Quem deu vida a Emília (de 1952 a 2025)

Criada como uma simples boneca de pano, Emília ganhou vida e nunca mais ficou quieta! Irreverente, curiosa e cheia de opiniões, ela questiona tudo e todos, da ciência aos contos de fadas, sempre com muito humor e uma pitada de travessura. A personagem é uma boneca de pano feita por Tia Nastácia para a menina Narizinho brincar. Ela era muda, mas tomou uma pílula falante receitada pelo dr. Caramujo e começou a tagarelar sem parar.

Emília tem o corpo recheado com macela, uma planta medicinal muito comum no Sul do Brasil que pode ser usada para fazer chás calmantes e digestivos e ajuda a aliviar tosse e congestão. E as flores secas ainda podem ser usadas como enchimento de travesseiros porque ajuda a relaxar e dormir melhor devido o seu aroma delicado. O curioso é que a Emília vai na contra-mão desse efeito,ela é agitada e impaciente.

Emília é muito inteligente e, segundo as obras de Monteiro Lobato, o outro personagem também muito inteligente, o Visconde de Sabugosa, descreve a boneca como a portadora de um conhecimento enciclopédico, mas ela é também uma tirana sem coração, é a criatura mais interesseira do mundo que só pensa em si, na vidinha dela, nos brinquedos dela... 


Lúcia Lambertini

A primeira Emília a surgir em uma adaptação foi vivida por Lúcia Lambertini na versão do Sítio do Picapau Amarelo feita pela TV Tupi em 1952, dois anos, apenas, depois da estreia da televisão no Brasil.


A série era apresentada uma vez por semana, ao vivo, e se limitava a varanda da casa da Dona Benta. Ficou no ar até 1962 e, depois, em 1964 ela levou a série para a TV Cultura.

Lúcia Victória Lambertini nasceu em São Paulo, no dia 26 de junho de 1926. Então, quando deu vida à Emília ela já tinha 26 anos, e essa foi a sua primeira personagem na televisão. Depois interpretou várias personagens em especiais, telenovelas, teleteatros e filmes também. Na década de 1960 passou a escrever e dirigir para a TV Cultura e para a Excelsior. Ela partiu para outros planos no dia 23 de agosto de 1976, vítima de uma parada cardíaca após uma cirurgia aos 50 anos.


Dulce Margarida

A segunda Emília foi Dulce Margarida, que substituiu Lúcia Lambertini por duas vezes na versão de 1952, da TV Tupi, uma vez na ocasião do seu casamento e outra durante sua gravidez.

Dulce Margarida Oliva nasceu na cidade de Casa Branca, em São Paulo, no dia 22 de março de 1933, ela começou a fazer teatro 1952 e atuou em diversas obras nos palcos e na televisão, em diversos canais.


Olga Maria Manso

A terceira Emília, que pode ser considerada a primeira também, é Olga Maria Manso. Ela nasceu em 1946, e desde os seus dois anos e meio de idade cantava no programa Clube Papai Noel da Rádio Tupi, o que lhe proporcionou ser escolhida para dar vida a Emília no filme O Saci quando tinha seis anos.

As filmagens começaram em 1951, por isso ela pode ser considerada a primeira Emília, já que, na televisão, Lúcia Lambertini estreou no papel em 1952. 

Mas como o filme só estreou em 1953, Lúcia Lambertini e Dulce Margarida já tinham interpretado a personagem na TV Tupi, então, depende da intepretação de cada pessoa se Olga foi a primeira ou a terceira Emília da história. E outro detalhe, único, da intepretação de Olga Maria, é que sua voz foi dublada no filme por Vilma Bentivegna (foto abaixo).

Como na época não existiam os recursos de hoje em dia para a captação do som, os filmes eram dublados na pós produção. Essa tática foi adotada nos início da década de 1950 e perdurou até meados da década de 1980, e como nem todos os atores eram capazes de dublar, era muito comum que eles tivessem suas vozes dubladas por outros profissionais, como foi o caso da Olga Maria no filme O Saci. Ela seguiu carreira até os seus 12 anos e depois disso preferiu se afastar do meio artístico.


