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Rocky Horror Show

Em 1994, o Brasil do Plano Real e da vitória na Copa do Mundo testemunhou um verdadeiro choque cultural nos palcos. Vinte anos depois do musical original chocar o mundo, The Rocky Horror Show finalmente ganhava sua montagem brasileira definitiva. Uma superprodução underground que desafiou os bons costumes de uma época desembarcou pela segunda vez em nosso país com atores bem conhecidos nos papéis principais.

Rock Horror Show completou 50 anos em 2023 e o musical voltou aos palcos para celebrar o seu jubileu de ouro que se estendeu por 2024, 2025, e 2026, com montagens em vários países, incluindo o Brasil. E o nosso país ganhou sua primeira montagem lá, quase na origem de tudo, em 1975, mas teve muitas adaptações para encaixar as situações da obra no contexto brasileiro. Depois, em 1994, a peça voltou a ser encenada por atores brasileiros e dessa vez mais fiel a montagem original.

A história é sobre um casal que fica noivo, a Janet Weiss e o Brad Majors, e eles resolvem visitar o professor que os apresentou na faculdade. A caminho, o carro dá problema e eles são obrigados a buscar ajuda num castelo próximo a estrada e lá está cheia de personagens peculiares. O líder é o Dr. Frank n' Furter, um personagem andrógino da Transilvânia. Mas não se trata da região pertencente a Romênia, e sim de uma galáxia, porque a peça faz muitas referências a sexualidade para fazer provocações diversas. Inclusive o planeta de origem de alguns personagens se chama Transexual.

A peça foi escrita por Richard O’Brien que é descrito como um ator frustrado que decidiu transformar seu ócio em criação despretensiosa, ou seja, ele não tinha nenhuma intenção em criar algo revolucionário. Trata-se de uma paródia dos filmes B de terror e ficção científica dos anos 40 e 50, ele faz referências ao Frankenstein, ao Drácula e a tramas de invasão alienígena.

Então, o Dr. Frank n’ Furter é um transexual no sentido de ser do planeta Transexual, assim como nós somos terráqueos por sermos da Terra. Isso justifica os trajes que ele usa, são adereços femininos, embora seja um homem. Essa obra conquistou muitos fãs em muitos países e é comum que muita gente vá vestida com os figurinos dos personagens para assistir a peça.

Além dele, e do casal que chega para pedir ajuda, os outros personagens principais da obra são: Riff Raff, o estranho e sinistro mordomo. Magenta, a empregada. Columbia: ex-amante de Frank-N-Furter. Rocky, a criatura criada por Frank-N-Furter. Eddie, um entregador roqueiro. Dr. Everett Von Scott, um cientista, ex-professor de Brad e Janet. E o tio de Eddie que vai ao castelo em busca do sobrinho. Tem um narrador também.

No Brasil, a primeira adaptação foi feita pelo compositor e cantor Zé Rodrix, em 1975, e dirigido por Rubens Corrêa. Depois, em 1994, foi dirigido por Jorge Fernando e em 2016 por Charles Moeller e Claudio Botelho. Tiveram outras montagens posteriores, mas sem atores famosos da televisão.

O personagem do Dr. Frank N' Furter que foi interpretado por Tim Curry na versão original e no filme, no Brasil ficou com Eduardo Conde em 1975, com Tuca Andrada em 1994. E em 2016, o papel ficou com Marcelo Médici que já estava nos seus 44 anos.

O papel do estranhíssimo mordomo Riff Raff foi feito, originalmente, por Richard O’Brien, o criador da obra, que também atuou no filme. No Brasil, em 1975, foi interpretado por Tom Zé, em 1994 por Renato Rabello, e por Thiago Machado em 2016.

A criatura, Rock, o homem perfeito, foi interpretado por Peter Hinwood na versão cinematográfica. No Brasil, em 1975, o papel ficou com Acácio Gonçalves. Em 1994, foi interpretado por Marcello Novaes. Na montagem de 2016 o personagem ficou com Felipe Mafra.

Brad Majors, o noivo ingênuo e atrapalhado foi interpretado por Barry Bostwick no filme. No Brasil, em 1975, o papel ficou com Wolf Maya. Em 1994 foi interpretado por André Felippe. E em 2016 por Felipe De Carolis que interpretou o personagem Sam na minissérie Verdades Secretas no ano anterior, em 2015.

E Janet Weiss, a mocinha ingênua que passa por uma reviravolta completa na história foi interpretada por Susan Sarandon no filme. No Brasil, em 1975, o papel ficou com Diana Strella. Em 1994 foi a Cláudia Ohana quem ficou com a responsabilidade. E em 2016, a personagem foi feita por Bruna Guerin.

Leo Jaime também esteve na montagem de 1994 e interpretou dois personagens, o entregador roqueiro Eddie, que tem vida curta na história, e o Dr. Scott, além de liderar a banda do espetáculo. Os atores cantavam com banda ao vivo.

A adaptação de 1975 teve um disco lançado pela Som Livre com uma musicalidade tropicalista característica da época. Não teve todas as músicas da peça porque era época de ditadura e em uma delas Brad explana seus sentimentos após ter relações sexuais com Frank. A adaptação de 1994 não teve disco lançado, mas teve clipe no Fantástico com Claudia Ohana interpretando a música Science Fiction.

A primeira coisa que pensei é que seria uma extensão da Natasha porque nem tinha ideia do que era Rock Horror Show. Eu me baseava no visual gótico, sombrio, das imagens. Não tocou nas rádios, não vi mais em nenhum outro programa de televisão, não chegou na minha cidade... talvez por isso essa peça e esse filme fique restrito a um grupo determinado de fãs. 

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