A novela O Rei do Gado estreou no dia 17 de junho de 1996, no horário das 20h30 da TV Globo. Foi escrita por Benedito Ruy Barbosa, teve direção geral e de núcleo de Luiz Fernando Carvalho, e contou com as participações de Antônio Fagundes, Patricia Pillar, Raul Cortez, Glória Pires, Fábio Assunção, Silvia Pfeifer, Carlos Vereza e Stênio Garcia entre os principais atores do elenco.
A novela se divide em duas fases, na primeira, que tem duração de sete capítulos, Leonardo Bricio e Leticia Spiller são os grandes protagonistas da trama, eles interpretam os jovens Enrico e Giovanna, ele é filho de Antônio Mezenga, vivido por Antônio Fagundes, e ela de Antônio Berdinazzi, interpretado por Tarcísio Meira, duas famílias vizinhas que vivem em guerra por causa de uma cerca no limite de suas propriedades. Mesmo contra a vontade dos pais os dois se casam e precisam fugir, o filho de ambos recebe o nome de Bruno Mezenga.
Nessa primeira fase, além de letícia spiller e leonardo bricio, Antônio Fagundes também esteve presente com Tarcisio Meira, Eva Wilma, Vera Fischer e Claudio Correa e Castro.
As cenas se passavam durante a Segunda Guerra Mundial e a equipe da telenovela viajou à cidade de Craco, uma das regiões mais pobres da Itália para fazer gravações. Esses capítulos são uma verdadeira obra de arte, receberam tratamento para que se aproximassem de uma produção cinematográfica e ficaram belíssimos. Segundo Antônio Fagundes, os sete capítulos da primeira fase levaram cerca de três meses para ficar prontos.
A produção tinha prometido ao elenco um descanso de pelo menos um mês entre as duas fases da telenovela, mas o intervalo foi de apenas 12 horas. Antônio Fagundes, que fazia o avô na primeira parte da história e o neto na segunda, engordou para o primeiro personagem e esperava perder peso para voltar em cena, mas não teve tempo.
Na segunda fase, Antônio Fagundes assume o papel de Bruno Mezenga que se transforma num dos maiores criadores de gado do país conhecido como o Rei do Gado e dá sequência a guerra com o vizinho, dessa vez o Geremias Berdinazzi, interpretado por Raul Cortez.
E apesar da riqueza, Bruno Mezenga tem uma família complicada, sua esposa Léia, interpretada por Silvia Pfeifer, lhe trai com um garoto de programa, o Ralf, papel de Oscar Magrini. Bruno e Leia tem dois filhos, a Lia, feita por Lavínia Vlasak, e Marcos, por Fábio Assunção. Os dois vivem relacionamentos atribulados com Pirilampo e Liliana, respectivamente, personagens de Almir Sater e Mariana Lima.
A vida dos dois fazendeiros muda completamente com a chegada de duas mulheres, a Marieta, interpretada por Glória Pires, que diz ser a sobrinha desaparecida de Geremias, e Luana, vivida por Patricia Pillar, uma boia-fria de passado incerto, por quem Bruno se apaixona. Seu personagem é utilizado para discutir a reforma agrária e a vida dos trabalhadores do Movimento dos Sem Terra, o MST.
A sede da maior fazenda da trama foi construída nos Estúdios Globo, e pelo menos outros cinco polos de gravação foram usados para construir a trama, como Amparo, Ribeirão Preto e Itapira no estado de São Paulo, Guaxupé em Minas Gerais e Aruanã em Goiás, por onde se espalhavam as fazendas usadas como locação.
A vinheta de abertura mostra boiadeiros conduzindo gado pelo pasto, começa com um homem montando um cavalo e um boi sendo marcado a ferro quente com a logo da novela. No final, o boiadeiro é o protagonista Bruno Mezenga que se converte em ouro, ao som de Rei do Gado do grupo Orquestra da Terra.
