O Plantão da Globo é o boletim jornalístico extraordinário da emissora que interrompe a programação para dar aquelas notícias que julgam muito importante e que não pode esperar até o próximo telejornal. Sempre foi assim, essa interrupção acontece há muito tempo, mas a vinheta do Plantão em si não é tão antiga.
Durante as décadas de 1970 e 1980 a TV Globo interrompia sua programação para exibir boletins extraordinários que eram identificados com os selos dos telejornais da faixa de programação em que a notícia era dada. Por exemplo, no dia 17 de agosto de 1987 o escritor Carlos Drummond de Andrade faleceu, às 20h45. Nesse horário o Jornal Nacional já tinha acabado porque a novela das oito começava oito e meia e a notícia não foi dada no plantão da emissora, mas se tivessem feito isso, como a edição do Jornal Nacional já tinha sido concluída, o plantão seria do próximo telejornal que é o Jornal da Globo.
Se tivesse acontecido pela manhã e interrompessem a programação para dar a notícia, às 10h15, por exemplo. Nesse horário passava o Xou da Xuxa e o jornal seguinte era o Jornal Hoje, então a informação seria anunciada como exclusividade do Jornal Hoje. Ou seja, a responsabilidade ficava com a equipe de jornalistas que estavam preparando a edição do telejornal no momento do ocorrido. Continua sendo assim, mas essa interrupção foi padronizada.
Só fazendo um adendo, o Roberto Marinho era jornalista, ele já comandava o jornal O Globo, impresso, antes de conseguir a concessão para o canal de televisão, então, levou essa característica para a emissora e botava o dedo em tudo, ele aprovava e reprovava pautas, tudo tinha que passar seu filtro. E a Globo conseguiu conquistar o posto de líder de audiência porque foi agressiva com a concorrência e o Plantão da Globo é uma forma de tomar a frente na transmissão do que eles julgam importante. Não importa o quanto as outras emissoras vão falar a respeito do fato, a Globo deu a notícia por primeiro.
A ideia da unificação, da padronização desses boletins informativos, partiu do Boni que era o vice-presidente da emissora. Ele disse que quando criança ouvia muito a rádio e Repórter Esso era muito marcante, quando alguém ouvia aquela música parava o que estava fazendo para prestar atenção na notícia, então ele queria algo parecido para a Globo e pediu a Hans Donner, o cara especialista em vinhetas, para produzir uma exclusivamente para esses boletins informativos.
O primeiro Pantão da Globo aconteceu em 21 de maio de 1991, interrompendo o filme Top Gun - Ases Indomáveis na Sessão da Tarde informando o assassinato do primeiro-ministro da Índia Rajiv Gandhi. Mas eles tiveram a sensibilidade de colocar o plim plim antes da vinheta do plantão. E a música era outra, menos impactante.
Meses depois, foi promovido um concurso interno na emissora para a criação da música tema e o maestro compositor João Nabuco, que tinha 20 anos na época, foi escolhido dentre 12 participantes. Ele disse que fez a música em um dia. Tocou os instrumentos, editou e entregou do jeitinho que foi ao ar. Mas teve gente que não gostou, que achou que não combinava com os microfones e as câmeras girando sobre o globo, e que dava medo. Mas o Boni pouco se importava com a opinião alheia, se ele gostasse, era o que valia, e aprovou a música. O primeiro boletim caracterizado com a nova trilha e abertura foi ao ar em agosto do mesmo ano, com William Bonner noticiando uma tentativa de golpe de Estado na União Soviética.
A decisão de interromper a programação para o plantão cabe a um editor-chefe e a um diretor, que avaliam se o evento possui grande importância e se a pausa deve ocorrer imediatamente ou após o intervalo comercial. Se ambos concordam que a notícia deve ser dada de imediato, escolhem um jornalista que esteja disponível e, então, precisam da autorização da direção da rede. Olha só, isso vai virando um bolo de gente porque é necessário coordenar todas as afiliadas da rede pelo país.
Eles tem um comando central que organiza a transmissão e autoriza a interrupção com uma contagem regressiva antes de a vinheta ser exibida, aquele top de cinco segundos antes do Jornal Nacional, mas nesse caso só os diretores responsáveis pela programação de cada repetidora é que vêm. E o jornalista também tem um poder nas mãos, ele utiliza um controle para comandar a interrupção para que a integração da rede também aconteça de forma organizada e simultaneamente.
No dia 1º de maio de 1994, o plantão atingiu o maior número de exibições em um único dia, interrompendo a programação nove vezes com a cobertura do acidente e a consequente morte do piloto brasileiro de Fórmula 1 Ayrton Senna. O segundo dia com mais transmissões foi 7 de abril de 2018, com oito exibições cobrindo os desdobramentos da prisão do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já em 2016 foi o récord de o ano com mais transmissões, foram 25 vezes que essa música assustou os telespectadores. Isso dá um Plantão Globo a cada duas semanas mais ou menos.
Até maio de 2021, a jornalista Renata Vasconcellos, titular do Jornal Nacional, havia apresentado o plantão em 34 oportunidades, representando o maior número de aparições. Seguido de William Bonner, então titular do noticiário, que comandou o boletim em 24 ocasiões.
Devido a ter noticiado, entre diversos acontecimentos de relativa importância, guerras, mortes, fenômenos naturais, acidentes, sequestros, atentados e eventos políticos, no Brasil e no mundo, o plantão da Globo é comumente associado ao prenúncio de fatos que gerem reação negativa no público. Nos últimos anos diminuiu muito, mas continua, entra sempre no ar quando o motivo é muito importante. O próprio editor ou diretor decide na hora se é, ou não, motivo para interromper a programação ou se pode esperar o intervalo. De qualquer maneira, um jornalista que está na emissora se dirige até o local onde fica o controle da programação e espera o sinal para entrar no ar. É necessário coordenar todas as afiliadas do país.
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