A relação Brasil e Itália vai bem além da herança linguística, já que o português é derivado do latim, que tem o que conhecemos hoje como italiano como a sua primeira evolução fonética. Apesar dos italianos não se consideram latinos mesmo sendo eles o berço do latim. E existe uma troca muito grande de cultura entre os dois países, já fizeram muito sucesso por aqui os cantores Eros Ramazzotti, Luciano Pavarotti, Tiziano Ferro, Andrea Bocelli e a simpaticíssima Laura Pausini. Assim como eles já consumiram muitas das nossas novelas, conhecem bem o Roberto Carlos, Gilberto Gil, Marisa Monte, Daniela Mercury...
E a Globo já teve um canal de televisão lá na Itália, a Télé Monte Carlo. A emissora foi fundada em Mônaco e transmitia em língua francesa para a comunidade italiana presente lá no Principado. Em março de 1982, a Rai, uma televisão italiana, adquiriu metade do pacote de ações da Télé Monte Carlo e em 1985 a Globo comprou 90% das ações e mudou a sede para Roma, além de reproduzir a grade de programação que tinha no Brasil com as devidas adaptações para o país, mantendo o nome original da emissora.
O problema é que não foi nada fácil para a Globo se manter por lá porque as concorrentes fizeram o que puderam para atrapalhar a audiência e, então, Roberto Marinho resolveu parar de injetar dinheiro na emissora e vendeu o canal em 1994. Depois disso nunca mais quis saber de investir em uma emissora internacional, mas descobriu que podia vender sua programação para outros países sem sair do Brasil e criou a Globo Internacional em 1999. Até 2003, a Globo tinha 15% de participação no canal SIC de Portugal também.
E nessa época em que a Globo era dona da Tele Monte Carlo, a Xuxa alcançou o seu auge e ficou super conhecida no exterior, então, além da Espanha e da França, emissoras da Itália tinham interesse em leva-la para apresentar um programa lá no país. Eu só não sei dizer se seria pela Tele Monte Carlo, mas acredito que não. E, 10% da Monte Carlo era da Rai, que é tipo a Globo de lá, e de onde saíram alguns programas que tiveram suas versões brasileiras nos anos 90.
Cocktail
No dia 23 de agosto de 1991, estreou o programa Cocktail no SBT, como parte da celebração dos seus 10 anos no ar. Era um programa semanal apresentado por Luís Carlos Miele com momentos de erotismo e sensualidade. No início era exibido às sextas-feiras, depois passou para às quintas-feiras, logo depois para os sábados e voltou para às quintas nos últimos meses de exibição.
Era uma disputa entre um homem e uma mulher que em algum momento tinham que tirar a roupa, e o tempo todo, em todos os blocos do programa, as assistentes de palco exibiam os seios, além de um strep tease mais elaborado de uma das meninas. Na época tinha muito homem que não podia assistir em casa e ia para o bar para ver com a galera.
Pois bem, Cocktail era uma versão de um programa exibido na Itália, no Canal Itália 7, chamado Colpo Grosso. O Brasil não foi o único a importar a ideia, teve versões desse programa na Espanha, la se chamava ¡Ay, qué calor!, e também na Alemanha e na Suécia, chamado Tutti Frutti. No SBT o programa durou um ano. Saiu do ar por pressão de grupos religiosos que já se incomodavam com o tanto de nudez que tinha nas novelas da Manchete.
O SBT cancelou, mas deixou um recado. No fim do último programa, exibido em 13 de agosto de 1992, no aniversário de um ano, foi exibida a seguinte mensagem: A série Cocktail foi mais que uma sequência de programas de televisão de sucesso: a nudez de nossas meninas e o arrojo de nossas imagens lavaram a alma daqueles que conhecem o tempo em que vivem e fogem do falso moralismo.
Ponto a Ponto
No dia de 31 de março de 1996, estreou o programa Ponto a Ponto, na TV Globo, apresentado por Ana Furtado, Danielle Winits e Márcio Garcia. Era uma série de provas radicais feitas por quatro casais de estudantes que representavam diferentes escolas, eles passavam por compartimentos contendo cobras, rãs e ratos, praticavam tiro ao alvo, subiam em pau-de-sebo, escalavam paredes, driblavam jatos d’água e empurravam bolas de fogo.
