A Globo já fez algumas gambiarras com minisséries editando ou só compactando para vender como filme, teve, por exemplo, a minissérie O Auto da Compadecida que foi exibida originalmente em janeiro de 1999 e, depois, reeditada com uma hora a menos e a lançada nos cinemas no ano de 2000. E fizeram a mesma coisa com a minissérie Caramuru: A Invenção do Brasil, que foi exibida em abril de 2000 em comemoração aos 500 anos do país, e reeditada para o cinema em 2001.
Mas esse processo de reedição começou antes de O Alto da Compadecida, tem uma lista bem grande desse recurso usado para explorar um pouco mais as produções de sucesso. A minissérie As Noivas de Copacabana que foi exibida em 1992, já tinha sido reeditada pela Globosat em parceria com a Som Livre para o formato de filme para a televisão, em 1998. E depois, ainda teve, O Quinto dos Infernos, de 2002, O Canto da Sereia de 2013, e, A Teia de 2014, que foram convertidas em filmes para festivais internacionais.
E o contrário também aconteceu, a Globo produziu e financiou filmes já com a intenção de exibi-los em capítulos na televisão com inclusão de cenas inéditas, como ocorreu com Gonzaga: De Pai pra Filho em 2013, Tim Maia em 2015, Alemão em 2016, Entre Irmãs em 2018, 10 Segundos para Vencer em 2019, Hebe também em 2019, e, Chacrinha em 2020.
Mas tiveram também os filmes que foram produzidos especialmente para o cinema, que não eram edições compactadas de um programa. O romance Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Jorge Amado, de 1966, ganhou primeiro uma adaptação para o cinema. O filme dirigido por Bruno Barreto estreou em 1976, Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça nos papéis principais. Se manteve como recordista de público no cinema brasileiro por 34 anos, com mais de 10 milhões de espectadores, até ser ultrapassado em 2010 por Tropa de Elite 2.
A versão para a televisão só estreou em maio de 1998, na TV Globo, em 20 capítulos, adaptada por Dias Gomes com geral de Mauro Mendonça Filho e direção de núcleo de Guel Arraes, e contou com Giulia Gam, Edson Celulari e Marco Nanini no triângulo amoroso. Apesar da boa audiência, a minissérie sofreu com as comparações com o filme. Dona Flor e Seus Maridos foi gravado como novela no México em 2019, e já tinha sido gravado como filme nos Estados Unidos em 1982, sob o título de Meu Adorável Fantasma.
Em 2017, o romance ganhou outro filme brasileiro, dirigido por Pedro Vasconcelos, com Juliana Paes, Marcelo Faria e Leandro Hassum no papel do triângulo amoroso protagonista. O desempenho no cinema foi discreto, teve entre 120 a 130 mil espectadores.
O filme Xica da Silva, estreou nos cinemas em 1976. Foi dirigido por Carlos Diegues, baseado no livro homônimo de João Felício dos Santos, do mesmo ano do filme, com Zezé Motta e Walmor Chagas nos papéis principais. A história é sobre a relação do contratador de diamantes, português, com Xica da Silva, escravizada, que ganha a liberdade e se torna na mulher mais rica e influente da região.
Em setembro de 1996, a Rede Manchete teve a história adaptda em uma telenovela com roteiro de Walcyr Carrasco e direção geral de Walter Avancini. Taís Araújo e Victor Wagner fizeram os papeis principais. Foi uma das novelas mais marcantes da emissora e vendida para vários países com sucesso em todos os foi apresentada. Uma versão do filme restaurada em resolução 4k foi lançada nos cinemas pela Sessão Vitrine Petrobras em julho de 2026
A novela Gabriela estreou na TV Globo em abril de 1975. É uma adaptação feita por Walter George Durst, do romance Gabriela Cravo e Canela, de Jorge Amado, de 1958. Teve direção geral de Walter Avancini e Gonzaga Blota, e contou com Sônia Braga no papel principal. A história se passa em 1925 quando uma grande seca no Nordeste obriga muita gente a abandonar o campo e migrar ao sul. Entre os retirantes, está a jovem Gabriela, órfã desde menina, ingênua e que aceita tudo com naturalidade e acha complicada a vida das pessoas da cidade.
O filme, baseado no mesmo livro de Jorge Amado, foi dirigido por Bruno Barreto, estreou nos cinemas em 1983, com Sônia Braga no papel principal. Ela foi a única atriz da versão feita pela TV a atuar no longa metragem. Então, esse filme não é necessariamente uma produção da Globo, é a adaptação de um livro que a emissora usou com base para produzir uma novela.
Em abril de 1993, o infantil TV Colosso estreou nas manhãs da TV Globo, ocupando toda a grade matinal e permaneceu no ar até janeiro de 1997. O contrato com os criadores dos personagens foi encerrado em agosto de 1996 e o programa mantido no ar com reprises, desde então. Em dezembro de 1995, a equipe de produtores levou a trupe para o cinema com o filme Super Colosso - A Gincana, mesclando os personagens da televisão com humanos, pela primeira vez. É uma situação bem surreal porque os cachorros e humanos se entendem e interagem como se fizessem parte do mesmo universo.
