeiro incêndio, só gerou mais despesas para o empresário e ele vendeu a emissora para o o Governo do Estado de São Paulo. A Fundação Padre Anchieta, composta por diversos profissionais, faculdades, e sociedades privadas e públicas, comprou a TV Cultura em setembro de 1967, mas ignora o histório anterior e considera como data de inauguração o dia 15 de junho de 1969, quando foi relançada.

O incêndio de 1986, causou um estrago tão grande que a emissora começou a pedir para que os telespectadores que, porventura, tivessem gravado algum programa lhe cedessem o material. E muita coisa nunca foi recuperado. Aqui no canal tem um vídeo sobre os incêndios nas emissoras de televisão do Brasil.

No dia 24 de fevereiro de 1986, estreou a novela Selva de Pedra na Rede Globo. Trata-se de uma releitura da novela de Janete Clair, exibida em 1972. Foi adaptada por Regina Braga e Eloy Araújo, com direção geral de Dennis Carvalho e conta com as atuações de Tony Ramos, Fernanda Torres, Christiane Torloni, Miguel Falabella, José Mayer, Walmor Chagas, Sebastião Vasconcelos e Yara Lins nos papeis principais.

A história central foi inspirada do romance Uma Tragédia Americana, de Theodore Dreiser, e do filme Um Lugar ao Sol, de George Stevens. Wálter Avancini dirigiu os primeiros vinte capítulos. Nos seguintes, Daniel Filho o substituiu, e posteriormente Dennis Carvalho assumiu a direção geral.

A escolha pelo remake de Selva de Pedra foi para manter a audiência de Roque Santeiro, pois a primeira versão chegou a atingir 100 pontos no IBOPE, em um dos capítulos, então a emissora estava muito confiante que era o título mais adequado para colocar no ar. As outras duas alterantivas eram Barriga de Aluguel, de Glória Perez, com Lucélia Santos como protagonista, e Cambalacho, de Silvio de Abreu. Mas a trama de Barriga de Aluguel era muito absurda para a época e Cambalacho era coméida e não combinava com o horário.

Fernanda Torres, que havia ganhado um prêmio em Cannes pelo filme Eu Sei Que Vou Te Amar, de Arnaldo Jabor foi a escolhida para protagonizar a trama. Olha a história se repetindo. Ela também tinha sido escalada para interpretar a Odete Roitman no remake de Vale Tudo, em 2025, e não aceitou porque estava em campanha pelo Oscar do filme Ainda Estou Aqui.

Selva de Pedra sofreu censura e a emissra teve que refazer algumas cenas e diálogos, além de alterar um romance lésbico entre as personagens de Beth Goulart e Christiane Torloni devido as reações negativas nos telespectadores. Na época, lente de contato era novidade, então, a produção adotou como disfarce da personagem Simone Marques, vivida por Fernanda Torres, que além das lentes azuis, apenas mudava o penteado.

O ator Marcelo Ibrahim, que interpretou o playboy Gastão Neves no início da telenovela, morreu pouco antes do seu desfecho, em 3 de julho de 1986. Mas não foi preciso fazer nenhuma adaptação para seu personagem porque sua participação já estava concluída na data de sua morte.

A abertura foi uma das mais criativas já produzidas pela equipe de Hans Donner. Eram vários prédios que brotavam de um chão árido, como se fossem plantas, reproduzindo uma selva de pedra e concreto, e refletiam personagens da trama em suas vidraças. Era uma época em que não existiam muitos recursos de computação, então, a solução foi usar maquetes. As paredes foram pintadas com nuvens, para compor o fundo e o rosto de Tony Ramos, visto de cima, foi montado com edifícios de plástico de três tonalidades diferentes.

A novela teve dois álbuns musicais, a trilha sonora nacional e a trilha sonora internacional com o ator Tony Ramos na capa. Selva De Pedra foi reexibida na íntegra pelo Viva entre 22 de agosto de 2019 e 18 de fevereiro de 2020. Depois, de 15 de julho de 2024 a 14 de fevereiro de 2025, no Viva Fast, da Globoplay. E em 10 de outubro de 2022, foi disponibilizada na íntegra pelo Globoplay, como parte do Projeto Resgate.

