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A verdade sobre os números do IBOPE

Lá no finalzinho dos anos 80 e comecinho dos anos 90 a Globo detinha uma parcela enorme de audiência da televisão. Eles até fizeram uma publicidade dizendo que em cada 10 televisores ligados, sete estavam na Globo. Ou seja, tinham 70% da audiência em todo o país.

Mas naquela época a televisão imperava e não tinha nada melhor. Mas aí no comecinho de 1990 chegou no Brasil a TV por assinatura que teve o seu momento até a internet ficar popular e surgirem as plataformas de streamings. A televisão aberta não perdeu tanta audiência para a TV por assinatura porque quem pagava para ter uns canais extras tinha mais variedade, mas era caro e mais cedo ou mais tarde o conteúdo acabava sendo exibido na TV aberta também.

Com o tempo a forma de consumirmos conteúdo foi mudando, então precisa uma readequação na maneira de medir a audiência e o modelo atual do sistema de medição é bem questionável. Por exemplo, não medem audiência nas favelas e, tanto no Rio de Janeiro, quanto em São Paulo, que são dois centros usados como referências para a medição, as favelas tem população similar a cidades, é muita gente deixada de fora.

E uma coisa que as próprias emissoras questionam é: como que um jogo do Corinthians, por exemplo, alcança 20 pontos na Globo, mas só 9 na Record? Se os torcedores são fiéis aos seus clubes eles devem assistir o jogo na emissora em que está passando, então a audiência não deveria ter tanta diferença.

O processo de medição de audiência da televisão parece bem arcaico se levarmos em consideração o alcance que tem a internet. O Kantar Ibope ainda usa um aparelho chamado peoplemeter que precisa ser instalado em um determinado número de casas e depende da boa vontade dos residentes na hora em que se sentam diante do televisor. Eles precisam registrar suas presenças.

Como as famílias passam por mudanças constantes, como a entrada e saída de pessoas de uma residência, o método de medição também precisa se ajustar anualmente e os lares que possuem o aparelho coletador de dados são trocados a cada quatro anos, mais ou menos. Para isso, a empresa que faz a medição usa os dados do Censo na hora de escolher quem é que vai receber o aparelho em casa.

Em 1996, cada ponto de audiência no Brasil equivalia a 1.500.000 pessoas. 30 anos depois, em 2026, esse número caiu praticamente para a metade, para 700.000 pessoas. Isso porque o número de domicílios aumentou nesses trinta anos, mas o número de residentes de cada casa, diminuiu. Em meados dos anos 90, a média era de quase 4 membros por casa. Em 2026, essa média é de aproximadamente 2 a 3. Por isso, antigamente, 1 ponto de audiência valia mais gente aglomerada na frente de uma única TV.

Em 1996, o Brasil tinha 157 milhões de habitantes, e em 2026 esse número subiu para 212 milhões. Ou seja, são 55,5 milhões de pessoas a mais. E se antes era bem comum as famílias tivessem mais gente vivendo sob o mesmo teto. Em 2026 tem casas, ou apartamentos, com uma ou duas pessoas. Então, para uma emissora atingir o mesmo número de pessoas que conseguia lá nos anos 90, ela precisa entrar em muito mais casas.

E outro fator que influencia bastante também é que o número total de domicílios com televisor aumentou, e muitas casas que já tinham televisão passaram a ter mais de uma, então, pode ser que cada televisão ligada dentro da mesma casa esteja em um canal diferente. 

Em 1996, em São Paulo, cada ponto no IBOPE equivalia a 40 mil casas, o que correspondia a 152.000 pessoas. Naquela época, a novela das 8h da Globo era Explode Coração que atingiu isoladamente, isso é, em um dia, 60 pontos de audiência. Quer dizer, não é a média geral, não é que a novela sempre chegava a 60 pontos, a média geral era de 47 pontos, mas o número mais alto de audiência que ela conseguiu foi em um dia em que chegou a 60 ponto. Isso equivalia a 2.400.000 casas. O que correspondia a 9.120.000 pessoas.

Em 2026, cada ponto de audiência corresponde a 70 mil casas, ou 200.000 pessoas. A novela das 9h da Globo... O horário mudou, antes era das 8h, e passou a ser das 9h. A novela em questão é Três Graças que para chegar naquele ápice de Explode Coração, ela não precisava de 60 pontos, 35 pontos já eram suficientes para chegar a 2.450.000 lares. No entanto, para se aproximar do número de indivíduos que foi o recorde de Explode Coração, aí ela precisava de mais pontos, de 46, para chegar 9.2000.000

Ficou bem longe disso, pelo menos nos números de audiência, mas veja que apesar de os números do Kantar Ibope mudar muito, o alcance de pessoas não é tão diferente. Outros números, Três Graças se mantinha com 22 pontos frequentemente, em 1996 22 pontos equivalia a 880.000 casas e em 2026, a 1.540.000 mil casas, é quase o dobro. Em números de indivíduos, 22 pontos em 1996 correspondia 3.344.000 indivíduos, e em 2026, a 4.400.000 pessoas.

Então, os números de audiência de 2026 valem mais do que valiam em 1996. E ainda assim, a novela A Dona do Pedaço que passou em 2019, chegou a 45 pontos. Levando em consideração o alcance atualizado, teve muito mais gente que assistiu A Dona Do Pedaço do que Explode Coração. Amor de Mãe conseguiu bater 36 pontos. Pantanal alcançou 34 pontos, Terra e Paixão conseguiu 32 pontos...

E agora, levando em consideração que a gente não vê mais televisão só sentado no sofá, nem só pelo televisor, mas pelo computador, pelo tablete, pelo celular... a medição precisa se readequar e é a grande bronca das emissoras com a empresa que levanta esses dados. Mas, de qualquer maneira, a televisão está longe de morrer, ainda é o veículo mais forte de comunicação em massa.

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