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Realitys da nossa TV

Antes de a TV ser dominada por BBB, A Fazenda, The Voice, MasterChef e outros tantos realitys shows, houve um tempo em que esse formato de programa era raridade. Tudo mudou em 31 de maio de 2000, com a estreia de Survivor, o programa que colocava um grupo de estranhos para sobreviver em lugares inóspitos.

Nos Estados Unidos, até existiam alguns realities antes da estreia de Survivor, mas eles não tinham a pegada de competição que ficou tão característica nesse formato de entretenimento. Os realitys estavam mais para documentário do que para show, servia para observar pessoas reais em seu cotidiano como foi o caso do pioneiro An American Family, de 1973, que pretendia mostrar a vida da família Loud e acabou registrando o divórcio dos pais e a saída do armário do filho primogênito.

Na década de 1990, a MTV deu uma apimentada nas séries documentais ao lançar o Real World, chamado no Brasil de Na Real, o reality colocava em uma casa uma turma da pesada com muito álcool, sexo e muita confusão. Parece chamada da Sessão da Tarde, mas um reality show mesmo. Teve também o reality 20 e Poucos Anos com três temporadas no ano 2000. O programa mostrava a vida efervescente dos jovens no início da vida adulta. 

Isso tudo estreou antes do No Limite, que mudou o formato de reality show. A idéia surgiu là em 1992, no Reino Unido, mas não foi para frente, depois, em 1997, estreou o Expedition Robinson, na Suécia, que foi transformado em Survivor na televisão da Holanda, mas só em 2000 é que explodiu par ao mundo quando a CBS dos Estados Unidos adquiriu o formato. No Brasil foi chamado de No Limite.

O reality No Limite teve sete temporadas no Brasil, uma em 2000, duas em 2001, uma em 2009, uma em 2021, uma em 2022, e a última em 2023. Apesar de só as duas primeiras edições terem chamado mais atenção porque a terceira já tinha perdido o folêgo e ficou na sombra da Casa dos Artistas, do SBT. Mas foi graças ao sucesso de No Limite, ou melhor, de Survivor, que surgiram outros programas de competição como Ídolos, Dancing Brasil ou Dança dos Famosos, MasterChef, The Voice, Drag Race... e uma infinidade de outros.

No entanto, os programas de realidade que mais fizeram sucesso foram os de confinamento. No Brasil começou com a Casa Dos Artistas, que foi um plágio do Big Brother. Silvio Santos tinha entrado em negociação com os criadores do formato para colocar o programa no SBT, mas quando teve acesso às regras da produção desistiu da compra e fez um programa igual com algumas pequenas alterações. Levou um baita de um processo, o barato saiu muito caro para ele.

Em 2002, estreou o Big Brother na Globo e já teve duas edições no mesmo ano, por isso é que o número de cada edição corresponde com o final do ano em que foi exibido, tiveram visão estratégica e uma sorte muito grande de começar na hora certa. O mesmo não aconteceu com a Fazenda na Record que só estreou em 2009. Para ajustar o número da edição do programa com o ano em que é apresentado deveriam ter feito duas edições anualmente até 2016, porque em 2017 seria apresentada a Fazenda 17. Mas não foi o que aconteceu.

A fazenda foi ficando cada vez mais com a cara do Big Brother, mas não é o primeiro programa que usa o mesmo formato e também não será o último. A primeira cópia foi a Casa Dos Artistas no SBT, teve uma sátira que não dá para levar a sério que foi a Casa Dos Desesperados na GNT, dentro do programa do Sérgio Mallandro, mas que fez um bom ruído. Depois, teve o Sem Saída, o primeiro reality show da Record, que era confinamento, mas tinha um rodízio de gente no que eles chamavam de cativeiro. Cada dia entrava uma pessoa nova no ambiente e saia uma no final do episódio. Os participantes eram eliminados a partir da pontuação que alcançavam durante um quiz. Os que iam ficando mais tempo, obviamente, levavam mais dinheiro para casa. O programa era apresentado por Marcio Garcia, em 2004, e saiu do ar no mesmo ano.

E desde então já inventaram de tudo, colocaram pessoas em ilha, dentro de ônibus, deixaram gente isolada em cabines, puseram 100 participantes dentro de uma casa  projetada para apenas quatro, entre várias outras tentativas de criar um novo Big Brother. E, então, aquele que foi o diretor das primeiras 24 edições do Big Brother Brasil resolveu criar projetos na mesma linha como o Estrelas da Casa onde os participantes são cantores anônimos que disputam um contrato com uma gravadora. Não teve repercussão.

E em abril de 2026, eis que nasce o reality Casa do Patrão. Com esse nome deveria passar no SBT, porque Silvio Santos era sempre chamado de patrão pelos seus artistas e trata-se de uma nova versão do Big Brother. Ou seja, é gente confinada que precisa fazer provas para ganhar a liderança do jogo e indicar uma pessoa para deixar o programa. 

Canso não a Endemol, detentora dos direitos do Big Brother, não veja nenhum problema no formato, o SBT pode pedir devolução do dinheiro que teve que pagar no processo pela exibição da Casa dos Artistas, porque era igual, mas não seguia as mesmas regras.

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