De onde vem o dinheiro das emissoras de TV


As emissoras de televisão têm algumas alternativas de faturamento, veja 10 meios que  elas recorrem para manter seus canais no ar.

1. Repasses do Governo.
Em muitos países as emissoras de televisão são beneficiadas por uma taxa ou licença de TV. Ou seja, da mesma maneira que a população paga imposto para ter direito a saúde, segurança, educação... paga também para ter televisão. Bom, na verdade não é exatamente assim porque isso varia de país para país. No Reino Unido, por exemplo, as pessoas pagam essa taxa que é redirecionada à TV estatal só se ela assistir a televisão linear. Se assistir a alguma plataforma de streaming, não paga.

Em alguns países, se a pessoa tem televisão em casa, tem que pagar essa taxa, independente de assistir ou não os canais lineares. Na Alemanha é assim, assista ou não assista televisão, tem que pagar por isso.

No Brasil não existe essa taxa, mas as emissoras recebem dinheiro do governo. Isso é um pouco contraditório porque os canais abertos precisam de autorização do governo para funcionar, já que é o governo que regulamenta o uso das frequências utilizadas para as transmissões de Rádio e Televisão. Ou seja, o governo cede a exploração da radiodifusão para uma empresa privada, então ela é que deveria pagar pelo uso desse recurso.

No entanto, essas empresas podem fazer uso desse bem natural com algumas obrigações que são impostas e precisam ser cumpridas para que tenham a licença de se manter operante, essas licenças são renovadas a cada 15 anos, e o governo pode intervir. Nós não costumamos ver com frequência, mas o presidente pode entrar ao vivo a hora que ele quiser em cadeia nacional, ou seja, em todas as emissoras ao mesmo tempo.

Sabe o horário político? As emissoras são obrigadas a abrir esse espaço no período eleitoral. E se chama horário gratuíto porque elas, as emissoras, não recebem nada por essa hora que cedem a campanha dos partidos. Mas o governo injeta milhões nas emissoras, a cada ano, para divulgar suas publicidades. E o valor que as emissoras recebem depende do alcance que elas têm, por isso a Globo sempre ganha mais. Depois dela é a Record, depois o SBT, a Band, a RedeTV!...

2. Publicidades.
Pelo fato de não existir a taxa obrigatória da população para manter a televisão, as emissoras precisam ter uma boa audiência para atrair anunciantes. Então, quanto mais audiência tem, mais anunciantes ela tem e mais caro pode cobrar deles. As emissoras que não têm boa audiência e em consequência não tem muitos anunciantes precisam utilizar outros meios.

3. Apoio Cultural.
A TV Cultura é administrada pela Fundação Padre Anchieta, além dos anúncios e apoios culturais do setor privado ela é financiada por repasses do Governo do Estado de São Paulo. Em dezembro de 1997, chegou a ser criado um imposto estadual em São Paulo denominado Taxa Educação e Cultura através das contas de energia elétrica que variava conforme o consumo de energia dos consumidores para financiar a programação da da emissora e da Rádio Cultura. No entanto, em 2021, a cobrança da taxa foi declarada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.


4. Editoras.
Como as emissoras precisavam de um mínimo de rendimento para começar suas operações, esses finaciamentos vieram das mais distintas fontes. A Rede Manchete era mantida, basicamente, pela Editora Bloch. Da mesma maneira que a MTV era mantida pela Editora Abril. 

5. Produtoras.
A RedeTV! que assumiu as concessões da Rede Manchete era financiada pela empresa criada pelos seus sócios. Marcelo de Carvalho e Almicare Dallevo foram os criadores do 0900, o serviço telefônico que vendia de tudo, desde histórinhas do Chaves até tele sexo. Além de servir como suporte para as emissoras de televisão que estimulavam a interação dos telespectadores como o Você Decide e o Intercine da Globo, o Fantasia do SBT...

Para utilizarem e venderem esse serviço eles criaram a empresa Tele TV, e depois criaram a Ômga TV, ambas já vendiam serviços e produziam muito conteúdo para a Rede Manchete nos anos 90.

6. Conglomerados de empresas.
Silvio Santos sempre foi um grande empreendedor, ele sabia tirar benefício das oportunidades que tinha, então, mesmo antes de conseguir uma concessão de Televisão ele já era muito conhecido pelos programas que apresentava comprando horários nas emissoras e investindo em empresas que lhe davam um bom retorno financeiro.

