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Os Trapalhões e a Árvore da Juventude

De 1965, até 1975, Renato Aragão fez três filmes sozinho e oito filmes com o Dedé Santana. Em meados ainda da década de 1970 o ator, humorista e músico, Antônio Carlos Bernardes Gomes se juntou à dupla para dar vida ao personagem Mussum e, em 1976, fez o primeiro filme com a trupe, O Trapalhão no Planalto dos Macacos.

No ano de 1977 o trio repetiu a parceria em O Trapalhão Nas Minas do Rei Salomão. O ator e humorista Mauro Faccio Gonçalves se juntou ao trio para dar vida ao Zacarias pouco depois de Mussum, mas só em 1978 é que ele fez o primeiro filme, Os Trapalhões na Guerra dos Planetas.

A partir de então, os quatro estiveram juntos em 22 filmes. Somente em 1983 é que eles se separaram e gravaram dois filmes no mesmo ano. Dedé, Mussum e Zacarias lançaram o filme Atrapalhando a Suate, e Didi protagonizou o filme O Trapalhão na Arca de Noé que teve participação de Sergio Mallandro e Xuxa, foi o terceiro dela, e o primeiro em parceria com Renato Aragão com quem dividiu parcerias em várias outras produções.

O último filme dos quatro Trapalhões juntos foi Uma Escola Atrapalhada, em 1990. Zacarias partiu para outros planos em março daquele ano. Didi, Dedé e Mussum gravaram mais dois filmes juntos, em 1990 O Mistério de Robin Hood e em 1991 Os Trapalhões e a Árvore da Juventude, sendo esse o último filme da trupe, pois Mussum partiu para outros planos em julho de 1994.

Os Trapalhões e a Árvore da Juventude foi lançado no dia 24 de setembro de 1991, foi dirigido por José Alvarenga Júnior, criado para comemorar os 25 anos dos Trapalhões. Além da trupe composta por Didi, Dedé e Mussum, a grande estrela do longa não é Xuxa nem Angélica, a musa da vez foi Cristiana Oliveira no papel de Juliana, que tinha feito um enorme sucesso como Juma na novela Pantanal da Rede Manchete, em 1990.

Além dela, o ator e músico Carlos Loffler interpretou o Didi com 25 anos, Eduardo Monteiro interpretou o Dedé com 25 anos, e Lui Mendes que foi creditado como Luiz Cláudio interpretou o Mussum com 25 anos. Também estiveram no elenco a Duda Little, Andréia Faria e o Conrado, o ex-dominó Nill, Caxa Aragão que foi creditado como Ricardo Rangel, Dominique Scudera e Glenda Kozlowski que ficou super conhecida como jornalista e apresentadora esportiva, mas pensava em ser atriz.

Essa é a turma do bem, mas só a Cristiana Oliveira tem um papel relevante. Nesse sentido, os vilões têm mais protagonismo, mesmo quase todos tendo o rosto coberto por um lenço e a voz dublada. O ator estados-unidenses John Stanley interpreta o Dr. Stone, o líder dos contrabandistas. A trupe dos Trapalhões é interpretada também por um trio de crianças. Bernardo Palmeira faz o papel de Didi, Carlos Frederico de Dedé, e Wanderson Miranda Gomes de Mussum. Tem também a Ana Paula Oliveira que aparece nos últimos minutos do filme como a Juliana criança e tem também a participação de indígenas em algumas cenas.

Os três Trapalhões fazem o papel de guardas florestais do posto 3, que lutam contra a ação de contrabandistas liderados pelo Dr. Stone. A engenheira Juliana chega no local com um grupo de estudantes para estudar as plantas da Amazônia. Em meio às lutas contra os serralheiros, os três guardas vão parar em uma caverna onde encontram uma árvore da qual jorra um jato d’água e ao beberem viram crianças.

Eles são capturados pelos contrabandistas, mas conseguem fugir, pois, ao urinar envelhecem alguns anos. Esse era o contrafeito da água da juventude, cada vez que perdessem líquido corporal, envelheceriam, e essa regra perde o sentido porque os três passam boa parte do filme como jovens. Ou seja, não suam, não sangram, não fazem xixi... e tem uma cena em que o Didi passa um dia todo na cama. E não foi ao banheiro depois de todo esse tempo? Ele demora muito para voltar ao normal.

Ainda assim, o dramalhão todo tem coesão, não é só uma sequência de esquetes, e arranca alguns sorrisos de vez em quando. Eu não gosto dos gritos do Dedé. Algumas críticas dizem que o filme tem uma boa mensagem ambiental em sua temática, mas na verdade só tentam fazer graça em meio a natureza, porque mensagem mensagem mesmo, caso haja alguma, passa desapercebida. 

Quando se convertem em criança, os três Trapalhões não se recordam das coisas de adultos, mas se reconhecem entre eles. Didi pensa que a foto de Juliana que ele carrega é de sua mãe, depois, quando jovem, tem certeza que é da sua namorada. Eles se apresentam a ela e aos estudantes pelos seus nomes verdadeiros.

O título do filme não faz muito sentido com a história, porque me passa a impressão que tudo ia girar em torno da árvore da juventude. Os vilões poderiam querer roubar a água... levar para os Estados Unidos... utilizar de alguma forma em benefício próprio e... não. Ela aparece uma vez apenas quando os três Trapalhões bebem da fonte e no final do filme aparece uma vez mais. Maaasss... por que é que um filme tem que ter um nome coerente, né? Tipo, Lua de Cristal. Acho que uma das chamadas da Sessão da Tarde daria um nome com mais sentido, Os Guardas Mais Loucos da Floresta.

Uma das músicas do filme, Natureza, um rap, é interpretada por Didi, Dedé e Mussum. Existem várias fontes dizenddo que tem a participação de Angélica e Ney Matogrosso, mas não é verdade. Os créditos do filme dizem que a canção foi escrita por Michael Sullivan e interpretada pelos Trapalhões.

Essa informação deve ter sido uma confusão com a música Help Natureza que os quatro Trapalhões, Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, gravaram com Ney Matogrosso para o segundo álbum da Angélica, de 1989. Ou seja, na ocasião do lançamento do filme a Angélica já estava no seu quarto álbum.

O curioso de o grupo Os Trapalhões é que Renato Aragão começou fazendo filmes só com o Dedé. O Zacarias, que foi o último a entrar no grupo, foi o primeiro a partir para outros planos, e depois dele o Mussum resumindo a trupe na dupla inicial. Somente em 1997 é que Renato Aragão lançou outro filme, O Noviço Rebelde, que desencadeou uma série de outros longas.

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