Eles levavam o prêmio em dinheiro equivalente à pontuação alcançada. E a dupla vencedora voltava no domingo seguinte, atingindo 30 mil pontos, cada participante da dupla ganhava um carro zero quilômetro. O programa sair do ar em agosto do mesmo ano, aqui no canal tem um vídeo onde eu conto os detalhes e a razão do fim precoce, e este é mais uma versão da televisão italiana.
Il Grande Gioco Dell'oca estreou em junho de 1993, no canal Rai 2 e foi exibido em duas temporadas nos meses do verão europeu. Foi cancelado porque grupos defensores de animais reclamaram maus tratos dos bichos que eram utilizados nas provas. Uma das diferenças em relação ao programa do Brasil é que na versão original os participantes jogavam dados para percorrer um tabuleiro, era aquele típico jogo de ter que andar algumas casas, de acordo com o número do dado, e ter que realizar uma prova ou sofrer uma penalização se não tiver muita sorte.
O formato foi vendido para 42 países, Espanha foi um dos que fez bastante sucesso. E na América, além do Brasil, passou também em Portugal, Argentina e Uruguai.
Alô, Christina!
No dia 30 de abril de 1997, estreou o programa Alô, Christina!, no SBT. Era apresentado por Cristina Rocha nas noites de quarta-feira, que apresentava várias atrações, mas o quadro que fazia mais sucesso era quando ela fazia telefonemas para pessoas que haviam enviado cartas para participar. Aquelas que atendessem ao telefone com um Alô Christina!, ganhavam um prêmio em dinheiro, além de participar de outros jogos.
O programa não ficou muito tempo no ar, foi cancelado em março de 1998, devido a baixa audiência, mas foi bem impactante na imagem da apresentadora. Não era uma ideia original do Silvio Santos. Aliás, ele não tinha ideias originais, só comprava formatos prontos. Alô Chistina era uma versão de Pronto, Raffaella?, apresentado por Raffaela Carrà, na Itália, e depois na Espanha sob o título de Hola Raffaela. Na Argentina teve a versão do programa com Suzana Gimenez, Hola Suzana.
Raffaella Cará era atriz, cantora, apresentadora e dançava loucamente. Ela sabia como mexer com aquele corpinho. Ela ficou conhecida como a rainha da televisão italiana, título que a Hebe teve no Brasil, embora se assemelhasse mais a Xuxa... em certos aspectos. Ela faleceu em junho de 2021, aos 78 anos.
O Silvio Santos não desistiu da ideia, Alô Christina não durou muito, mas o formato foi reaproveitado com a Adriane Galisteu quando migrou da Record para o SBT para apresentar o programa Charme.
Fantasia
No dia 1º de dezembro de 1997, entrou no ar, às 16h30, no SBT, o programa Fantasia comandado por Adriana Colin, Débora Rodrigues, Jackeline Petkovic e Valéria Balbi, além de algumas dezenas de modelos em vestidos tubinhos coloridos. Dentre as garotas Fantasia passaram a Ellen Roche, a Fernanda Vasconcellos, a Livia Andrade, a Paquita Daiane Amêndola, a jornalista Izabella Camargo, a cantora Tania Mara, e até Thammy Gretchen. Só para falar de alguns nomes porque foram vários.
A primeira temporada fez mais sucesso e teve dança das cadeiras com as apresentadoras também. O programa saiu do ar e voltou algumas vezes e foi a estreia de Carla Perez como apresentadora depois que ela saiu do grupo É O Tchan. Essa fase ficou marcada pelas suas gafes, constrangimentos que pioravam quando ela tentava se justificar.
O formato era uma versão de Non è la RAI, do canal italiano Rai, que foi transmitido desde 1991 até 1995. Uma das características do programa eram as canções que as meninas cantavam em coro. Na versão italiana, essas músicas eram boa parte do acervo de Raffaella Carrá. Silvio Santos tentou copiar até o estilo das apresentadoras, mas cada um teve as suas características próprias devido a cultura local.
Na Itália aconteceu uma situação com um desfecho que teria sido bem diferente se acontecesse no Brasil. Durante um jogo, tipo forca, uma telespectadora adivinhou uma palavra cujas placas estavam em branco, não tinha nenhuma letra revelada, e a apresentadora disse que ela tinha fraudado o jogo e desligou o telefone. A apresentadora levou um puxão de orelha por não saber contornar a situação, mas a telespectadora foi levada a juízo para provar que não tinha recebido informações vazadas.
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