O seriado Mundo da Lua estreou no dia 6 de outubro de 1991. Foi criado e escrito por Flávio de Souza que contou com uma grande equipe de roteiristas e direção de Roberto Vignati. Luciano Amaral, com 12 anos na época, foi o protagonista da série. Ele tinha ganhado um gravador de seu avô paterno, o Orlando, interpretado por Gianfrancesco Guarnieri, quando completou dez anos e, então, cada vez que algo não lhe sai bem, utiliza o aparelho para gravar histórias de como gostaria que as coisas fossem.
A série mostra o retrato de uma família típica paulistana que se encaixava na classe média, uma das três classificações para as famílias que existiam no Brasil. A questão é que os que se identificavam como classe média não se davam conta que também eram pobres porque, apesar de terem uma residência com os aparelhos eletrônicos da época, como vídeo cassete, aparelho de som três em um, TV a cores, geladeira e telefone, também tinham que trabalhar para manter seu padrão de vida e se perdessem o emprego tinham que correr atrás de outro imeditamente.
Na mesma casa de Lucas vivia o seu avô, seus pais, o Rogério, interpretado por Antônio Fagundes, que era professor e se desdobrava para conseguir trabalhar em três empregos. A mãe, Carolina Silva e Silva, vivida por Mira Haar, que tem o papel mais atual da série, além de ser a responsável pela ordem na casa e pela criação dos filhos ainda tinha que trbalhar em uma boutique.
Tem a ainda a irmã mais velha de Lucas, a Juliana Silva e Silva, personagem de Mayana Blum, com quem ele vive em guerra porque os dois têm opiniões diferentes e o gostos opostos, além de disputarem a posse do controle da televisão e do rádio. Assim era a vida, gente, sem celular, sem internet e com uma televisão só em casa, todo mundo tinha que assistir a mesma coisa.
E essa família representa um dos maiores sonhos de consumo de todos os emergentes economicamente, que é ter uma empregada, quem faz o papel da Rosa de Souza é Anna D'Lira. Sua personagem é descrita como viciada em escutar o rádio e conversar com o locutor Ney Nunes como se ele a ouvisse. É atrapalhada, embora bastante criativa ao propor brincadeiras e soluções para as crianças.
E a família do Lucas representava algo mais do que o status econômico, a descendência estrangeira. O pai era de família italiana, a mãe de família portuguesa e argentina, além de alguns parentes de descendentes japoneses e a empregada, a que representava o papel mais ralé da casa, era nordestina.
Mundo da Lua teve 52 episódios que foram gravados entre maio de 1991 e julho de 1992. Nesse período, Antônio Fagundes protagonizou a novela O Dono do Mundo, na TV Globo, além de encenar a peça História do Soldado. Deve ser por isso que seu personagem se desdobrava em três empregos, porque o ator realmente faiza isso. Ele sempre só aceitou fazer novelas se pudesse gravar apenas de segunda a quarta, ou quinta, porque nos fins de semana se dedicava ao teatro. Na época, gravava Mundo da Lua de quinta a sábado.
A série era exibida aos domingos, mas ainda em 1991, passou a ser transmitida também durante a semana, reprisando episódios já exibidos. Aliás, a TV Cultura reprisou o Mundo da Lua por vários anos, foi um sucesso de audiência da emissora nos anos 90. E foi exibido também na TV Globo, de segunda à sexta, às 08h da manhã, de 04 de janeiro a 16 de abril de 1993.
Além dos personagens fixos da casa, vários outros que tinham ligação com a família apareciam em um episódio ou outro. Dentre eles, Flavio de Souza, o criador da série, que intepretava o Tio Dudu, irmão do pai de Lucas. Lucinha Lins que fazia papel de tia do Lucas, irmã do seu pai. Denise Fraga também fez papel de tia, como irmã da sua mãe, mas fez uma única aparição no episódio As Três Irmãs. E, Laura Cardoso, uma professora aposentada, vizinha muito próxima da família.