A novela Tieta estreou na TV Globo em agosto de 1989. Foi uma adaptação do livro Tieta do Agreste, de Jorge Amado, de 1977. Foi adaptado por Aguinaldo Silva, com direção geral de Paulo Ubiratan e contou com Betty Faria no papel principal. A trama gira em torno do retorno de Tieta a cidadezinha Santana do Agreste, 25 anos depois de ser expulsa de casa pelo pai, por não corresponder com o comportamento moral da época, e enriquecer na cidade de São Paulo.
O filme quase saiu antes da novela estrear, a diretora Lina Wertmüller adquiriu os direitos após o livro ser publicado em 1982, na Itália, e convidou Sophia Loren para o que seria Miracoli e Peccati di Santa Tieta D’Agreste, onde Cláudia Ohana faria o mesmo papel que interpretou na novela, a Tieta na primeira fase, mas depois de gravar algumas cenas o projeto foi abandonado.
Em 1988, Sônia Braga assumiu o projeto, só não imaginava que na mesma época Jorge Amado tinha cedido os direitos para Betty, que segundo ela, a esposa do autor lhe havia dito que ela se encaixa perfeitamente no perfil da personagem. Para amenizar a situação entre as atrizes, ele disse que Betty interpretaria a personagem na TV, e Sônia, que já tinha interpretado Gabriela e Dona Flor, faria no cinema.
Tieta do Agreste, estreou nos cinemas em 1996, com direção de Cacá Diegues, com Sônia Braga no papel-título. Nenhum ator da novela esteve no elenco do filme. A obra foi selecionada para representar o Brasil no Oscar de 1997, mas não foi aceito como indicado. Em 2025, a atriz Suzana Pires revelou que estava pondo em marcha um projeto para fazer outro filme de Tieta.
A minissérie Riacho Doce estreou na TV Globo em 31 de julho de 1990. Foi escrita por Aguinaldo Silva e Ana Maria Moretzsohn, baseada no romance homônimo de José Lins do Rego, de 1939. Foi dirigida por Paulo Ubiratan e Reynaldo Boury e contou com Contou com Vera Fischer, Carlos Alberto Riccelli e Herson Capri nos papéis principais.
A história gira em torno do casal catarinenes que tinha passado um período na Suécia, Carlos e Eduarda, que se envolve com Nô, um homem protegido por forças sobrenaturais para que não se envolva com nenhuma mulher. A minissérie foi produzida para frear a audiência da novela Pantanal na Rede Manchete e usou as mesmas estratégias, cenas de nudez e muita natureza selvagem. As cenas externas foram gravadas no arquipélago de Fernando de Noronha e na praia de Carne de Vaca, em Pernambuco.
Em 1998, Fábio Barreto adaptou a obra para o cinema com o título Bela Donna, intitulado White Dunes no exterior. Foi filmado em Morro Branco e na praia de Canoa Quebrada, no Ceará, com o estados-unidenses Andrew McCarthy e a canadense Natasha Henstridge nos papéis do casal Frank e Donna, que se envolve com o brasileiro Nô, interpretado por Eduardo Moscovis.
A minissérie de Aguinaldo Silva foi mais fiel ao livro do que o filme de Fábio Barreto. Ele alterou bastante a trama para adpatar a história ao mercado internacional e pouco se fala desse filme.
A série Castelo Rá-Tim-Bum, criado por Flávio de Souza, estreou em maio de 1994, na TV Cultura, com direção de Cao Hamburger, e foi considerado um dos melhores produtos audiovisuais da história da televisão brasileira. Todas as tramas apresentadas giram em torno de Nino, um garoto bruxo de 300 anos, que vive em um castelo dentro da cidade de São Paulo e se sente muito só. Então, ele atrai três crianças que saiam da escola para fazer amizade e passar o seu dia nas dependências do castelo.
Em dezembro de 1999, estreou nos cinemas Castelo Rá-Tim-Bum - o Filme, produzido e dirigido por Cao Hamburger. Baseado na série de televisão, mas com o elenco infantil distinto, inclusive o personagem principal, Nino, interpretado por uma criança. Apenas o Dr. Victor, a bruxa Morgana, o Dr. Abobrinha e a Penélope, foram interpretados pelos mesmos atores da série original. O filme teve um orçamento de sete milhões de reais, é um dos longas mais caros já produzidos pelo cinema brasileiro.
O seriado Os Normais, estrou na TV Globo em junho de 2001. Foi criada e escrita por Fernanda Young e Alexandre Machado, com direção geral de José Alvarenga Júnior e núcleo de Guel Arraes. Teve Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães nos papeis de Vani e Rui que, apesar de passarem a maior parte do tempo juntos no mesmo apartamento, vivem em lares separados no Rio de Janeiro onde passam por situações inusitadas em cada episódio. O seriado se tornou um sucesso de audiência.
Em outubro de 2003, ganhou os cinemas com o longa Os Normais - O Filme, com o mesmo casal da TV e com o mesmo diretor e autores. A produção conta a história de como o casal Rui e Vani se conheceram no dia em que se casariam com outras pessoas, mas se esbarram por acaso e começam a conversar, desenvolvendo uma química imediata e caótica.