No dia 9 de de fevereiro de 1986, o Cometa Halley atingiu o seu periélio, ou seja, o ponto mais próximo do Sol, tornando-se mais visível da Terra. Halley é um cometa periódico, visível na Terra a cada 75, ou 76 anos. É o único cometa de curto período que é regularmente visível a olho nu da Terra, e o único cometa a olho nu a aparecer nos céus duas vezes durante uma só geração humana.

Nesse caso depende de quantos anos a pessoa tinha quando pode vê-lo pela primeira vez. A última aparição dele foi em 1986, e seu retorno está marcado para 2061. Levando em consideração que a expectativa de vida no Brasil é de 76 anos, quem tinha tinha até uns 10 anos, e eu estou dentro dessa faixa, pode ter a sorte de vê-lo outra vez.

Halley começou a ser observado e registrado desde, pelo menos, 240 anos antes de Cristo. Sua periodicidade foi determinada pela primeira vez em 1705, pelo astrônomo inglês Edmond Halley, cujo nome foi dado ao cometa. Em sua aparição de 1986, o Halley se tornou o primeiro cometa a ser observado em detalhes por uma espaçonave, fornecendo os primeiros dados da estrutura de seu núcleo, bem como o mecanismo da cabeleira e cauda.

Essas observações confirmaram várias hipóteses sobre a construção do cometa, em especial o modelo de Fred Whipple, que dizia que os cometas são bolas de gelo sujas, uma mistura de gelos voláteis como os de água, dióxido de carbono e amônia, junto a poeira cósmica. Hoje sabe-se que a superfície do Halley é, em grande parte, composta por materiais não voláteis e que apenas uma pequena porção de sua composição é de gelo.

A passagem do Cometa Halley gerou uma verdadeira Halleymania no Brasil e no mundo, resultando em muitos produtos licenciados, como álbuns de figurinhas, quadrinhos, brinquedos e até contratos para desenhos animados. Houve uma grande exploração comercial do cometa. A Globo apresentou um especial no dia das crianças de 1985, ainda, com a Família Halley, Criada por Marcelo Diniz, que tinha um robô, o Halleyfante.

O Halleyfante virou brinquedo, a Família Halley ganhou revista em quadrinhos e disco. E teve álbuns de figurinhas também sobre o cometa.

Mas depois que o Halley passou as lojas tiveram que fazer liquidação para esvaziar seus estoques porque o interesse do públicio diminuiu. Foi tudo tão passageiro como o próprio cometa.

Nasceu Nesse Mês

O modelo, Mister Brasil, Big Brother duas vezes, e empresário Jonas Sulzbach, nasceu no dia 7 de fevereiro de 1986.


Para assistir a este conteúdo, clique na imagem abaixo.

O Saci - filme

Em 1953, embora em algumas páginas a informação é que tenha sido em 1951, Rodolfo Nanni escreveu e dirigiu o filme O Saci, cuja história desenvolvida por Arthur Neves foi baseada no livro O Saci de Monteiro Lobato, e tem como protagonista o personagem Pedrinho do Sítio do Picapau Amarelo. Essa foi considerada a primeira produção infantil importante do cinema brasileiro e ganhou o Prêmio Saci em 1954.

O Prêmio Saci foi criado em 1951 pelo jornal O Estado de S. Paulo e premiou os melhores filmes brasileiros da década de 1950, era dado anualmente as melhores produções brasileira de cinema, mas no ano seguinte de sua criação, em 1952, passou a englobar as produções de teatro também. Foi a maior premiação do cinema nacional durante as décadas de 1950 e 1960.

A estatueta era o Saci esculpido pelo artista plástico Victor Brecheret e concedido a importantes artistas nacionais ao longo de quase 20 anos. Fernanda Montenegro, Eva Wilma, Tônia Carrero, Jorge Dória, Paulo Autran e Cacilda Becker são alguns nomes que foram contemplados com o troféu.

Quanto ao filme O Saci, Rodolfo Nanni teve a ideia de adaptar o livro após voltar de uma viagem a Paris onde esteve estudando cinema. Ele conheceu o Arthur Neves, sócio de Caio Prado Júnior que, dentre tantos títulos que detinha, tais como sociólogo, historiador, geógrafo, escritor, filósofo e político, era editor, o fundador da Editora Brasiliense que era a detentora dos direitos dos livro.