A novela teve dois álbuns com a trilha sonora, o primeiro tem a atriz Patricia Pillar na capa e contém 14 faixas, com duas músicas internacionais. La Forza De La Vitta de Renato Russo e The Woman in Me de Shania Twain. Esse é o disco de novela mais vendido da história, ultrapassou a marca de 2 milhões e 100 mil cópias vendidas.
O volume 2 tem na capa a dupla Almir Sater e Sérgio Reis como a dupla Pirilampo & Saracura, que interpretam 8 das 12 faixas. As outras faixas são com Christian & Ralf com participação de Aguinaldo Rayol, João Paulo e Daniel, Orquestra da Terra, e Dominguinhos. Esse álbum vendeu menos da metade do anterior, mas ainda assim é um número bem expressivo, passou das 900 mil cópias vendidas.
O Rei do Gado estreou com média de 51 pontos e pico de audiência de 55. Em seu último capítulo, registrou 60 pontos. É a novela da Globo que mais reprise teve na emissora, só no Vale a Pena Ver de Novo, desde a sua estreia em 1996 até 2026, foi exibida três vezes. A primeira entre março e agosto de 1999, a segunda entre janeiro a agosto de 2015, e a terceira vez entre novembro de 2022 a junho de 2023. Em alguns casos ultrapassando a audiência da novela das 18h e das 19h e se aproximando do IBOPE da novela das 21h.
Além disso, passou na íntegra no canal Viva entre fevereiro a novembro de 2011, e estreou no Globoplay Novelas em fevereiro de 2026. Mas já está disponível no Globoplay desde 29 de novembro de 2021.
Tem outras novelas que já foram reprisadas três vezes, como O Cravo e a Rosa, Chocolate com Pimenta e A Viagem, mas essas tiveram duas reprises no Vale a Pena Ver de Novo, a terceira foi na faixa Edição Especial.
Curiosidades
O Rei do Gado marcou a estreia na TV Globo de Marcello Antony, Caco Ciocler, Emílio Orciollo Netto e Lavínia Vlasak.
E dois políticos participaram da novela, os senadores Eduardo Suplicy e Benedita da Silva, que atuaram no funeral do Senador Caxias, vivido por Carlos Vereza.
Alguns atores como Letícia Spiller e Patricia Pillar se submeteram a laboratórios, onde ensaiaram com a atriz e bailarina Gisela Rodrigues, professora e pesquisadora do Departamento de Artes Corporais da Unicamp, para comporem suas personagens. Patricia Pillar passou dez dias entre os cortadores de cana-de-açúcar para compor a Luana.
Leonardo Brício, Caco Ciocler, Manuel Boucinhas e Marcello Antony viajaram para a região de Amparo, em São Paulo, onde aprenderam montaria e cavalgagem, bater feijão e colheita do café, entre outras atividades.
A equipe de maquiagem fez um curso com Ve Neill, maquiadora de Hollywood, indicada ao Oscar 1993 na categoria de melhor maquiagem feita em Jack Nicholson no filme Hoffa, de 1992, ela veio ao Brasil para treinar as profissionais da telenovela com o material que seria usado para caracterizar os personagens que eram imigrantes trabalhadores da terra queimados pelo sol e endurecidos pelo tempo.
O Rei do Gado passou em mais de 30 países, dentre eles: Portugal, Argentina, África do Sul, Canadá, Chile, Cuba, Grécia, Nicarágua, Noruega, Paraguai, Peru, Polônia, Rússia e Uruguai. No entanto, em outubro de 2006, o presidente da Rede Bandeirantes, Johnny Saad, em entrevista à Folha de S.Paulo, declarou ter ouvido de países vizinhos problemas com as telenovelas brasileiras em razão do excesso de temperos e de ideologias. Ele usou O Rei do Gado como exemplo que teve participação de políticos reais e isso entra em choque com certas culturas.
Segundo ele, diferente do Brasil, a TV aberta no mundo é muito conservadora. Talvez isso explique as mudanças feitas nos folhetins, não é só para agradar o público conservador do nosso país, é porque produzindo água com açúcar vende mais para o exterior. É uma pena porque as novelas brasileiras são famosas no mundo todo justamente por serem mais próximas da realidade do que as outras produzidas em outros países.
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