Teve também muitas participações, dentre os atores que deram a cara no Mundo da Lua, esteve Edson Celulari, Marisa Orth, Rosi Campos e Caio Blat, entre vários outros artistas.
Os cômodos da casa de Lucas eram montados em estúdio, mas a fachada usada na série e também na vinheta de abertura, é real. Ela fica na Rua Zapará, entre os bairros de Pinheiros e Vila Madalena em São Paulo, e pertence à família da diretora Fabrízia Alves Pinto, filha do cartunista Ziraldo. Muitos fãs da série costumam passar pela rua para fazer fotos do local.
Depois da série foi produzido um spin-off, uma pequena continuação de Mundo da Lua, chamada Lucas e Juquinha em Perigo! Perigo! Perigo!, com roteiros do próprio Flávio de Souza e direção de Cao Hamburger, feita para ir ao ar antes do Castelo Rá-Tim-Bum onde Luciano Amaral interpretava o personagem Pedro. Foram apenas 5 episódios de 5 minutos cada, que contavam como Lucas ajudava um primo mais novo nos perigos que toda casa tem, como remédios, tomadas e fogo.
Em 2020, a empresa Danone, por meio de sua marca Danoninho, lançou um episódio inédito de Mundo da Lua também protagonizado por Luciano Amaral, que contou com a ajuda de inteligência artificial para ter sua voz de criança recriada.
Em 28 de junho de 2025, a TV Cultura estreou uma sequência de Mundo da Lua, 34 anos depois da exibição original, dessa vez com foco na filha de Lucas, a Vitória que prefere ser chamada de Emilia, interpretada por Sabrina Souza. O investimento total foi de 36 milhões de reais, com cada episódio custando um milhão e meio e a emissora negociou com Luciano Amaral para que participasse da série, mas ele não aceitou porque considerou o cachê oferecido abaixo do mercado. Então, quem assumiu o papel do Lucas adulto e pai, foi o Marcelo Serrado.
Mira Haar, a mãe de Lucas, também não aceitou a proposta pelo mesmo motivo de Luciano, os valores baixos de seus cachês, e foi substituída por Bárbara Bruno. E o plot twist da nova temporada aconteceu com a empregada Rosa, a única brasileira sem descendência estrangeira no papel mais serviçal da série, não esteve presente nessa nova temporada porque a sua intérprete, a Anna D'Lira, agora mora na Suíça. Isso sim é chique, mais do que trabalhar em uma butique. A personagem foi subsitituida por Berê, vivida por Patricia Gasppar.
Mas Antônio Fagundes aceitou, Flavio de Souza e Mayana Blum também, o pai, o tio, e a irmã de Lucas. E Duda, o bebê recém-nascido de Carolina e Rogério, ou seja, o irmão caçula de Lucas e Juliana, que foi feito por Theodoro Haar de Souza, no último episódio da série original, está presente nessa continuação. E Gianfrancesco Guarnieri, em outros planos desde 2006, foi lembrado com carinho e teve seu espaço preenchido pela Isabela, esposa de Lucas e mãe de Vitoria, interpretada por Pathy Dejesus.
A casa também foi preservada, era a mesma usada em 1991. Foram produzidos 24 episódios com direção artística de João Daniel Tikhomiroff e contou com várias participações, algumas delas de atores que já tinham aparecido em um ou outro episódio da temporada original de 1991, como Rosi Campos e Marisa Orth, além Beth Goulart e vários outros profissionais da atuação.
O seriado, conforme nos conhecemos, quase saiu muito diferente porque quatro episódios nunca exibidos foram gravados em um apartamento com parte do elenco diferente. Dona Ivone, avó de Lucas Silva e Silva, feita por Liana Duval, teria sido interpretada por Etty Fraser, e Antonio Fagundes não teria bigode. Mas a Cultura jogou fora os pilotos e reformulou a série para o modelo que foi ao ar.
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