Zodja Pereira

A quarta Emília foi Zodja Pereira, ela nasceu em Natal no dia 5 de dezembro de 1946. Deu vida à Emília na versão do Sítio do Picapau Amarelo da Rede Bandeirantes entre 1967 e 1969.

Depois, atuou em várias telenovelas de diversas emissoras, como TV Record, TV Tupi e TVS. E em 1978 começou a carreia como dubladora.

Em 2007 ela ganhou o Troféu Anime Dreams, entregue por toda uma carreira dedicada a dublagem no Prêmio Yamato. Em 2010 foi indicada ao Prêmio Yamato, que é considerado o Oscar da Dublagem, na categoria de Melhor Direção de Dublagem por Os Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas. E em 2011 ela adquiriu a empresa Central Dubrasil, um estúdio-escola para dubladores.


Leda Zepellin

A quinta Emília foi Ana Maria, artitsticamente conhecida como Leda Zepellin. Ela nasceu no dia 27 de dezembro de 1950. Deu vida a Emília no filme O Pica-pau Amarelo de 1973, aos seus 23 anos.

Na ocasião, ela pintou a língua de branco para aproximar mais a caracterização à boneca. Leda Zepellin foi modelo de publicidades, trabalhou como locutora e dubladora, além de ter atuado em alguns filmes nacionais como: Eu Transo, Ela Transa de 1972, e Salve-se Quem Puder de 1973.

As informações na internet podem se mesclar com as de outra artistas que usou o mesmo nome artístico, a Leda Zepellin que foi Chacrete. A Chacrete faleceu em 1998 por complicações em decorrência do vírus HIV. A Leda Zepellin que deu vida a Emília faleceu no dia 21 de junho de 2025.


Dirce Migliaccio

A sexta Emília foi Dirce Migliaccio. Ela nasceu em São Paulo no dia 30 de setembro de 1933. Já tinha atuado em nove teledramaturgias quando encarnou a Emília na primeira versão da TV Globo em 1977, e ficou durante um ano apenas na série.

Depois voltou a se dedicar às telenovelas e a filmes.

A sua interpretação como Emília ficou marcada porque foi a primeira nessa nova fase na televisão em cores, em um período que a televisão já era mais popular.

Mas ela não quis renovar o contrato para continuar no Sitio no Picapau Amarelo e disse que sofria muito com a roupa e a maquiagem da personagem. 

Ela seguiu sua carreira até setembro de 2008, quando sofreu um AVC e ficou debilitada. Viveu seus últimos dias de vida em uma cadeira de rodas no Retiro dos Artistas e partiu para outros planos no dia 22 de setembro de 2009.


Reny de Oliveira

A sétima Emília foi Reny de Oliveira. Ela nasceu em São Paulo, no dia 28 de dezembro de 1947, e foi a Emília mais marcante, interpretou a personagem entre 1978 e 1982, mas apesar de ter sido uma das Emílias mais queridas do público, a sua aceitação não foi igual na produção da série.

Reny já tinha uma carreira consolidada de atriz com passagem pela Record, Globo, Tupi e TVS e antes dela ter sido a escolhida para o papel a atriz Stela Freitas já tinha sido aprovada, mas depois foi realocada para interpretar a Cuca.

A imagem de Reny ficou tão vinculada a Emília que acabou sendo danoso para sua carreira de atriz e até para o seu emocional. Depois de cinco  anos de muita entrega e um resultado memorável para o público, porém, com desgastes na relação com os colegas de elenco e riscos a sua saúde devido o excesso de maquiagem que ela usava durante muitas horas seguidas, deixou a série para se aventurar em outros trabalhos. Uma das maneiras que encontrou para se desvincular da personagem foi aceitar o convite da Playboy em 1984.