Arthur Neves começou a escrever o roteiro que, depois, foi continuado por Rodolfo Nanni. As filmagens foram realizadas em Ribeirão Bonito, no estado de São Paulo, e contou com o apoio de toda a população local. O prefeito deixou que usassem um galpão que estava abandonado para ser utilizado como estúdio e as locações internas foram feitas com móveis antigos que as moradores cederam.

O filme é em preto e branco, está bastante escuro, imagino que seja pelo tempo, mas não perdeu a magia. E a trilha sonora é composta por uma música instrumental muito gostosa de ouvir e lembra bastante o filme A Lagoa Azul.

O filme começa com uma narração que descreve um pouco de cada personagem que vive no Sítio do Picapau Amarelo. A primeira mencionada é a Dona Benta, vivida por Maria Rosa Moreira, uma velha de mais de sessenta anos. Detalhe para a interpretação da idade da personagem. Ela é a primeira a aparecer chamando as crianças para comer. A Emília, vivida por Olga Maria, é descrita como a ilustre marquesa de Rabicó que fala até pelos cotovelos e lembra bastante a versão da Globo, de 2001, feita por Isabelle Drummond, a personalidade é a mesma, parece a própria. Apesar de a voz ter sido dublada por outra pessoa já que a atriz tinha apenas seis anos de idade e não se via capaz de fazer a dublagem na pós produção. Essa era uma tática para garantir uma boa qualidade de áudio no cinema antigo. A voz foi feita por Wilma Bentivegna.

Narizinho é interpretada por Aristeia Paula Souza, e na casa, vive também a Tia Nastácia, interpretada por Benedita Rodrigues. Pedrinho, interpretado por Livio Nanni, é descrito como um menino muito valente, tão valente que não tem medo nem de onça, mas depois a Dona Benta o lembra que ele chora de medo de vespa e que tem medo do Saci. Já o Visconde de Sabugosa não existe na trama.

O filme gira em torno da aventura de Pedrinho que pede conselhos ao Tio Barnabé,  interpretado por Otávio de Araújo, para capturar um Saci. Ele aprende a técnica da garrafa, mas tem dúvida do feito, já que não vê o ente através do vidro.

Pedrinho, apesar de ter medo de vespas, caminha pela mata sem medo dos perigos que ela oferece e dorme, é quando, como havia dito o tio Barnabé, que o Saci, interpretado por Paulo Matosinho, se manifesta e inicia uma relação de amizade com o menino. Ele convence o garoto a libera-lo da garrafa em troca de proteção dos perigos da mata, já que o coração da floresta, onde eles estão, é o local onde se encontram vários personagens perigosos, como lobisomens e mulas sem cabeça.

Outra que corre um grande perigo é Narizinho que tem um encontro inesperado com a Cuca, interpretada pelo ator Mário Meneguelli, e se apresenta com a aparência de uma senhora maltrapilha. Ela oferece uma flor a Narizinho que ao cheira-la se converte em pedra.

Tia Anastácia e Dona Benta procuram as crianças até a meia noite, quando Pedrinho toma conhecimento do sumiço de Narizinho e retorna para procura-la. Junto com o Saci, descobre que era coisa da Cuca e a amarram enquanto dormia para faze-la contar o que havia feito com a Narizinho. Para desfazer o encanto eles precisavam de um fio de cabelo da Iara, a nossa sereia de água doce que, coincidentemente foi vivida por uma atriz chamada Yara, Yara Trexler.

Além do canto hipnotizante de Iara, sua beleza é tão surpreendente que os humanos ficam cegos se a olharem diretamente. É o que acontece com Pedrinho, mas ele tem a visão recuperada pelo Saci. E outro elemento necessário para desfazer a bruxaria da Cuca é uma flor que os dois encontrarm dentro da casa com a qual conseguem reverter o encanto.

Enquanto isso, Emília foi deixada pendurada no varal para secar ao sol. Ela é a única que não viu o Saci, mas recebeu um presente dele, deixado na casa do Tio Barnabé.

O filme O Saci foi lançado no dia 10 de setembro de 1953, cinco anos após a morte de Monteiro Lobato, e se tornou um sucesso comercial ajudando a popularização da obra de Lobato entre as crianças e adultos.

Em 1954, o filme seria apresentado em Cannes e no Festival de Cinema Infantil de Veneza, porém, devido a uma série de contratempos as amostras não aconteceram.

O Saci teve uma segunda estreia no Amazonas Film Festival, na ocasião do 50º aniversário do início das filmagens.

Assista no Youtube clicando na imagem