Na semana de estreia, o filme teve mais de um milhão de espectadores e ao todo foram quase de 3 milhões de pessoas, figurando assim como a terceira maior bilheteria do cinema nacional em 2003 e o quadragésimo terceiro filme mais assistido no Brasil até o final de 2011.
O seriado A Grande Família estreou na TV Globo em março de 2001. Foi um reboot do seriado original de 1972. Inicialmente teria apenas 12 episódios, mas se manteve na grade de programação da emissora por 14 anos e se consolidou como o programa humorístico mais assistido da televisão brasileira. As histórias giravam em torno dos membros de uma fictícia família de classe-média, moradora de um subúrbio na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Em 2007, o seriado ganhou um filme com os mesmos atores da televisão, sob direção do mesmo diretor, o Maurício Farias. A história gira em torno de um mal-entendido trágico e cômico, da crença que Lineu tinha poucos dias de vida após fazer um exame médico e que gera muitas confusões e desencontros até descobrirem que o exame era de outro paciente. O filme deu certo, porque passou no auge do sériado na televisão e os espectadores tinham muito carinho pelos personagens.
O humorístico Casseta & Planeta Urgente estreou na Globo em 1992. O grupo composto pelos humoristas Bussunda, Hélio de la Peña, Hubert Aranha, Cláudio Manoel, Beto Silva, Marcelo Madureira e Reinaldo Figueiredo foi fundado oficialmente em 1986, e antes de ganharem um programa próprio já tinham roteirizado o TV Pirata e o Dóris para Maiores, na emissora.
O primeiro filme, Casseta & Planeta: A Taça do Mundo é Nossa, estreou nos cinemas em 2003, pouco tempo depois de Os Normais. O longa faz uma sátira aos anos do regime militar no Brasil, quando militantes comunistas planejam roubar a Taça Jules Rimet das mãos dos futebolistas Pelé e Carlos Alberto Torres durante o dia da final da Copa do Mundo de Futebol de 1970. O filme conseguiu levar mais de um milhão e quatrocentos mil espectadores aos cinemas e lançou outro longa em 2006.
No ano de 1991, o SBT apresentou a novela mexicana Carrossel, originalmente de 1989, que já era o remake da telenovela argentina Jacinta Pichimahuida, la Maestra que no se Olvida, de 1966. A versão mexicana se tornou conhecida internacionalmente e ganhou uma adpatação brasileira em 2012 por Íris Abravanel e direção geral de Del Rangel nos 30 primeiros capítulos, depois, substituído por Reynaldo Boury.
Em 2015, a trama foi levada para o cinema em Carrossel: O Filme em que os alunos da Escola Mundial viajam para um acampamento e participam de uma gincana, entretanto, uma incorporadora pretende comprar o terreno do acampamento para transformá-lo em uma fábrica poluidora cujos representantes usam de todos os artifícios maléficos possíveis, para sabotar o acampamento. O filme levou entre dois milhões e meio a três milhões de espectadores aos cinemas.
Em 2019, 17 anos depois do fim do programa, estreou nos cinemas o longa Sai de Baixo – O Filme, com roteiro de Miguel Falabella que também e dirdireção de Cris D'Amato. Os membros da família se reencontram depois de Caco passar uma longa temporada na prisão e descobre que o resto da família está falida e morando de favor com o porteiro Ribamar e sua nova parceira Cibalena.
Dentre todos, apenas Cacau Protásio não pertencia a nenhuma temporada original do programa e foi convidada depois da recusa de Claudia Gimenez em reviver o papel. Claudia Rodrigues também não pode aceitar o convite devido ao tratamento que fazia para tratar de esclerose múltipla, e Marcia Cabrita, que ficaria com o papel no filme infelizmente, havia partido para outros planos em 2017.
O filme perdeu a essência do programa que era gravado em teatro, com plateia ao vivo, e ficou aquém das expectativas. Conseguiu levar pouco mais de 500 mil pessoas às salas de cinema.
A novela As Aventuras de Poliana estreou no SBT em maio de 2018, baseada no livro infantil Pollyanna, de Eleanor H. Porter, de 1913. Foi adaptada por Íris Abravanel, com direção geral de Reynaldo Boury, sendo esta a quinta adaptação brasileira da obra. O livro é considerado um clássico da literatura infantil e o nome da personagem se tornou um termo popular na psicologia e sociologia, inspirando o síndrome de Poliana para alguém de perspectiva excessivamente otimista que acaba se prejudicando por esperar demais das situações.
Em 2023, a história foi convertida em filme, As Aventuras de Poliana - O Filme, com roteiro de Íris Abravanel e direção de Cláudio Boeckel, estrelado por Sophia Valverde, a mesma atriz da teledramaturgia do SBT. No filme, a personagem e seus amigos precisam definir o que farão após se formarem, e encontram resistência de seus pais. Poliana resolve trabalhar em um hotel para ganhar independência, mas nada no local é o que parece ser. O filme levou pouco menos de 104 mil espectadores aos cinemas.
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