Reny ainda atuou em algumas produções para a TV depois do Sítio do Picapau Amarelo. Ela fez a novela Final Feliz na TV Globo, a novela O Anjo Maldito no SBT, e o programa Nave da Fantasia na Rede Manchete como a Bruxa Gata Na Tuba. Esse foi o infantil que a Simony apresentou durante um tempo e depois foi substituida por Angélica nos últimos meses em que ficou no ar. Foi a estreia da Angélica na TV.

Depois disso, Reny abandonou a vida artistica, casou-se com um estados-unidenses e se mudou para os Estados Unidos. Em 2006, mudou-se para o Canadá e se separou em 2010. Ela se tornou professora de Yôga e procura viver no anonimato.


Suzana Abranches

A oitava Emília foi Suzana Abranches. Ela nasceu no Rio de Janeiro, no dia 3 de janeiro de 1961. A sua estreia na TV foi com o papel de Emília que quase não deu certo. Ela disse em uma entrevista que ligaram para ela e disseram que estavam fazendo um teste pra Emília e que ela deveria fazer, mas quando ligou para a produção da Globo lhe responderam que os testes já tinham terminados.

No entanto, Suzana não se convenceu e procurou o diretor Geraldo Casé que a autorizou a fazer o teste que aconteceu, segundo ela, junto com muita gente mais experiente do que ela. E reconhece que seu desempenho não foi necessariamente o melhor, mas acabou sendo o mais se aproximava do que a direção da emissora procurava na ocasião. Um dos pontos altos acabou sendo sua piscada de olho, uma coisa que nenhuma das atrizes tinha feito.

Suzana interpretou a Emília entre 1983 a 1986, ou seja, até o fim da série na televisão. Depois disso ela atuou em diveras teledrameturgias na Rede Manchete, na Rercord, na Band, no SBT e na TV Globo. Além de filmes e peças de teatro.


Isabelle Drummond

A nona Emília foi Isabelle Drummond. Isabelle Christine Lourenço Gomes Drummond nasceu na cidade Niterói, no Rio de Janeiro, no dia 12 de abril de 1994. Antes de dar vida a boneca de pano, ela fez uma participação na novela Laços de Família, em 2000, no episódio de 7 de junho. No mesmo ano, participou do episódio: O.T.A. / Franca do programa Linha Direta. E também integrou o enorme elenco do filme Xuxa Popstar. Em 2001 interpretou a Rosicler Maia na minissérie Os Maias.

Quando Isabelle foi fazer o teste de elenco seria para o papel de Narizinho, no entanto, ela tinha recebido as falas da Narizinho e da Emília e como não sabia qual deveria decorar, decorou os dois, mas como as falas da Emília eram mais interessantes ela já chegou no estúdo recitando o texto. O diretor, ao vê-la, não teve dúvidas e a escalou para interpretar a Emília. Detalhe, as outras atrizes que fariam, ou fizeram o teste, eram todas adultas.

Coincidentemente Isabelle tinha apenas um ano a mais do que a primeira Emília criança que foi interpretada por Olga Maria no filme O Saci, em 1953, e sua caracterização ficou bem parecida.

Ela foi a Emília mais longa de todas as adaptações, interpretou a personagem entre 2001 e 2006, dos sete aos 12 anos de idade. E depois deu continuidade em sua carreira como atriz sempre na TV Globo, além de fazer filmes, dublagens e peças de teatro.


Tatyane Goulart

A décima Emília foi Tatyane Goulart, ela nasceu no Rio de Janeiro, no dia 18 de outubro de 1983. Sua estreia na TV aconteceu em 1991 na telenovela Felicidade e depois atuou em diversas obras entre novelas, seriados e programas de TV, como Você Decide e Malhação, além de apresentar o Globo Ciência entre 1998 e 1999.

Tatyane assumiu o papel de Emília quando o Sítio do Picapau Amarelo passou por uma grande adaptação em 2007 e que, infelizmente, foi a última temporada da série. Sua caracterização lembrava bastante a Emília de Leda Zepellin no filme de 1973.