A loja Baú da Felicidade, por exemplo, ele assumiu a empresa falida e a reergueu, era um sistema de vendas parceladas em que o comprador só recebia os produtos quando quitava o carnê. Para estimular o investimento dos seus clientes ele fazia sorteios de participação em seu programa, através dos talões pagos, que podiam dar carros e casas aos participantes. Além das empresas, quando Silvio ganhou a concessão do seu primeiro canal de televisão ele já tinha vários imóveis que lhe garantiam uma boa renda.

A Tupi, a primeira televisão do Brasil já tinha um grande conglomerado de empresas de comunicação e quando entrou no ar. Silvio Santos construiu o seu. A Jequiti Cosméticos e o Hotel Jequitimar são alguns dos empreendimentos do Grupo que tem também Serviços Digitais e de Comunicação como a FunKids e a TV a cabo Alphaville, Corretora de Seguros e até um banco, o Panamericano, que foi vendido em 2011.

O Título de capitalização Tele Sena foi criado para salvar a emissora da falência em 1990. Ou seja, o SBT precisa atrair anunciantes para manter o caixa da emissora, mas sempre foi capaz de se sustentar por sim mesmo.

A TV Globo também tem um grande conglomerado de empresas como a Editora Globo, a Som Livre que já não tem mais, mas foi durante muitos anos uma grande fonte de renda e... canais de televisão. O fato é que a Globo investe mais em produção e venda de conteúdo.

7. Venda de conteúdo.
As grandes emissoras da nossa TV cresceram disponibilizando muito contéudo enlatado, aquelas séries, filmes, novelas e até programas comprados de outros países e dublados em português. Hoje em dia, o SBT é a emissora que mais utiliza esse recurso, na verdade, sempre recorreu a importação de conteúdo pronto pelo custo, já que é mais barato dublar do que produzir desde a estaca zero.

O Silvio Santos sempre soube vender muito bem qualquer coisa, mas criar não era o seu forte. Praticamente todos os seus programas eram reproduções de atrações internacionais. A Globo não fica muito para trás, ela tem alguns programas que são licenciados como o Big Brother, o The Voice que ficou durante vários anos em sua grade, o The Masker Sing... O Luciano Huck leva quadros para o seu programa que são comprados.

Mas, a Globo já há muitos anos vende suas telenovelas para vários países. Novela é o negócio da Globo, porque programas, acho que o Xou da Xuxa foi único que teve seu modelo reproduzido em vários países, e em alguns casos sem autorização, mas novela vende bem.

8. Vendas de horários.
Muitas emissoras se beneficiam dessa possibilidade principalmente as que não conseguem uma boa entrada através de anunciantes devido a baixa audiência, como a Band, a RedeTV!, e a Record que tem muitas horas de suas programações preenchidas por programas religiosos. Sobretudo a Record que, mesmo tendo boa audiência se utiliza desse benefício para injetar dinheiro da Igreja Universal que o maior ativo do seu dono, o bispo Edir Macedo.

9. Aluguel de estúdios.
A RedeTV!, além do aluguel de horários de sua grade de programação, também aluga seus estúdios para as plataformas de streaming internacionais que operam no Brasil, como a Netflix, Amazon Prime, HBO e Endemol. A partir de 2025, o SBT também passou a alugar estúdios.

10. Plataforma de Streamings.
A popularização das plataformas de streamings mudou a nossa maneira de assistir televisão e as emissoras se viram obrigadas a se adaptar a esse método de disponiblizar conteúdo. Todas criaram as suas próprias plataformas, algumas oferecendo conteúdo grátis com anúncio e outras através de assinatura, nesse caso, a Globo e a Record.


Mas esse método ainda não é muito rentável. A Globoplay, por exemplo, lançada em 2015, tem projeção de alcançar o equilíbrio das contas em 2027. Ou seja, 12 anos só para deixar de ter prejuízo. No entanto, o Youtube que ao mesmo tempo se tornou uma concorrente, é também uma grande fonte de renda das emissoras, pois todas tem canais na plataforma onde disponibilizam recortes de suas produções.


Com o Yotubue, dentre as grandes emissoras de TV, a Globo tem o maior faturamento, o SBT o maior volume de visualizações e inscritos, e a RedeTV! o transformou em extensão da sua principal distribuição de conteúdo, é a sua melhor maneira de competir com as emissoras maiores. Aqui vale aquele ditado: Se você não pode com o inimigo, junte-se a ele.

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