Depois do Sítio do Picapau Amarelo, Tatyane fez participações nas séries Casos e Acasos e Guerra e Paz, e na minissérie Cinquentinha, além de apresentar a TV Globinho.

Em 2013, atuou na novela Pecado Mortal da Rede Record e em seguida resolveu se dedicar a dublagem no MG Studios, o qual também passou a administrar em 2016. No entanto, ainda protagonizou uma peça de teatro em 2017 e atuou na novela Gênesis da Record, em 2021.


Isabella Guarnieri

A décima primeira Emília foi Isabella Guarnieri. Ela nasceu em São Paulo, no dia 30 de setembro de 2000.

Mas diferente das outras Emílias, ela não se caracterizou de boneca, apenas emprestou a voz na série animada que passou entre 2012 e 2016.

Nesse caso, a Vilma Bentivegna que dublou a Olga Maria no filme O Saci não deveria ser considerada uma Emília também? Eis a questão.


Débora Gomez

A décima segunda Emília foi Débora Gomez. Ela nasceu em Lavras, no estado de Minas Gerais, no dia 24 de julho de 1981. Débora estreou na TV em 2003, na novela Canavial de Paixões, e depois atuou em várias novelas da emissora, além de outras da Record e de ter sido contratada pela TV  Globo após ter sido chamada para a Oficina de Atores. Em 2008, ela ganhou o Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema Latino de Curitiba pelo filme Fronteira.

A sua versão de Emília lembra muito a Renny de Oliveira, a segunda Emília na primeira versão da Globo. Não tanto pelo figurino, mas, mais pela interpretação.

Em 10 de outubro de 2021, vinte anos depois do lançamento da quinta versão do Sítio do Picapau Amarelo na Globo, foi ao ar no Programa Silvio Santos uma pegadinha voltada ao público infantil com os personagens da obra de Monteiro Lobato. Desde 2019, as obras de Monteiro Lobato entraram em domínio público. Quer dizer que qualquer pessoa pode fazer uso das obras sem precisar pagar direitos autorais.


Lindainês Deterling

Em 2023, o SBT resolveu fazer algumas alterações na plataforma SBT Vídeos e mudou o nome para +SBT e, devido a boa recepção das pegadinhas com a turma do Sítido do Picapau Amarelo, a emissora deu início a produção de uma nova série com os personagens. Essa nova série do +SBT proporcionou o surgimento da décima terceira Emília, a Lindainês Deterling que nasceu em Divinópolis, em Minas Gerais, e já era fã da Emília desde criança.

A sua escolha para intepretar a personagem aconteceu depois de o diretor Jefferson Candido te-la visto em uma participação no programa Silvio Santos com a Patricia Abravanel e procurado suas redes sociais onde a viu caracterizada de Emília. Lindainês montou uma empresa de animação e se apresenta caracterizada de personagens infantis, a Emília é uma delas.

A razão de Jefferson Candido ter procurado por Lindainês é que em 2022 a turma do Picapau Amarelo tinha confirmado presença na CCXP em São Paulo, um evento geek, mas Débora Gomez tinha sido mãe recentemente e não poderia cumprir com a agenda. Então, ela foi convidada para fazer apenas essa participação.

Como as roupas e a peruca da personagem se encaixaram perfeitamente em seu corpo e sua interpretação foi perfeita ela recebeu outro convite. Participou do episódio Substântivo Próprio atuando ao lado de Débora Gomez, além de ter gravado outras participações em outros papeis na série, e ter sido eleita a representante oficial do Picapau Amarelo em enventos e em programas de televisão.

Em julho de 2025 ela fez uma participação no Bom Dia & Cia com o Patati e Patatá e alavancou a audiência do programa. Depois disso acabou fazendo parte oficialmente do infantil. A intepretação da Lindainês consegue ser mais parecida com a Emília de Renny de Oliveira, mas para incorporar a personagem ela não se limitou somente a uma atriz, estudou detalhadamente todas as versões da Emília e o resultado é digno de aplausos.

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